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Trabalhadores defendem fiscalização dos frigoríficos, mas criticam ‘espetáculo’

“Mais do que favoráveis à fiscalização sanitária, temos defendido uma maior presença do Estado e que seja assegurado que sejam produzidos em relações de trabalho saudáveis e seguras”, diz entidade

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Trabalhadores querem fiscalização também nas condições de trabalho e que o setor seja devidamente regulado, com garantias de sua continuidade

São Paulo – Entidades que representam empregados no setor de alimentação se manifestaram a favor da fiscalização no setor, mas também se disseram preocupadas com possíveis consequências da Operação Carne Fraca, desencadeada na semana passada. Para o presidente da Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação (Contac-CUT), Siderlei de Oliveira, a “espetacularização” da notícia pode transformar a operação “em uma conta a ser paga pelos trabalhadores”.

“Não podemos permitir que a generalização irresponsável sobre atos criminosos e mal feitos contra a saúde pública – que em nada contribuem para a resolução de problemas localizados – afete a vida de mais de um milhão de trabalhadores, agora sob o risco de ficarem desempregados”, diz o sindicalista, em nota. “Mais do que favoráveis à fiscalização sanitária sobre a qualidade dos alimentos, temos defendido uma maior presença do Estado – com a participação de representantes dos trabalhadores nas inspeções – e que seja assegurado que sejam produzidos em relações de trabalho saudáveis e seguras.”

Ele também considera importante “alertar para os interesses estrangeiros por trás da quebradeira das empresas nacionais, já que o Brasil é o campeão mundial de exportação de carne bovina e o segundo produtor de carne de frango”. A entidade “propõe maior transparência ao processo, bem como uma exemplar punição aos culpados”.

Já a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins (CNTA Afins), que informa representar 130 mil trabalhadores da JBS (Seara e Friboi) e 110 mil da BRF (Sadia, Perdigão e Qualy), manifesta indignação com a “prática perversa” de empresas líderes do mercado e com forte atuação no exterior.

“Este tipo de prática ilícita e antiética não é diferente para com os trabalhadores que, por muitas vezes, são submetidos a pressões psicológicas e ritmos frenéticos de trabalho, com grande número de adoecimentos e acidentes, em nome do lucro da empresa. O possível envolvimento do governo neste esquema nos traz insegurança e falta de credibilidade quanto a outros tipos de fiscalizações muito importante para nós, como as do Ministério do Trabalho, órgão sucateado há muitos governos”, diz a entidade, em nota assinada por seu presidente, Artur Bueno de Camargo.

Segundo ele, na atividade de alimentação o setor de frigoríficos lidera o número de acidentes de trabalho. “Então, nosso manifesto não só aborda a preocupação com o que é repassado aos consumidores, mas também aos trabalhadores, que estão expostos diretamente às consequências da busca pelo lucro a qualquer preço, evidenciadas nesta operação”, afirma, também defendendo transparência.

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