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Requião: petistas na Mesa enfraquecerão oposição

Por Tereza Cruvinel no Brasil 247

Geraldo Magela/Agência Senado

A propósito de meu artigo “Participação do PT na Mesa é legítima e consequente”, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) contrapõe argumentos consideráveis sobre o debate que vem dividindo o partido e a oposição ao governo golpista. Este blog, espaço comprometido com o debate democrático e não com o sectarismo que tanto mal nos tem feito, acolhe os argumentos do senador oferecendo-os à discussão em pauta.

Para Requião, ao participar da Mesa do Senado, compondo com os outros partidos que executaram o golpe parlamentar contra Dilma, PT e oposições favorecerão a hegemonia das forças golpistas naquela Casa, mais organizadas e coesas que na Câmara, dificultando as mudanças necessárias ao restabelecimento da soberania dos mandatos. “Respeito os argumentos de quem diz que ficara fora poderá ser pior. Mas entrar neste jogo não resolverá nada e minará nossa credibilidade. A referência não deve ser o pequeno universo do Senado, mas a percepção da opinião pública. E o que ela pensa do Congresso, todos nós sabemos”, diz o senador.

No Senado, o PT está dividido entre os que defendem o apoio ao candidato peemedebista Eunício Oliveira – entre eles o líder Humberto Costa e o ex-líder do governo Dilma no Congresso, José Pimentel – e os que se opõem a esta composição, liderados por Gleisi Hoffmann e Lindberg Farias. Também para eles, a composição com os que derrubaram Dilma afrontará a base social que se opôs ao golpe e protagonizou a luta da resistência.

Requião é do PMDB, mas alinha-se com o bloco de oposição, composto ainda por PT, PSB, PDT, Rede e Psol. Por isso sente-se no direito de opinar sobre o caminho a tomar, fazendo prognósticos sombrios sobre o que ocorrerá em caso de composição.

– O PT não será perdoado por isso. Participando da Mesa, acabará coonestando medidas como a premiação das teles com R$ 100 bilhões de reais ou as medidas fiscalistas que estão em curso. Para quem não sabe, o PT também trabalhou para derrubar o recurso ao plenário contra o projeto das teles.  Esta participação na Mesa seria a abertura da porteira. Não vão ganhar nada com isso, a não ser uns carguinhos, perdendo respaldo na opinião pública – diz o senador dissidente do PMDB.

O que ele defende é uma ofensiva da oposição para forçar uma revolução nas práticas e condutas do Senado a partir de três medidas. A saber.

1) Fim do voto de liderança e do voto por aclamação – “Toda as segundas, quintas e sextas-feiras esta turma do Renan, Eunício e Jucá aproveita a falta de quórum e coloca jabutis em votação, que são aprovados por aclamação ou voto simbólico. Isso é uma afronta aos mandatos dos demais senadores. Isso tem que acabar. Afinal, hoje existe o voto eletrônico, não se justificando o voto simbólico que no passado ocorria para contornar as longas chamadas nominais”.

2) Fim das indicações de relatores pelo presidente da Casa – “Relatores precisam ser sorteados, como acontece no Judiciário, a partir dos integrantes de cada comissão temática. Depois das delações da Odebrecht, entendemos por que Romero Jucá e Eunício tornaram-se os relatores óbvios de todo tipo de matéria, como se fossem oniscientes, autoridades em todas os assuntos e os únicos senadores preparados para apresentar um parecer tecnicamente consistente. Isso também tem que acabar”.

3. Fim das comissões especiais – Hoje no Senado, por qualquer palha a presidência institui uma comissão especial e indica seus integrantes. “O objetivo destas comissões é a condução de assuntos importantes por um grupo pré-selecionado de senadores, com posições devidamente alinhadas com os objetivos da maioria peemedebista. Temos comissões temáticas para todos os assuntos importantes e relevantes e nelas, apenas nelas, é que proposições e projetos devem ser debatidos e encaminhados ao plenário”, conclui Requião.

Mas, pergunto, a oposição teria força para impor tão profunda mudança no funcionamento da Casa? Ele diz que é possível, porque outros senadores, de outros partidos, também estão cansados da exclusão e da condução da Casa pelo grupo que  dá as cartas. Inclusive senadores de partidos da própria base governista.

Não é fácil, mas o caminho está correto. O Senado vem sendo mesmo conduzido pelo grupo dos iluminados que negociam matérias na escuridão. Mas, a meu ver, o PT poderia participar da Mesa sem se entregar-se aos conchavos, fazendo de seu posto um ponto de resistência e de não de rendição. Valendo-se da posição no comando de cada Casa para influir no processo legislativo, reduzindo os danos impostos ao país pela agenda governista. Requião acha que não. E recorda que Jorge Viana, petista que ocupa a primeira vice-presidência, recusou-se a assumir a presidência quando o STF tentou afastar Renan, para facilitar o acordão que o preservou no cargo.

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