Eleições/Fascismo

Alerta aos democratas: Tucanos, mídia e empresários escancaram as portas do Brasil para o fascismo

Alck Bolso

É o que é possível depreender do artigo

Alerta aos democratas de Benedito Tadeu César que reproduzo a seguir:

Geraldo Alckmin e os estrategistas do PSDB pensaram que haviam dado o pulo do gato. Enganaram-se. A coligação com o “centrão”, que é a reunião de todos os partidos de direita e de negócios do país, e a escolha de Ana Amélia Lemos, que representa o setor mais reacionário do agronegócio gaúcho e que se candidatava à reeleição ao Senado em uma chapa que apoiava Jair Bolsonaro, pareceu-lhes o mapa da mina para enfraquecer a candidatura de extrema-direita e ganhar o seu eleitorado. Ledo engano.
Conforme já salientado por Marcus Coimbra, diretor do Vox Populi, em entrevista recente, essa manobra, divulgada como de “gênio” pela grande mídia corporativa, não fez com que Alckmin ganhasse o eleitorado de Bolsonaro, já em grande parte consolidado. Em vez disso, fez com que sua candidatura se afastasse de boa do eleitorado tradicional do PSDB, que ficou órfão de candidato e que pode, ao menos em parte, acrescento eu, “fugir” para Fernando Haddad, Ciro e Marina.
Alckmin, com o acordo com o “centrão”, conseguiu assegurar o maior tempo de propaganda no rádio e na TV e isso terá um peso importante no crescimento de sua candidatura. Dificilmente, entretanto, ele conseguirá se desvencilhar de Michel Temer e de seu governo pessimamente avaliado pelo eleitorado.
Nem mesmo a candidatura fake de Francisco Meirelles, que será “cristianizado” pelo MDB, será suficiente para fazer o eleitorado acreditar que Alckmin não é o candidato oficial do golpe e do sistema. Com isso, grande parte do tempo de rádio e TV de Alckmin terá que ser gasto para explicar o inexplicável, ou seja, que ele e o PSDB, que lideraram o golpe jurídico-parlamentar-midiático e colocaram Temer no governo, não são responsáveis pelo governo que eles colocaram no lugar de Dilma Rousseff e que deu errado.
Este é um quadro, no entanto, preocupante e não deve alegrar aos democratas de todos os matizes, da esquerda à direita republicana (se é que ela ainda existe no Brasil). O não crescimento de Alckmin e o risco de que ele não vá ao segundo turno devem ser um sinal de alerta e precisam ser muito bem analisados, para que se encontre alguma saída no final do túnel em que estamos todos no Brasil hoje.
Se Alckmin não emplacar, os setores que desencadearam e sustentaram o golpe e que sustentam ainda hoje o governo Temer e a candidatura do PSDB e do “centrão/direitão” podem muito bem se bandear de vez para a candidatura de Bolsonaro.
Bolsonaro, se eleito, será facilmente manipulável. Será um novo Temer, no que diz respeito às manobras e negociatas para solapar os direitos e as políticas sociais e de desenvolvimento nacional, mas diferente de Temer, que não caiu quando foi denunciado seu envolvimento com Eduardo Cunha et caterva, porque tem amplo apoio parlamentar, Bolsonaro não contará com base parlamentar e, por isso, será facilmente descartável pelos que deram o golpe atualmente em curso.
O PSDB e o “centrão/direitão” já deram provas de que trocam facilmente de senhor.
“Impeachmentear” Bolsonaro será mais fácil e indolor do que foi com Collor de Mello que, igualmente, foi construído e conduzido ao governo para impedir que Leonel Brizola e/ou Lula chegassem à Presidência da República e que foi destituído num piscar de olhos. Bastou que ressuscitassem a velha cantilena do “combate à corrupção” e ele caiu como um soldadinho de chumbo manco.
Destituir Bolsonaro é fácil. Ele não tem partido e não tem povo que o sustente. Como Collor, sua imagem pode ser desconstruída em um piscar de olhos.
É muito mais fácil tirá-lo do poder do que foi com Dilma. Por trás de Dilma há Lula e o PT e os golpistas já aprenderam que é muito difícil lidar com eles. A ideia de justiça social num país desigual como o Brasil é muito difícil de ser presa e de ser “destituída”.
Se a hipótese de vitória de Bolsonaro se concretizar, teremos o prolongamento da crise econômica, social, política, institucional, ética e moral que atravessamos hoje. O pacto informal de classes construído por Lula e pelo PT durante os governos Lula terá sido definitivamente rompido e dificilmente, num futuro que possa ser antevisto, será reconstruído. No constante embate social e político que permanecerá, um conjunto de demandas que vão desde as questões raciais e de gênero até as de emprego, renda e moradia tenderão a crescer dada as dimensões da população brasileira e de suas necessidades.
Por que, então, não permitir que Lula seja candidato e (inevitavelmente) eleito e reconcilie o país?

Benedito Tadeu César é Professor de Ciência Política PPGCP UFRGS (aposentado)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s