Movimentos sociais/Rio Grande do Sul

O Irmão Antônio Cechin dedicou sua vida a luta por uma sociedade mais justa e humana

Quando morrem os que lutam por uma sociedade mais justa, sentimos tristeza. Mas nos vem também o sentimento da necessidade de continuarmos combatendo para que a utopia se realize. Soube agora a pouco da morte do Irmão Cechin. Publico aqui um currículo antes publicado no Site da Patoral da Ecologia que mostra um pouco da vida de luta deste grande militante social.

cechinAntônio Cechin nasceu em Santa Maria/RS, no dia 17 de junho de 1927 e é Irmão Marista, miltante dos movimentos sociais, fundador da CPT RS, Pastoral da Ecologia e da ONG Caminho das Águas e autor do livro Empoderamento Popular. Uma pedagogia de libertação. Porto Alegre: Estef, 2010.

Clique AQUI para ver sobre outros dois livros que resgatam a trajetória de Irmão Antônio. 

Ir. Antônio Cechin nos escreveu um “curriculum brevis”: 

Do trabalho de animação estadual de JEC (Juventude Estudantil Católica) que comecei em 1955, segui para estudos no Curso do Lebret na França (Economia e Humanismo) e também como ouvinte, no ISPAC (Institut Supérieur de Pastorale Catéchétique de Paris). Segui então para o Vaticano para secretariar o Promotor Geral da Fé, junto à Causa dos Santos. Voltei ao Brasil em 1962 e então alarguei o trabalho dos meus jecistas (JEC) para o Movimento Estudantil e para a coleta de Palavras Geradoras nos morros de Porto Alegre (método Paulo Freire) e então para EDUCAÇÃO LIBERTADORA. Daqui para a CATEQUESE LIBERTADORA, com definição consagrada no Encontro Internacional de Catequese (1968), uma semana antes da realização da Assembléia dos Bispos em Medellin. Logo em seguida seguiu-se a produção das FICHAS CATEQUÉTICAS que, por serem libertadoras, estiveram na origem da minha prisão pela ditadura militar. Com as Fichas Catequéticas participei da Fundação do CECA (Centro Ecimênico de Capacitação e Assessoria) e do CEBI (Centro de Estudos Bíblicos). Saio da prisão e começo minha INSERÇÃO nas periferias ajudando o povo a organizar CEB’s (Comunidades Eclesiais de Base), com a Pastoral da Mulher Pobre (Clubes de Mães, MÍSTICA FEMININA – Pastoral da Criança – Ocupações urbanas, etc.). Em Canoas se deu as ocupações das vilas Santo Operário, Natal e União dos Operários. Em 1975 aconteceu o 1º Encontro Nacional de CEB1s em Vitória. 1978 foi o Ano dos Mártires Indígenas preparando a Assembléia dos Bispos em Puebla e iniciando com a Romaria da Terra, fazendo surgir a Missa da Terra Sem Males ou Missa Ecológica ou também Missa em honra do povo guarani com seu Santo Sepé Tiaraju. Em 1979 aconteceu o 1º Encontro Estadual de CEB’s e início das ocupações rurais das CEB’s rurais (futuro MST) e ocupações urbanas (Vila Santo Operário, em Canoas). Dentro da opção CEB’s, a radicalização com as novas comunidades dos catadores ou Comunidades Ecológicas de Base e por esta porta a grande entrada na Ecologia a partir dos recicladores e criação da Romaria das Águas ao mesmo tempo que estamos mantendo anualmente a Procissão Fluvial de Nossa Senhora dos Navegantes. Com o trabalho dos Catadores criamos uma Política Pública (Fé e POLÍTICA) que o Prefeito de Porto Alegre, Olívio Dutra transformou em POLÍTICA DE GOVERNO. Está faltando o último passo: transformar a política de governo em POLÍTICA DE ESTADO. Com os índios guarani, anualmente agora, a Romaria aos lugares sagrados sempre em 7 de fevereiro, e com os jovens urbanos-catadores a bicicletada ou CAMINHO DE SÃO SEPÉ, anualmente de Rio Parto a São Gabriel.

