Lava Jato/Uncategorized

Cuidado, o próximo pode ser você

POR  no TIJOLAÇO

 proximo

 

Atônitos, assistimos à destruição do parque industrial brasileiro e com ele a vida de milhões de trabalhadores que viram, em meses, seus empregos evaporarem.

Testemunhamos assombrados a destituição de uma presidenta legítima e honesta por uma tropa de picaretas amestrados num show de horror transmitido, ao vivo, num domingo que ficou marcado pela vergonha e o descaramento.

Em tempo real, presenciamos a Constituição cidadã aviltada, enxovalhada justamente por quem tinha por dever defendê-la.

E enquanto acompanhamos, incrédulos ainda, políticos comprovadamente corruptos não serem sequer incomodados pela justiça, esperamos pacientemente a nossa vez chegar.

Não, o tempo não é de completa justiça, como escreveu Drummond nos anos 40.

O   tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.

Exemplo disso, publicado na Folha e esmiuçado no site da Revista Consultor Jurídico, é o caso do diretor da OAS, Mateus Coutinho de Sá.

Preso preventivamente no dia 14 de novembro de 2014, junto com os presidentes das empreiteiras OAS, Camargo Corrêa, Iesa Óleo e Gás, UTC e Queiroz Galvão, além de outros executivos, Mateus sentiu na pele o que muitos de nós acreditam nunca ter que sentir.

Jurou inocência, mas, obviamente não foi levado a sério, pois sua inocência não vinha ao caso para o juiz Moro, que o condenou a 11 anos de prisão.

Moro alegava haver “prova robusta” do envolvimento da OAS no esquema de corrupção que funcionava na Petrobras.

Depois de seis meses de cadeia, depois de ter perdido a família, o emprego e de ser visto como bandido e corrupto, o STF decidiu autorizar que ele e outros investigados da “Lava Jato” poderiam responder ao processo em prisão domicilia .em 28 de abril de 2015.

Segundo um dos advogados de Mateus:

“Nenhum dos delatores tinha dito que Coutinho praticou qualquer tipo de crime. Ele não tinha absolutamente nada a ver com esse esquema.”

Isso não impediu Sérgio Moro de condená-lo

Na última quarta-feira, 23 de novembro, em julgamento de apelação a 8ª Turma do TRF-4, por unanimidade, absolveu o executivo, por falta de provas.

Ou melhor, absolveu-o formalmente, porque informalmente vai continuar pagando a pena moral de “corrupto”, com uma tornozeleira de discriminação atada a sua imagem.

Fundou-se uma orientação feroz e punitiva no judiciário,  incompatível com as garantias constitucionais que, a duras penas, conquistamos.

Judicialmente tornamo-nos semelhantes aos padrões de grupos de extermínio, que matam segundo seus próprios critérios de quem presta e quem não presta, como os macabros “criteriosos que gritam” antes do massacre: “Branco sai, preto fica”.

Morre quem acham que  ‘deve morrer’ e também quem estiver, por acaso, por perto.

 

Logo teremos, para o aplauso do respeitável público, novos massacres na Arena de Coritiba, cujo valor se amplia quanto mais nos falta o pão.

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