Lava Jato

As relações da Lava Jato com os EUA e a quebra da Indústria brasileira da Construção Pesada

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Por Fernando Rosa no seu Blog

 

Originada em 2009, a operação Lava Jato somente ganhou força em julho de 2013 e, em 17 de março de 2014, foi deflagrada a primeira fase ostensiva da operação, com foco na Petrobras, em Angra 3 e na Eletronuclear e nas empreiteiras nacionais. A operação começou com a investigação de crimes de lavagem de dinheiro envolvendo o ex-deputado federal José Janene, em Londrina, no Paraná, e os doleiros Alberto Youssef e Carlos Habib Chater.

Segundo o Ministério Público Federal, “em julho de 2013, a investigação começa a monitorar as conversas do doleiro Carlos Habib Chater. Pelas interceptações, foram identificadas quatro organizações criminosas que se relacionavam entre si, todas lideradas por doleiros. A primeira era chefiada por Chater (cuja investigação ficou conhecida como “Operação Lava Jato”, nome que acabou sendo usado, mais tarde, para se referir também a todos os casos)”.

Em maio 2013, Edward Snowden entregou ao jornalista Glenn Greenwald, atualmente editor do portal The Intercept Brasil, e a cineasta e jornalista Laura Poitras documentos que comprovavam a existência do projeto de monitoramento global, denominado PRISM. Por meio do programa, o governo dos Estados Unidos monitorou as conversas telefônicas e transmissões na Internet de cidadãos dos EUA e de outros países.

“Os vazamentos mostraram que a NSA não estava apenas rastreando terroristas, mas vigiando líderes mundiais, como a então presidente Dilma, e grandes corporações, como a Petrobras”. A constatação é do filme “Snowden”, e de seu diretor, o cineasta norte-americano Oliver Stone, segundo matéria do jornalista Maurício Stycer, no portal UOL, no início de novembro.

Em recente entrevista ao jornal Estadão, o presidente do banco Goldman Sachs no Brasil, Paulo Leme, dimensionou as consequências da operação Lava Jato para a economia do país. Segundo ele, “quando a gente olha, na economia brasileira, 50 anos de formação bruta de capital fixo (indicador que mede a capacidade produtiva), vê que metade vem de empreiteiras, vem do setor da construção”.

“A Lava Jato se gaba de ter trazido para o país cerca de R$ 2 bilhões supostamente usurpados. Mas o que dizer da quebradeira da indústria naval e do desemprego na construção civil? O pré-sal alavancou a indústria naval e veio a investigação e acabou com tudo”, advertiu o procurador e ex-ministro da Justiça, Eugênio Aragão, em entrevista ao blog Viomundo, em setembro de 2016.

Ao atingir a Odebrecht, com a imediata prisão de seu presidente Marcelo Odebrecht, a operação Lava Jato também investiu contra uma área estratégica para a defesa nacional. A empreiteira cumpria o papel de empresa-mãe do projeto de construção do submarino nuclear brasileiro, liderado pelo Almirante Othon, igualmente preso.

“A Lava Jato terá um saldo negativo que vamos pagar por algumas décadas; não se pode matar uma barata com um lança chamas colocando fogo na casa toda”, alertou Aragão, na mesma entrevista. Além de acordos de leniência para recuperar as empresas, é preciso apurar e punir as responsabilidades, em especial do judiciário brasileiro, nesse crime de lesa-Pátria.

PS – Após a publicação do artigo, a Folha de S. Paulo publicou matéria, neste dia 23//11, na qual um dos advogados de Lula, Dr. Cristiano Zanin, denuncia “elo suspeito” da Operação Lava Jato com os Estados Unidos.

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2 pensamentos sobre “As relações da Lava Jato com os EUA e a quebra da Indústria brasileira da Construção Pesada

  1. Pingback: Moro impede testemunha de falar sobre elo suspeito entre Lava Jato e EUA (Crime de Lesa Pátria começa a aparecer) | Luíz Müller Blog

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