política

PREPAREMO-NOS: RETA FINAL (Por Sevino Heck)

haddad-e-lulaNome proscrito, inominável, excomungado, maldito, proibido, interditado:  Lula. Preso há mais de cinco meses: ninguém viu seu rosto, ninguém ouviu sua voz. Só se sabe dele por terceiros”, por visitantes. Assim mesmo ponteia as pesquisas, adversários só falam nele, seu rosto, suas pernas, sua boca suas ideias, seus sonhos, mais que nunca, estão nas ruas e nos sonhos do povo.

Nunca houve eleição como esta. Nem a de 1989, para quem a viveu e dela participou, as primeiras Diretas para presidente depois de 21 anos de ditadura, ou a coordenou como eu no Rio Grande do Sul. Em 89, houve quase de tudo, mas sobretudo houve confronto de projetos, visões de país, ainda que com total interferência do baronato patrimonialista e da Rede Globo.

Nada igual, no entanto, ao que acontece em 2018, 29 anos depois. Agora não. É muito mais, e pior, que apenas confronto de projetos. Parecia que a democracia estava consolidada. Parecia que não se veriam mais golpes. Parecia que o ‘velho MDB de guerra’ da redemocratização seria incapaz de ferir e ameaçar a democracia. Parecia… Em 89, a democracia, apesar de tudo e na luta, voltava a florir. Em 2018, a democracia está sendo golpeada, está em risco sério.

Como disse João Pedro Stédile, em ato eleitoral com a presença de Manuela D’Ávila e Miguel Rossetto, no Assentamento Capela, em Nova Santa Rita, Região Metropolitana de Porto Alegre: “Essas eleições não são eleições quaisquer. Há uma disputa de projetos, luta de classes a pleno. Vocês têm acompanhado que a burguesia tem feito para criminalizar o Lula, criminalizar o PT, que no fundo é criminalizar a classe trabalhadora. E a nossa forma de dar o troco é na urna. ” E João Pedro Stédile, em entrevista no Brasil de Fato: “A disputa é de classe: quem está a favor dos trabalhadores, quem está a favor dos golpistas, da burguesia, dos bancos e do capital estrangeiro. Se estamos no meio da luta de classes radicalizada e em uma enorme crise econômica, social, ambiental e política então a luta será longa, para podermos sair da crise nos próximos anos com medidas de proteção ao povo.”  

Faltam pouco mais de vinte dias. Não há mais desculpa para quem defende os direitos dos mais pobres entre os pobres, dos trabalhadores e das trabalhadoras, para quem quer soberania, para quem propõe políticas públicas com participação social e popular, para quem defende a democracia, senão estar nas ruas manhã, tarde, noite, madrugada, explicar o que está acontecendo, informar as pessoas o que é fake News, o que é mentira, o que é verdade.

As ameaças do General Villas Bôas, Comandante do Exército e das Forças Armadas, são sintomáticas. Quer/querem tutelar mais uma vez o país e a democracia. O poder midiático revela/desvela o que lhe interessa. Como em nenhum outro momento, a direita e a extrema-direita mostram não apenas suas ideias e valores fascistas, mas também aderem à violência, ao preconceito, à discriminação, ao ódio, à intolerância.

O Judiciário, o Sistema de Justiça, acovardado como disse Lula, submisso, afronta até a ONU e os Acordos internacionais assinados pelo Brasil, sem falar que julga, condena, prende só um lado, o da verdade, da justiça, da igualdade. Os que estão do lado dos poderosos, dos ricos, dos saqueadores do povo estão ‘leves, livres e soltos’.

Mas, sempre é bom lembrar, há um país que tem história.

Há uma Nação que não se deixa derrubar.

Há um povo que se levanta e resiste.

Não há mais qualquer dúvida sobre a importância destas eleições de 2018, mesmo para quem nunca colocou em primeiro lugar a disputa institucional. Hoje, fundem-se a rua, o movimento e a instituição: para resgatar o país, a Nação, o povo. Os próximos 23 dias decidirão vidas, decidirão  esperança, decidirão futuro.

A reta final, tudo indica, será emocionante.

É preciso pensar no hoje. É preciso pensar no amanhã, no 8 de outubro, no pós eleição, como escreveu Mauri Cruz, no artigo ‘É preciso se preparar para depois das eleições’ (www.sul21.com.br): “Vislumbro que o próximo período, em qualquer hipótese, será a ampliação das lutas sociais pela esquerda ou pela direita. Os movimentos sociais devem ser intensificados. Em qualquer cenário, nos parece que a chave da resistência está na organização e no poder local. Os movimentos sociais e os partidos de esquerda têm uma agenda urgente que é se reconectar com as agendas imediatas do povo brasileiro. Estar ao lado de suas lutas concretas e imediatas.” Conclui Mauri Cruz: “É preciso pensar para depois das eleições, para que, no dia seguinte, já saibamos o que devemos fazer, como campo político, como classe, como povo que segue lutando por sua libertação”.

Mas antes disso, é preciso ganhar as eleições. Eleger o Presidente da República, eleger governadores. E, tão importante quanto, para poder governar e ter mais vozes públicas, eleger senadores/as, deputados/as federais e estaduais. Minha mensagem de 19 de março, transformada em artigo em 5 de abril, um segundo artigo em 13 de junho, sempre com o mesmo título, ‘PREPAREMO-NOS!’ (ver em www.sul21.com.br, colunistas), mantém-se mais que atual. Preparemo-nos para a reta final. Preparemo-nos, com qualquer resultado, para o que virá depois de 28 de outubro. É preciso fazer chegar a primavera.

Selvino Heck

Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990)

Em catorze de setembro de dois mil e dezoito

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