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48 horas no sindicato: o reencontro de Lula com sua história

Foto: Ricardo Stuckert

Existe uma máxima que rege a vida de Luiz Inácio Lula da Silva que é a de que ele sempre retorna a suas origens. Ao deixar o governo como o presidente com maior aprovação da História do Brasil, Lula não teve dúvidas: voltaria para a mesma residência onde vivia antes de ter como seu lar oficial o Palácio da Alvorada.

Em São Bernardo do Campo, Lula tem “duas” casas: o apartamento onde vive na avenida Prestes Maia e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a menos de um quilômetro dali. A julgar pelas 48 horas corridas que Lula permaneceu no sindicato de quinta-feira (5) a sábado (7) alguns juízes de primeira instância poderiam até mesmo alegar que o ex-presidente era o dono do local. Não é, mas é tratado como se fosse. O período que precedeu sua prisão neste sábado, perto das 19h, foi marcado pela lealdade entre Lula e sua base.

Trinta e oito anos se passaram desde a primeira vez em que Lula foi preso. Perseguido pela ditadura militar, o jovem Lula saiu do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) maior do que entrou. Agora, aos 72 anos, o ex-presidente encontra novos algozes, com novas roupagens, mas que dividem o mesmo objetivo: o de interditar sua capacidade de liderança.

“O que eles não se dão conta é que quanto mais eles me atacam mais cresce a minha relação com o povo brasileiro”, avisou Lula, durante o discurso que seus acusadores esperam que seja o último. Não será. Encarcerado desde ontem à noite, Lula falou hoje por milhões de bocas que espalham a verdade do povo brasileiro frente à narrativa de uma mídia que tanto faz, mas não consegue destruí-lo.

Lula chegou ao sindicato às 19h20 de quinta-feira já com um helicóptero da Rede Globo sobre sua cabeça. De quinta a sábado, quem cercou Lula foi o povo. Uma hora após sua chegada cerca de cinco mil pessoas atravessam a Rodovia Anchieta em marcha para protestar contra a prisão política do maior líder que o país pôde testemunhar. A vigília se estendeu pelas duas madrugadas em que Lula ali permaneceu.

No sindicato, dormiu sob a guarida de seus companheiros, reencontrou amigos de longa data, aproveitou da companhia da família reunida. Recebeu desde freiras a rappers. E mesmo diante de um dos momentos de maior indignação de sua vida, acolheu a todos. Quem buscava Lula para consolar, se deparava com a resiliência do pernambucano de Garanhuns que dispensava qualquer necessidade de consolo.

O ex-presidente carregado pelo povo demarca um elo que a direita que o persegue jamais poderá estabelecer. Na data em que Dona Marisa completaria 68 anos, Lula escolheu celebrar uma missa em sua homenagem. Rodeado pelos seus, ouviu da presidenta eleita Dilma Rousseff a oração de São Francisco. “Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor; onde houver ofensa, que eu leve o perdão; onde houver discórdia, que eu leve a união; onde houver dúvida, que eu leve a fé.”

Fé que o levou a tomar a difícil decisão de seguir o caminho definido por seus acusadores. Sob o coro de “não se entrega” entoados pela multidão que cercava o caminhão de som, Lula se fez entender. “Estou fazendo uma coisa muito consciente. Se dependesse da minha vontade eu não iria, mas eu vou. Porque senão eles diriam que eu estou escondido, foragido. Eu vou lá na barba deles pra eles saberem que não tenho medo deles. E que vou provar a minha inocência”. E registrou um alerta. “Quanto mais dias me deixarem lá, mais Lulas surgirão por esse país. Jamais conseguirão deter a primavera”.

Na lista de canções pedidas pelo ex-presidente, Luiz Gonzaga anunciava:  “Eu te asseguro não chore não, viu… que eu voltarei, viu… meu coração…”. Entre a multidão, lágrimas em meio à resistência. A decisão de Lula não impediu seus apoiadores de cercarem o sindicato e impedirem a saída do presidente. Uma redoma formada pelas sua simbiose com o povo. Sem possibilidade de atravessar o trajeto em um carro, mais uma vez Lula deixou o sindicato andando, em meio a seus apoiadores. Perto das 19h do dia 7 de abril de 2018, o ex-presidente deixou São Bernardo do Campo. Mas a máxima que rege sua vida segue a mesma.

“Eu vou atender o mandado deles porque eu quero fazer a transferência de responsabilidade. Eles acham que tudo que acontece nesse país é minha culpa. Eu vou lá com a seguinte crença que tenho dito toda vez. Eles não sabem que o problema deles não se chama Lula. Chama-se o povo. O povo que já ganhou consciência. Minhas ideias já estão no ar e não conseguirão prendê-las. Eu sairei dessa maior e mais forte, porque vou provar que foram eles que cometeram um crime”.

Do Lula.Com.br

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