Ditadura

A Cia, Geisel,e o diversionismo golpista do jornalismo de guerra na grande mídia (Por Fernando Rosa)

“O objetivo da divulgação da informação nada tem a ver com “denúncia” de atos criminosos da ditadura, defesa dos direitos humanos ou, ainda, da democracia. Trata-se apenas, novamente, de “fake news” diversionista do jornalismo de guerra para tentar paralisar, nos setores patrióticos e dentro das Forças Armadas, qualquer movimento de defesa da soberania nacional.”

Por Fernando Rosa 

“Chefe da CIA disse que Geisel assumiu controle sobre execuções sumárias na ditadura” é a chamada da Folha de S. Paulo, em sua versão online, nesta quinta-feira. “Em memorando, diretor da CIA diz que Geisel autorizou execução de opositores durante ditadura”, diz a Rede Globo, em seu online e no Jornal Nacional.

As duas matérias, misturando datas e informações históricas, são tão enganosas quanto comprometidas com a “guerra híbrida” imperialista contra o Estado Nacional brasileiro. Não por acaso, são divulgadas neste exato momento em que o país está sendo submetido a uma brutal desnacionalização de suas fontes de petróleo e energia.

Em primeiro lugar, que moral tem a CIA para questionar o papel dos militares brasileiros que, em boa parte, foram treinados por eles para sustentar uma ditadura de interesse dos EUA? Depois, qual a credibilidade da Folha e da Globo em divulgar informação da CIA, quando é sabido o envolvimento pregresso de ambas as corporações midiáticas com a ditadura?

Mas, vamos aos fatos objetivos. O que Geisel fez, naquele momento, foi enfrentar a “linha dura” das FFAA, tirando poder de gente como o Coronel Ulstra. Na disputa, ele removeu o General Ednardo D’ Avila Melo da chefia do II Exército, em São Paulo, após as mortes do jornalista Vladimir Herzog e do operário Manuel Fiel Filho. A remoção foi uma resposta aos setores militares contrários a abertura política, então defendida por ele.

O que incomoda o comando externo do golpe, levando seu braço midiático interno a explorar esse tipo de informação, totalmente extemporânea, e a CIA a se expor dessa maneira? É apenas uma vacina preventiva contra algum sopro de nacionalismo nas casernas, ou identificaram algo mais grave no “céu de brigadeiro” do golpe? Ou estariam preocupados em “defender” a alternativa Bolsonaro, que Geisel considerava um militar mediocre?

Atacar Ernesto Geisel é investir contra a memória de nacionalismo, desenvolvimentismo e compromisso com a infraestrutura nacional das Forças Armadas brasileiras. É afrontar a história do período em que o país mais investiu na Petrobras e construiu as bases da Eletrobras, agora sendo entregues vergonhosamente aos interesses externos.

Por certo, deve também incomodar o fato de que ainda permanece nos círculos de pensamento econômico nacional o II PND (Plano Nacional de Desenvolvimento), instituído para estimular a produção de insumos básicos, bens de capital, alimentos e energia. Um projeto produzido no governo de Geisel e totalmente contrário ao que preconiza atualmente o congelamento do Orçamento da União, que está destruindo o país.

O objetivo da divulgação da informação, portanto, nada tem a ver com “denúncia” de atos criminosos da ditadura, defesa dos direitos humanos ou, ainda, da democracia. Trata-se apenas, novamente, de “fake news” diversionista do jornalismo de guerra para tentar paralisar, nos setores patrióticos e dentro das Forças Armadas, qualquer movimento de defesa da soberania nacional.

Comentário do Blogueiro: No Blog publiquei os seguintes artigos sobre o tema:

POR QUE A GLOBO ATACA GEISEL, SEU PARCEIRO NA DITADURA MILITAR? AÍ TEM!

A juventude sem bússola (Por Fernando Brito)

 

2 pensamentos sobre “A Cia, Geisel,e o diversionismo golpista do jornalismo de guerra na grande mídia (Por Fernando Rosa)

  1. A informação surgiu agora porque foi desclassificada recentemente nos Estados Unidos e descoberta por um militante que investiga os crimes da ditadura, ora. Ainda bem que foi divulgada, no momento em que os saudosistas da ditadura militar apostam suas fichas num fascista que exalta a tortura e os assassinatos políticos. Faz recordar às pessoas o que foi, de fato, a ditadura militar. Os militares tinham sua ala nacionalista, sem dúvida, mas daí a entronizar o Geisel e isentá-lo totalmente dos crimes daquele regime vai uma grande distância. Ninguém fica no comando de uma ditadura sem ter trabalhado para isso. Ele fez parte daquilo e estava longe de ser um democrata. Afinal, foi ele que nomeou para sucessor o Figueiredo, chefe do SNI e responsável por tantas mortes, ou não foi?

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