E acrescentamos mais alguns dados:

Antônio Cechin nasceu em 17 de junho de 1927, na cidade de Santa Maria – RS. Ingressou no Juvenato dos Irmãos Maristas em 25 de janeiro de 1937, com 10 anos incompletos. Aos 16 anos, em 24 de janeiro de 1944, emitiu os votos temporários, tornando-se Irmão Marista. Em 14 de janeiro de 1949, aos 21 anos de idade, emitiu os votos solenes, definitivos.

Formado em Letras Clássicas e em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, também foi professor e diretor em colégios da Congregação Marista. Trabalhou como secretário da Faculdade de Filosofia da PUC-RS. Estudou Catequese e Economia em Paris e trabalhou em Roma na Sagrada Congregação dos Ritos, que cuidava da Liturgia e da causa dos santos. Foi o primeiro coordenador do setor de Catequese da CNBB Sul, que abrangia Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Atuou na Ação Católica, especialmente na JEC. Em consequência de seu comprometimento com a liberdade e a vida, foi perseguido, preso e torturado pela ditadura militar, como preso político, em 1968 e 1972.

Conforme diz o Irmão Benício, seu mano e também marista, a Catequese (a educação) “foi sua grande paixão”. Com sua irmã Matilde criou as Fichas Catequéticas, protagonizando uma Catequese Libertadora. Em 1968, colaborou com importante reflexão sobre o tema da Catequese na Conferência Geral do Episcopado da América Latina e Caribe, em Medellín.

No início da década de 70, Irmão Antônio foi pioneiro, entre religiosos, na inserção junto aos pobres na periferia de Canoas, onde nasceram Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s). E suas experiências de pastoral servem de base para a Teologia da Libertação. Ajudou a criar o Centro de Orientação Missionária (COM), bem como o CEBI e o CECA, a CPT e o MST. Buscou na experiência de Sepé Tiarajú e no povo Guarani uma mística de luta para os movimentos sociais e populares e também colaborou com a criação do Partido dos Trabalhadores. Em Porto Alegre, atuou como Administrador (Subprefeito) das Ilhas do Guaíba, durante o Governo municipal de Olívio Dutra, quando nasceu o Orçamento Participativo.

Irmão Antônio começou a trabalhar nas Ilhas do Guaíba, no Delta do Jacuí, quando se aproximava dos 60 anos de idade. Agora, já passando dos 80 anos, segue servindo aos pobres que vivem nas margens do imenso Guaíba, que é um centro da vida e lugar de encontro das águas. Os pobres que ali vivem são colocados no centro e incluídos graças ao seu trabalho. Com sua presença solidária e fraterna junto aos pobres das Ilhas, organizando os catadores de “lixo”, emerge das águas do Guaíba uma mística de luta ecológica. E nasce a Devoção a Nossa Senhora das Águas, a Romaria das Águas e a Pastoral da Ecologia.
No dia 24 de fevereiro, por ocasião da 32ª Romaria da Terra do Rio Grande do Sul, em Sapucaia do Sul, a editora ESTEF (Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana) e o Instituto Cultural Padre Josimo lançaram dois livros em homenagem ao Irmão Antônio Cechin, que celebrou 80 anos em maio de 2007. “O Irmão dos Pobres”, por Frei Pilato Pereira, de caráter mais popular, é uma narrativa biográfica, e “Memória para o Futuro”, por Frei Luiz Carlos Susin, reúne articulistas envolvidos nas diferentes frentes de movimentos e lutas populares que ganharam alma com a atuação de Ir. Antônio Cechin, revelando o quanto o Rio Grande do Sul foi berço de movimentos sociais e pastorais expandidos pelo Brasil. Trata-se de um conjunto de autores que refletem o passado e o presente desses movimentos sociais em vista de contribuição futura.
Um terceiro livro “Empoderamento Popular. Uma pedagogia de libertação”, também editado pela Estef, foi lançado no Fórum Social Mundial de 2010, em Canoas. Este, que, assim com os dois anterios, faz parte do projeto Memórias para o futuro, reúne diversos artigos ou palestras de Ir. Antônio Cechin.

2 pensamentos sobre “O Irmão Antônio Cechin dedicou sua vida a luta por uma sociedade mais justa e humana

  1. Tive a honra de conhecer esse grande ser humano e conversar com ele, na época da Missa da Terra sem Males e da Missa dos Quilombos. Admirável mundo que ainda virá, o que gente como Antônio Cechin trabalha para construir. Cabe a nós honrar suas ideias e ações e tentar dar continuidade, nos nossos pequenos atos cotidianos.

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