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“Casamento ostentação” de filha de Ricardo Barros é marcado por protesto e “chuva de ovos”

Da Revista Fórum

Escracho no casamento de Maria Victória Borghetti Barros, deputada estadual e filha do ministro da Saúde, foi um protesto contra as reformas do governo Temer, apoiadas pela família Barros, e uma forma de escancarar a “ostentação” da cerimônia, feita em uma igreja de escravos e com festa em estrutura considerada ilegal. Confira 

Por Redação, com Brasil de Fato 

O casamento da deputada estadual Maria Victória Borghetti Barros (PP) com o advogado Diego da Silva Campos, na noite desta sexta-feira (14), teve bem mais participantes do que o planejado pelos noivos. Além dos cerca de mil convidados, centenas de manifestantes ocuparam a região do Largo da Ordem, Centro de Curitiba. A concentração foi maior em frente à Igreja do Rosário e ao Palácio Garibaldi, locais da cerimônia religiosa e da festa, respectivamente.

A deputada é filha de Ricardo Barros, ministro da Saúde do governo Michel Temer, e de Cida Borghetti, vice-governadora do Paraná, também do PP.

O protesto foi contra as reformas trabalhista e previdenciária, ambas apoiadas pela família Barros. A ação também denuncia a ilegalidade cometida pela deputada Maria Vitória, que instalou uma fachada anexa ao Palácio Garibaldi, prédio histórico, sem autorização prévia.

A ação começou por volta das 18h30, com batucada, faixas, como a com a frase “Deputada do camburão tem casamento ostentação”, “Viemos brindar a sua boa vida”, e palavras de ordem como “Golpistas”, “Fora Beto Richa” e “Chega de deboche, eu quero o meu brioche”.

Apesar do clima agradável e seco desta sexta-feira na capital paranaense, convidados da festa usaram guarda-chuvas. O objeto serviu de escudo de proteção contra ovos arremessados pelos manifestantes.

Entre as organizações mobilizadoras do ato estão as Frentes Brasil Popular, Povo Sem Medo, Resistência Democrática e o movimento CWB Resiste.

Pelo menos 15 viaturas da polícia militar e integrantes da Tropa de Choque foram ao local para garantir a “segurança” da cerimônia e atacaram os manifestantes com balas de borracha, spray de pimenta e cassetetes. Ao menos uma pessoa ficou ferida e o protesto, após a intervenção policial, foi dispersado.

Ilegal 

A estrutura montada exclusivamente para a festa do casamento de Maria Victoria, em frente ao Palácio Garibaldi, foi considerada ilegal pela Coordenação de Patrimônio Cultural (CPC). Trata-se de uma fachada montada para ampliado para aumentar a capacidade de público do local, mas que foi armada sem autorização prévia. Uma multa, de valor ainda não estipulado, será aplicada à Sociedade Garibaldi, proprietária do edifício.

Maria Vitória informou e solicitou a autorização da Coordenação de Patrimônio Cultural (CPC) apenas dez dias após o início da montagem. De acordo com a CPC, configura-se infração à Lei Estadual nº 1.211, de 16 de setembro de 1953, segundo a qual “sem prévia autorização da Divisão do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Paraná, não se poderá, na vizinhança da coisa tombada, fazer construção que lhe impeça ou reduza a visibilidade, nem nela colocar anúncios ou cartazes”.

O Palácio Garibaldi teve sua construção concluída em 1904 e foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná em 1988. Maria Vitória envolveu a estrutura de metal, que não precisarão ser retiradas, embora a multa esteja mantida. O valor ainda não foi definido.

Fotos: Thea Tavares

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