Luta de classes/política

PESQUISA DA FUNDAÇÃO PERSEU ABRAMO MOSTRA QUE PT FOI DERROTADO POR NARRATIVA QUE ELE MESMO AJUDOU A PROPAGAR

“Independente da renda e da ocupação, as pessoas tendem a se auto-classificar como pertencentes à classe média, pois a pobreza está associada à falta de moradia e alimento e a riqueza está associada à abundância de patrimônios pessoais e familiares” (Extrato da pesquisa qualitativa da FPA) que publico a seguir

 

Classe Média DilmaA pesquisa realizada em 2017 com moradores da periferia de São Paulo que somente haviam votado no PT de 2000 a 2012 em quem parte já não votou em 2014 e 2016 e pelo teor da pesquisa com certeza não votaram em 2018. As periferias de São Paulo são territórios onde moram principalmente trabalhadores. Algumas conclusões da pesquisa, que pode ser vista na íntegra aqui: https://fpabramo.org.br/publicacoes/wp-content/uploads/sites/5/2017/05/Pesquisa-Periferia-FPA-040420172.pdf?fbclid=IwAR3e8_fNdySmXmW9avysb68Df7EZPwwVqq3C1HCCKjbxs5RgoXxrxtBMU_U

FPA

– Independente da renda e da ocupação, as pessoas tendem a se auto-classificar como pertencentes à classe média, pois a pobreza está associada à falta de moradia e alimento e a riqueza está associada à abundância de patrimônios pessoais e familiares

– “A cisão entre classe trabalhadora e burguesia também não perpassa mais o imaginário dos entrevistados – trabalhador e patrão são diferentes, mas não existe no discurso relação de exploração: um precisa do outro, estão no ‘mesmo barco’.”

“Direita é alguém direito, correto. Esquerda é quem vive reclamando. Eu acho que a direita é quem está no poder e a esquerda é a oposição!’ Disse um dos pesquisados.

– “Neste contexto, o inimigo é o Estado: Para os entrevistados, o principal confronto existente na sociedade não é entre ricos e pobres, entre capital e trabalho, entre corporações e trabalhadores. O grande confronto se dá entre Estado e cidadãos, entre a sociedade e seus governantes. Todos são ‘vítimas’ do Estado que cobra impostos excessivos, impõe entraves burocráticos, gerencia mal o crescimento econômico e acaba por limitar ou “sufocar” a atividade das empresas.”

– “Querem ter sua singularidade e valores reconhecidos dentro da competitividade capitalista, mostrando que, apesar das limitações impostas pela condição social, também são capazes. Rejeitam homogeneizações, não querem ser tratados como ‘massa amorfa’ incapaz: ‘os pobres’.”

– “A supervalorização do mérito encontra seu lugar: Para ser alguém na vida são necessários trabalho e esforço.”

Embora saibam que as oportunidades não são as mesmas para todos e que é preciso democratizá-las, apresentam discurso consistente de que não existem barreiras intransponíveis – ‘com esforço tudo é superado’. Esse pensamento tem ressonância especialmente entre os mais jovens cuja percepção de ‘limites’ de ascensão são ainda mais largos que dos mais velhos.
NESSE SENTIDO, OS REFERENCIAIS DE FIGURAS PÚBLICAS DE SUCESSO MAIS
LEMBRADOS FORAM: LULA, SILVIO SANTOS E JOÃO DÓRIA JR. PERCEBIDOS
COMO PESSOAS QUE ‘VIERAM DE BAIXO’ E CRESCERAM POR MÉRITO PRÓPRIO.

– “Sobrevalorização do mercado em detrimento do Estado: Há pouca valorização do público, tanto que quando podem acessar, querem colocar filho na escola particular, ou pagar convênio médico. A política pública, em alguns casos, pode ser lida como uma desvalorização individual (p. ex. cotas). Os ideais comunitários e coletivistas praticamente não aparecem nas narrativas e, quando aparecem, restringem-se à dimensão da família, da vizinhança e da igreja.”

– “Há solidariedade com os empresários: Muitos assumem o discurso propagado pela elite e pelas classes médias apontando a burocracia e os altos impostos como empecilho para o empreendedorismo.”

– “Escola é ferramenta de mobilidade social: é a chave de acesso para ser ‘alguém na vida’, é o primeiro passo numa trajetória linear: se tem acesso ao estudo, vai bem na escola e consegue um diploma, logo, conquistará um bom emprego, poderá acessar o consumo e terá um ‘lugar no mundo’.”

– “Entendem a escola particular como melhor: grande maioria almeja colocar os filhos em escola particular – demonstrando, mais uma vez, uma descrença na ‘coisa pública’.”

Comentário do Blogueiro: A história continua sendo a da Luta de Classes. As novas tecnologias mudaram a composição interna das classes, mas elas continuam sendo as mesmas classes. Trabalhadores, Classe Média e Burguesia tem estamentos internos mas são isto. E é isto que o PT abandonou ao cair no conto da “Nova Classe Media”. Já não falamos mais nos trabalhadores, mesmo sabendo que Classe Média nada mais é do que trabalhadores mais bem assalariados que podem comprar para bem além do mínimo necessário para sua sobrevivência. A tal “Nova Classe Média”, segundo conceitos criados e emitidos pelo próprio Governo petista, em 2014 se situava no patamar de renda per capita mensal entre R$ 291,00 a R$ 1.019,00 («Governo define que a classe média tem renda entre R$ 291 e R$ 1.019 (valores de 2012)». Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. 24 de julho de 2013). Se quem deveria ser o luzeiro da Classe Trabalhadora considera Classe Média esta turma, por que os próprios não se julgariam classe média? E os resultados da pesquisa mostram a adoção da narrativa individualista neo liberal que a Classe Média tende a assumir quando lhe faltam outros referenciais. A mesma narrativa vendida em 2013 para por amplas massas em movimento por supostos direitos que como diz o próprio senso comum na pesquisa, passaram a ser cobrados do “inimigo” comum, o Governo, que mesmo sendo do PT, passou a ser identificado como inimigo, por que justamente “dos trabalhadores e dos pobres”. Quem lê a pesquisa toda, vê que a narrativa de Bolsonaro calou fundo neste público. Falou o que queriam ouvir e pelos meios nos quais eles se informam hoje, a Internet e as Redes Sociais. Já o PT, além de não compreender a Comunicação como instrumento estratégico da Luta de Classes, tem tido dificuldade de expressar inclusive nas falas a Classe que esta expressa no próprio RG da legenda. Então se trata sim de voltar ao velho trabalho de base, porta me porta, avançar na comunicação com as bases usando os instrumentos que a tecnologia disponibiliza e tendo a clareza de que quem vive do próprio trabalho é trabalhador e como tal vive de vender sua “força” de trabalho, seja como os reduzidos e agora técnicos trabalhadores de chão de fábrica como os motoristas do Uber ou outras funções similares. Só a solidariedade ainda identificada pela pesquisa nas relações nos territórios, pode resgatar a consciência de Classe dos Trabalhadores. E só com ela retomaremos a Soberania Nacional, que já não tem mais outra Classe a defendê-la, pois a burguesia nacional se contenta em ser gerente ou capitão do mato da burguesia financeira internacional.

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