Brasil/Mundo

Nação x barbárie

 Por Fernando Rosa

“A solução definitiva é ter recursos para educação e saúde, desenvolver o país e criar empregos”, defendeu o ex-presidente, general Ernesto Geisel, no início de seu governo, em 1974. Diante do questionamento sobre “o que é Nação”, ou “nacionalismo”, a formulação de Geisel poderia ser tomada como uma definição apropriada. Nação, simplificando, é igual a desenvolvimento, industrialização, empregos, com independência, identidade cultural e inserção soberana no mundo.

A confusão ideológica instalada pela globalização neoliberal, especialmente no campo da esquerda, é talvez a maior dificuldade para avançar a luta dos povos atualmente. Acordos econômicos supranacionais lesivos, desconstrução de culturas e ilusão de benefícios globais levaram lideranças, partidos e povos a abrirem mão das suas identidades nacionais. Esse processo não é de hoje, vem sendo aplicado há décadas, com base na espoliação do capital financeiro, apoiado pela indústria bélica norte-americana.

O resultado da eleição norte-americana arrancou da zona de conforto quem ainda resistia a compreender a falência da globalização e do neoliberalismo no mundo. A vitória de Donald Trump enterrou qualquer ilusão, exigindo uma revisão de conceitos e, especialmente, preconceitos, sobre o papel das Nações. A saída do Reino Unido da União Européia e as vitórias eleitorais de aliados da Rússia nas eleições da Bulgária e da Moldávia aprofundaram essa tendência no pós-Trump.

“O nosso movimento é para substituir um establishment falido e corrupto”, denunciou o candidato republicano em sua campanha, acusando a adversária Hillary Clinton. “Existe um poder global que é responsável pelas decisões econômicas que roubaram a classe trabalhadora e usurparam nossa prosperidade”, disse Trump. “Isso não é apenas mais uma eleição, é uma encruzilhada da nossa civilização”, vaticinou ele, apontando para o grau de tensão da disputa no coração da besta, que tende a se espalhar pelo mundo.

No Brasil, apoiada por um judiciário corrompido, a gangue imperialista investe, com urgência, para destruir o Estado nacional por inteiro – seu sistema de saúde, de educação, suas instituições políticas e as FFAA. A Operação Lava Jato, sustentada por informações da NSA, como denuncia Oliver Stone em seu filme, atacou a nossa infra-estrutura. Para dimensionar o crime de lesa-Pátria, segundo Paulo Leme, presidente do banco Goldman Sachs no Brasil, “em 50 anos de formação bruta de capital fixo (indicador que mede a capacidade produtiva), a metade vem de empreiteiras, vem do setor da construção”.

É urgente, portanto, superar a dificuldade do pensamento progressista mundial, que resiste em formular a defesa das Nações, deixando a “bandeira da Nação” nas mãos da direita, a exemplo da social-democracia pan-européia. Em nosso caso, isso passa pela construção de um Projeto de Nação, que embale uma ampla Frente Nacional, como já sinalizou o ex-presidente Lula, além dos imediatos interesses eleitorais. Aqueles que foram às ruas falar em nome da Brasil, do nacionalismo e do patriotismo são apenas usurpadores como o governo golpista e seus patrões supranacionais.

O Brasil tem vocação para grande Nação, comprovada com parciais, mas importantes, vitórias sobre interesses externos que, em diversas épocas, tentaram nos dividir e nos submeter. Historicamente, o Brasil demonstrou que é viável, desenvolvendo sua infra-estrutura, a ciência e a tecnologia, promovendo o mercado interno, distribuindo renda e integrando-se soberanamente no mundo. Defender a Nação, o Brasil, sem rodeios, é condição primeira para derrotar o fascismo e devolver o país ao caminho do desenvolvimento, da soberania e da afirmação dos direitos sociais e individuais.

batalha-de-guararapes
Batalha dos Guararapes, Vitória das 3 Raças – Acrílico e óleo sobre tela (técnica mista) – 1,20 x 0,70 – Artista: FLÁVIO SOTÉ.

2 pensamentos sobre “Nação x barbárie

  1. Pingback: #barbarie a brasileira . | DVH Advogados

  2. Pingback: Nação x barbárie — Luíz Müller Blog | ALÔ BRASIL

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