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Damares, a “já era” que ainda não foi

Não é preciso muita experiência política para ver que a Pastora Damares Alves não vai durar no cargo de Ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos.

Pode até tentar não falar bobagens agora, mas já falou tantas, nos últimos tempos, que tem um enorme saldo de explicações a dar.

Além do mais, nem mesmo de “prêmio de consolação” serviu a Magno Malta, que apressou-se em esclarecer que não a indicou para o cargo.

Damares é a rara combinação de pessoa errada, no lugar errado, na hora errada. Tem uma coleção de bizarrices antecedentes que a vão perseguir mesmo que consiga negar – como agora ao dizer que não entregará os índios às igrejas evangélicas – de pouco adiantará.

Lá fora, a esta altura, já circula como os papagaios e araras no século 15 na Europa, um exemplar da fauna exótica do Brasil.

Hoje, em O Globo, Bernardo Mello Franco seleciona novos exemplares da plumagem ideológica de Damares..

Coisas como “só há um lugar seguro em que o seu filho está protegido nesta nação. É o templo, é a igreja, é ao lado do seu sacerdote” e que, “se a igreja não governar [o Brasil], Deus vai cobrar”.

A Pastora Damares, mesmo nestes tempos de irracionalidade que vivemos, é o que se poderia chamar de “futura ex-ministra”.

Uma espécie de “Viúva Porcina” dos Direitos Humanos.

O mundo de Damares

Bernardo Mello Franco, em O Globo

A futura ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, pastora Damares Alves, considera que “as instituições piraram” e que “chegou o momento” de as igrejas evangélicas governarem o Brasil.

A nova integrante do governo Jair Bolsonaro expôs suas ideias a fiéis da Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte. A fala foi gravada em maio de 2016 e já teve mais de 160 mil exibições no YouTube.

“As instituições piraram nesta nação. Mas há uma instituição que não pirou. E esta nação só pode contar com esta instituição agora: é a igreja de Jesus”, disse.

“Chegou a nossa hora”, prosseguiu. “É o momento de a igreja ocupar a nação. É o momento de a igreja governar. Se a gente não ocupar este espaço, Deus vai cobrar.”

Damares criticou o Supremo Tribunal Federal por discutir temas como a descriminalização do porte de drogas para consumo próprio. “Onze homens que não foram nem eleitos pelo povo brasileiro vão decidir se a gente libera ou não o consumo de drogas”, disse.

Ela se referiu ao debate entre os ministros da Corte como uma “palhaçada”. “Será que podemos confiar no Judiciário? Não sei mais”, afirmou.

A futura ministra descreveu o Congresso, onde trabalha ao lado do senador Magno Malta (PR-ES), como outra “instituição pirada”. Disse que as disputas na Câmara e no Senado não seriam ideológicas, entre direita e esquerda. “A luta lá é espiritual”, teorizou.

Na sequência, ela disse que a escola deixou de ser o local apropriado para educar as crianças. “Só há um lugar seguro em que o seu filho está protegido nesta nação. É o templo, é a igreja, é ao lado do seu sacerdote”, defendeu.

A exemplo do presidente eleito, Damares revelou a intenção de banir livros didáticos que não se encaixem em sua visão de mundo. Ela disse que “as Bíblias vão ter que voltar para as escolas do Brasil”. “O T nas escolas não é mais de tatu, é de tridente do diabo. Queiram ou não queiram os satanistas, esta é uma nação cristã”, afirmou.

No púlpito, a futura ministra indicou que seus planos ultrapassam fronteiras. “A melhor forma de a gente conquistar os muçulmanos para Jesus é mostrar que o cristianismo deu certo nesta nação”, disse.

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