Uncategorized

A atualidade do Marxismo

“O liberalismo econômico e o liberalismo político, sozinhos ou combinados, não conseguem oferecer uma solução para os problemas do século XXI. Mais uma vez chegou a hora de levar Marx a sério. (Eric Hobsbawm 1)

Cometário do Blogueiro: Ao contrário de alguns, inclusive a esquerda do espectro político brasileiro e mundial, eu acredito que o marxismo é sim uma fonte de análise e construção de argumentos para a resistência ao avanço do capitalismo e as desumanas condições por ele destinadas a grande maioria da população.

Publico o Prefácio do Livro ENSAIOS MARXISTAS do autor Eduardo Mancuso.

ensaios-marxistas

Prefácio do Livro Ensaios Marxistas

Por Eduardo Mancuso

 A crise de civilização capitalista em sua fase atual – a da globalização neoliberal – abre um período de transição na história. Socialismo ou barbárie, dizia Rosa Luxemburgo no início do século XX. Outro mundo é possível, afirmou o Fórum Social Mundial no primeiro ano do século XXI.

É evidente que o “sistema-mundo” capitalista (o mercado mundial globalizado) vive uma crise estrutural devido a suas contradições internas e desenvolve uma relação insustentável da sociedade humana com a ecologia do planeta. A razão dessa crise de civilização advém (como dizia Marx) do fato de o capitalismo só poder existir e se reproduzir através da exploração das duas fontes de riqueza: o trabalho humano e a natureza. O capitalismo, historicamente progressista (como atesta o próprio Manifesto Comunista de Marx e Engels), em sua fase tardia e senil transformou-se em crise civilizatória: anti-humanista e antiecológica.

A globalização imperialista neoliberal, hegemônica desde 1980 – turbinada pelo “momento unipolar” dos EUA nos anos 1990, a chamada “nova ordem mundial” instaurada depois da queda do Muro de Berlim e do desabamento da URSS que pôs fim à Guerra Fria – levou a humanidade e o planeta a uma crise sistêmica. Após a Era de Ouro do capitalismo no pós-Segunda Guerra (1945-1973), segundo Hobsbawm, a economia mundial entrou em um ciclo longo recessivo (previsto por Ernest Mandel em 1972, em sua obra O capitalismo tardio), e o capital deflagrou a ofensiva neoliberal global dos últimos trinta anos contra os trabalhadores.

A crise econômica e financeira aberta em 2008 nos países ricos (a mais grave desde a crise de 1929), além de aparentemente encerrar o período hegemônico neoliberal das últimas décadas, reforça a ideia de que entramos em uma era de transição – um período de bifurcação histórica onde a crise estrutural do “sistema mundo” (segundo Immanuel Wallerstein) possibilita que a sociedade humana construa alternativas de futuro solidárias e sustentáveis (mais difíceis de concretizar quando o sistema está estável e se reproduz funcionalmente).

A América do Norte e a “velha” Europa (como diziam arrogantemente os neocons do direitista Partido Republicano) estão perdendo o predomínio mundial em riqueza e poder para a Ásia (com a China “comunista” à frente) e os países do grupo BRICS. Torna-se cada vez mais evidente que a geopolítica mundial sofre um deslocamento de poder (relativo) do Ocidente para o Oriente, e do Norte para o Sul global. Guerras imperialistas fracassadas (Afeganistão, Iraque), estagnação econômica e a maior crise financeira desde 1929 impactam fortemente a tríade capitalista – EUA, União Europeia e Japão – nos primeiros anos do século XXI.

As teses dos jovens Marx e Engels no Manifesto Comunista (1848) sobre a mundialização do capitalismo, e a crítica da economia política elaborada pelo Marx maduro em O Capital (1867), em suas linhas fundamentais, mantém a atualidade, tanto para a compreensão teórica do “capitalismo realmente existente” como para armar a ação política do movimento socialista contemporâneo.

Pois bem, se o capitalismo não é, não pode ser, eterno, também não é o “fim da história”, pois a história – enquanto o homem exista – não pode ter fim, e se uma alternativa social ao capitalismo é necessária e desejável, o marxismo continua sendo necessário, já que somente existe por e para contribuir para que essa alternativa se realize. 2

E quais são as tarefas de todas e todos que reivindicam o legado de Marx? Como disse o sociólogo sueco Goran Therborn recentemente em Porto Alegre: organizar e apoiar a resistência à exploração capitalista, à brutalidade humana e às ameaças ao ambiente e lutar por uma vida boa para os 99% da população mundial. Essas são proposições marxistas clássicas, mas alcançá-las hoje requer novas análises e inovações criativas em matéria de organização e mobilização.

 Notas:

 

  1. Hobsbawm, Eric. Como mudar o mundo. Marx e o marxismo, 1840 – 2011. Companhia das Letras, 2011, p. 375.
  2. Sánchez Vázquez, Adolfo. Filosofia da práxis.CLACSO; Expressão Popular, 2007, p. 439.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s