economia

A ECONOMIA DA FELICIDADE

butão

Crianças butanesas

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado, mestre em ciência sociais, responsável pelo Blog Sustentabilidade e Democracia

O conceito Felicidade Interna Bruta (FIB) não é novo, foi criado em 1972 pelo Rei Butanês Jigme Singya Wangchuck. Na época, o seu país enfrentava uma crise gigantesca e com o apoio das Nações Unidas o líder do pequeno país asiático propôs uma nova forma de organização socioeconômica que fosse ao mesmo tempo capaz de produzir a riqueza necessária para atender a sua população, mas que permitisse, por outro lado, a valorização dos princípios espirituais e de solidariedade da cultura budista.

Os pilares básicos da FIB são bastante claros e muito mais amplos do que a base economicista do cálculo do Produto Interno Bruto (PIB): preservação e promoção dos valores culturais, resiliência ecológica e desenvolvimento sustentável, boa governança com participação da sociedade, valorização da vitalidade comunitária, saúde como uma garantia de vida aos cidadãos e cidadãs, desenvolvimento com o pressuposto da inclusão e da potencialização do padrão de vida, diminuição da jornada de trabalho e promoção do tempo livre e do lazer, estímulo às atividades esportivas, igualdade entre os gêneros e liberdade de pensamento.

Como pode ser observado, a FIB é um conceito que se espelha em uma verdadeira democracia, onde as pessoas são vistas na sua integralidade e não como um indicador ou insumo produtivo. O resultado pode ser medido no elevado grau de felicidade manifestado pela população do Butão, considerada a mais feliz do planeta e no nível de conservação ambiental alcançado pelo país. Evidentemente, ainda existe muito a caminhar, mas nada considerado com o que se observa nos países oprimidos por uma face cada vez mais selvagem do capitalismo expressa no neoliberalismo.

Recentemente, em 2015, o professor Paul Singer propôs uma reflexão baseada na FIB. O seu argumento, irrefutável, é o de que “o capitalismo atravessa uma crise moral”, não pela sua incapacidade de produzir riquezas, mas de distribuí-las e de combater as desigualdades. Singer ainda vai mais longe, e afirma que tem observado no mundo inteiro que “as pessoas estão cansadas de um modo de vida onde têm que competir e concorrer o tempo todo”. O resultado é uma sociedade doente, de pessoas deprimidas e sem tempo para ter uma vida completa.

Como alternativa, apresenta o modelo da economia solidária, mas faz uma ressalva importante que é o valor da segunda palavra que compõe o conceito: solidariedade. Não existe economia solidária efetiva baseada na reprodução de um sistema de competição e de exclusão. É necessário rever o nosso paradigma e levar a ideia da justiça e do equilíbrio a todos os eixos da economia, desde o “comércio justo” ao cofinanciamento por meio de “bancos comunitários”. Trata-se de um modelo que já possui experiências com resultados concretos, não é mais pura utopia, todavia e infelizmente, são experiências que seguem silenciadas pelo sistema econômico e político dominante.

Um pensamento sobre “A ECONOMIA DA FELICIDADE

  1. Pingback: Luiz Müller Blog – A Economia da Felicidade – Atualidades Econômicas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s