política

Antes da posse na Casa Civil, Onyx Lorenzoni já tem autoridade posta à prova

oNIX

Bolsonaro desautoriza rotineiramente as articulações de seu futuro ministro e desidrata seus poderes com nomeações
Natália Portinari no O GLOBO
RIO — Há duas semanas, em uma reunião noturna no apartamento do pastor e deputado Paulo Freire (PR-SP), o futuro ministro da Casa Civil , Onyx Lorenzoni , sugeriu que os deputados evangélicos indicassem um nome para o Ministério da Educação. A ideia foi recebida com desconfiança. Sem botar fé nos poderes de Onyx e pensando que o tiro poderia sair pela culatra, a bancada decidiu aguardar uma sinalização do presidente eleito,Jair Bolsonaro .
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Alguns dias depois, surgiu uma especulação que tirou do sério os evangélicos: o ministro poderia ser Mozart Neves, diretor do Instituto Ayrton Senna. Na terça-feira da semana passada, formou-se um comboio para tirar satisfação com Onyx no gabinete de transição. O parlamentar gaúcho acalmou os religiosos e prometeu, com todas as letras, que eles é que indicariam o ministro da Educação. Marcou uma reunião para a terça-feira seguinte, em que Bolsonaro receberia as indicações da bancada e chancelaria alguma delas, se fosse o caso. Faltou, porém, combinar com o presidente eleito. Na noite de quinta-feira, Bolsonaro anunciou que o escolhido era Vélez Rodríguez, um nome conservador sem relação alguma com os evangélicos.

Funções serão divididas

 A indicação foi de Olavo de Carvalho, de quem Eduardo Bolsonaro, filho de Jair, é fã. Diversos membros da bancada ouvidos pelo GLOBO comentaram que a articulação foi atabalhoada.
— A forma de condução foi errada, e não adianta dizer que foi só culpa do Onyx. Ele disse que íamos levar o nome na terça, e Bolsonaro anunciou o ministro antes. Eu nem achei que a gente deveria ir nessa reunião, porque tinha perdido o objeto — afirmou Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), da bancada evangélica e ligado a Silas Malafaia.
O episódio serve para ilustrar a desidratação da imagem e dos poderes do futuro ministro da Casa Civil. Desautorizado constantemente por Bolsonaro, o deputado gaúcho do DEM viu seus planos de comandar uma “super” Casa Civil serem mutilados por nomeações de Bolsonaro, que preferiu dividir os poderes de Onyx com outros auxiliares do governo.
Outro descompasso ficou evidente com a nomeação do general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz para a Secretaria de Governo, na última segunda-feira. Em entrevistas ao longo do mês de novembro, Onyx havia dito que esta pasta, com funções mais administrativas, seria incorporada à sua Casa Civil. O anúncio mostrou que ele estava alardeando um desejo seu como se fosse decisão de Bolsonaro.
Após anunciar Santos Cruz, Bolsonaro deu uma entrevista ao portal Poder 360 afirmando que o militar e Onyx vão dividir a atribuição de negociar com o Congresso, pois o parlamentar já estaria sobrecarregado e, sozinho, “não daria conta do recado”, isto é, não conseguiria atender centenas de congressistas.
Não bastasse a impressão passada pela entrevista, a de que Bolsonaro estava minando o poder de Onyx, um líder parlamentar ouvido pelo GLOBO contou que o futuro ministro foi ao Congresso em seguida e disse que, na verdade, o general Santos Cruz cuidará apenas da articulação com as unidades da federação, e não com parlamentares.
A falta de sintonia ficou evidente outra vez quando Bolsonaro foi indagado, na última quarta-feira, a respeito do cancelamento da COP-25, conferência climática, no Brasil. Onyx disse que o futuro governo não tinha “nada a ver” com a retirada. Bolsonaro emendou: “Houve participação minha nessa decisão”.
Entre os congressistas mais experientes ouvidos pelo GLOBO, a impressão é que Onyx não tinha traquejo suficiente para ser ministro da Casa Civil e terá que aprender a dançar conforme a banda toca. Sua fama na Câmara era de deputado temperamental. Se a corda entre Bolsonaro e Onyx está enfraquecida, entre este e os outros parlamentares, porém, o clima é mais amistoso.
— É natural que Bolsonaro contradiga Onyx. O presidente é o comandante, não vejo um grande problema nisso — afirmou Baleia Rossi (MDB-SP), líder da sigla na Câmara. — Pelo que vejo, Onyx tem se fortalecido como articulador na Câmara dos Deputados.

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