Segurança

Com churrasco de 121 quilos de carne em Presídio, traficante mostra quem manda de fato no sistema penitenciário

“Um evento tradicional nesta época do ano, a confraternização de presos e familiares, causou indignação em servidores que atuam na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc). (Extrato de matéria da Zero Hora que publico logo após comentário a seguir)”

Comentário do Blogueiro: Prisões atrolhadas de gente, comandadas pelo Crime Organizado. Este é o retrato das penitenciárias no Brasil. Mandar mais gente pra lá, é aumentar o número de soldados do crime organizado. Mas parece que boa parte do povo não se dá conta disto. E quer inclusive reduzir a idade penal, aumentando ainda mais o contingente de recrutas cada vez mais jovens para o exército do crime organizado. Uma matéria como esta, publicada por Zero Hora, deveria sucitar um debate sobre quem esta preso, porque, e se deveria estar mesmo preso. mais de 30% dos presos são jovens pobres. Estão presos por tráfico, por portarem pequenas quantidades de drogas. Muitos não tiveram seus processos nem transitados em julgado em todas as instâncias, mas por pobres que são, ficam lá mofando.Ou não. A opção é aderir as facções do crime organizado que mandam no presídio, como é possível constatar na denúncia dos agentes penitenciários na matéria. E aderem por que se não aderirem, sofrem cevícias e violência e suas famílias do lado de fora são ameaçadas. E o tráfico ganha soldados. Esta é a razão pela qual gente como Bolsonaro defende reduzir a idade penal e prender todo mundo que tenha cometido algum ilícito. Pra sociedade passam sensação de segurança, mas na verdade estão rejuvenscendo o exército do tráfico. Esta gurizada não deveria nem ir para o presídio, mas sim cumprir medidas alternativas, previstas na legislação brasileira, como voltar a escola por exemplo. E tá na lei. Mas o que manda é a lei do crime organizado, que chegou com representantes diretos ou comprados aos postos mais altos da nação brasileira, incluindo o o STF. É engraçado saber que os maiores traficantes conhecidos não defendam a legalização de drogas como a maconha. Pra eles interessa que estas drogas continuem na ilegalidade, por que é com elas que eles mantém a estrutura, compram armas cada vez mais sofisticadas e com elas semeiam o terror na sociedade, Uma matéria como a que publico, deveria servir para fazer as pessoas pensarem. Não como o Agente Penitenciário, que equivocadamente diz que seria melhor a PM assumir o presídio. Por que lugar de Polícia é na rua, coibindo o crime e não dentro do presídio, fortalecendo-o, mas pensar que na maioria dos países desenvolvidos do mundo, inclusive nos EUA, determinados tipos de drogas são legalizados e portanto nem é crime portá-las. E pequenos delitos são tratados com penas alternativas, com prestação de serviços e/ou multas altas pagas a sociedade. Mas segue a matéria da churrascada, que o bandido chefe patrocina aos presidiários que não tem alternativa a não ser aderir ao churrasco e aos crimes do chefe, pois como diz o agente penitenciário, quem manda ali é o crime organizado. Segue a matéria da Zero Hora:

Traficante faz churrasco com 121 quilos de carne na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas

Um evento tradicional nesta época do ano, a confraternização de presos e familiares, causou indignação em servidores que atuam na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc).

Uma nota listando a compra de 121 quilos de carne, dois espetos e duas facas, ao custo total de R$ 2,6 mil, e em nome do traficante Juraci Oliveira da Silva, conhecido como Jura, circulou em grupos de WhatsApp de policiais e de servidores da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe). Junto ao documento, um agente desabafou que a prisão, que já foi modelo de segurança e de disciplina no Estado, está sob o domínio dos presos.

Ao ter conhecimento do fato por GaúchaZH, a Promotoria de Execução Criminal de Porto Alegre informou que vai abrir investigação. O Ministério Público quer saber quem comprou os alimentos, quem pagou, quem entregou, como foram usados os objetos cortantes, onde foi feito o churrasco, quem participou, se houve consumo de drogas ou bebidas, se o número de visitas ultrapassou os limites, entre outras coisas. O MP pretende verificar ainda se houve privilégios por parte de algum servidor.

O funcionário que divulgou a nota fiscal da compra também fez desabafos.

— A cadeia tá virando uma piada. Os presos não sentem o peso da pena, e o cara se indigna porque ninguém faz nada para mudar. A administração entregou a cadeia nas mãos dos presos. Nós não temos mais autonomia dentro da cadeia, nunca tivemos, mas hoje está pior. Só a BM assumindo mesmo — disse o servidor.

O agente ainda descreveu a situação dentro da Pasc no domingo (9), quando a prisão teria recebido número de visitantes acima do normal, o que dificulta o controle e segurança. Os próprios detentos estariam fazendo a organização do público visitante:

— Entrou número maior de visitas por preso, entrou sorvete, bolos (alguns itens não estão previstos no Regulamento Geral para Ingresso de Visitas e Materiais em Estabelecimentos Prisionais). Festa de final de ano, churrasco na galeria dele (Jura). Esta aí é a nota das carnes que entraram na Pasc em nome do preso (veja acima). Os familiares deles vieram todos e liberaram uma maior quantidade de visita hoje por cada preso. O complexo está cheio de criminosos escoltando e esperando as visitas.

No ano passado, imagens de um churrasco de confraternização entre detentos no Presídio Regional de Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, tiveram repercussão negativa e o Ministério Público abriu procedimento para investigar o caso. A direção havia autorizado o evento, mas não tinha comunicado autoridades. O MP chegou a emitir recomendações sobre como esse tipo de evento deveria transcorrer. Foi proibida “churrascada” feita diretamente pelos presos e sem conhecimento de como os custos foram arcados.

Quem é Juraci Oliveira da Silva, o Jura:
Desde 2010, quando foi preso em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, ele cumpre pena por tráfico e por homicídio na Pasc. Apontado como o patrão do tráfico no Campo da Tuca, na zona leste de Porto Alegre, também é acusado de envolvimento na morte do médico Marco Antônio Becker, vice-presidente do Conselho Regional de Medicina (Cremers), em 2008. Durante um julgamento em que foi absolvido por duas mortes, em 2015, chegou a admitir que seguia comandando a venda de drogas de dentro da prisão que deveria ser a mais controlada e de maior segurança do Estado.

A Operação Palco, da Polícia Civil, mostrou exatamente isso. Ao investigar assaltos a blindados, tomada de reféns em roubo a residência e tráfico de drogas, a polícia descobriu que Jura havia feito, dentro da Pasc, aliança com o assaltante de carros-fortes José Carlos dos Santos, o Seco.

Fonte: GauchaZH

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