Nesta terça-feira a Frente Parlamentar de Apoio a Palestina Presidida pelo Vereador Pedro Ruas realizou audiência par Lembrar os 78 Anos da “Al Nakba” (Catástrofe) do Povo Palestino, que segue tragicamente ate hoje para os Palestinos e… para a humanidade.
É impressionante e assustadora a “normalização” da matança promovida pelo Estado Judeu. Somente de dezembro de 2023 até agora, são 72 mil Palestino mortos e 170 mil feridos.
O que o mundo testemunha sob a gestão do governo de Benjamin Netanyahu não é um ” “conflito” isolado no final de 2023, mas sim, o ápice mais sangrento de um longo processo de colonização, roubo de terras e grilagem internacional iniciado em 1948 com a Al Nakba (a “Catástrofe”).
A história da Palestina moderna é a história de um desenraizamento planejado, onde os métodos coloniais de meados do século XX se converteram, sob Netanyahu, numa política explícita de aniquilação e limpeza étnica.
A Linha de Continuidade: O Roubo da Terra e a Demografia
Como recorda a história da resistência, em 1948 os palestinos somavam dois terços da população da Palestina histórica, detendo 90% das terras. A criação do Estado de Israel fraturou essa realidade através da expulsão violenta de mais de 750 mil palestinos e do subsequente confisco das suas casas pelo Gabinete da Propriedade Abandonada e pelo Fundo Nacional Judeu.
Sob a liderança de Benjamin Netanyahu, essa expropriação que começou na Al Nakba nunca cessou; apenas mudou de escala e intensidade:
A Estratégia de Anexação: Se após a guerra de 1949 Israel passou a ocupar 78% da Palestina original, a expansão colonial nos territórios ocupados atingiu recordes históricos nos últimos anos. Através da proliferação de colonatos e outposts (estruturas informais de ocupação) na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, ligados por estradas exclusivas para israelitas, o governo minou deliberadamente a viabilidade de qualquer Estado palestino autónomo.
A Linha de Separação: O Muro de nove metros de altura, condenado já em 2004 pela Corte Internacional de Justiça (CIJ), continuou a funcionar como uma ferramenta geográfica para enclausurar cidades, roubar terras férteis e expulsar dezenas de milhares de palestinos da sua herança geográfica.
Da Expulsão do Século XX ao Cerco Humanitário do Século XXI
O êxodo palestino recebeu, ao longo de décadas, a desculpa israelita de ser um “dano colateral” da guerra. No entanto, historiadores como Ilan Pappé e Rashid Khalidi demonstram que o esvaziamento de mais de 400 vilarejos em 1948 foi um ato intencional de engenharia demográfica.
A tática de transferir à força populações civis encontrou o seu paralelo mais brutal e destrutivo na Faixa de Gaza profunda sob o comando do atual gabinete israelita.
1. Deslocamento Forçado à Escala Industrial
Em 1948, 750 mil pessoas foram expulsas; em 1967, mais 240 mil. Sob o pretexto de combater o terrorismo, o exército de Netanyahu empurrou mais de 2 milhões de pessoas em Gaza de norte a sul num cerco sem saída, destruindo mais de 90% da infraestrutura civil. Transformar o território num espaço permanentemente inabitável é a reatualização tecnológica e massiva da mesma política de esvaziamento territorial da Al Nakba.
2. A Fome Coercitiva e o Colapso da Vida
Onde antes se utilizavam milícias sionistas para forçar a fuga de vilas inteiras, a gestão de Netanyahu introduziu o bloqueio sistemático de ajuda humanitária e a destruição de 84% das instalações de saúde em Gaza. O uso da desnutrição deliberada como arma de guerra provocou uma crise de fome que vitimou crianças e civis por inanição — um método contemporâneo para alcançar o mesmo objetivo histórico: a eliminação do grupo populacional palestino.
O Custo Humano Recente e a Resposta Jurídica Internacional
Os números acumulados desde o final de 2023 atestam a dimensão do que a comunidade internacional e organizações de direitos humanos classificam hoje como um genocídio planeado. O balanço atualizado regista mais de 72.700 palestinos mortos e 172.000 feridos, na sua esmagadora maioria mulheres e crianças, sem contar os milhares que permanecem soterrados sob os escombros da Faixa de Gaza.
Conclusão: Uma Única Luta Contra o Exílio e o Extermínio Final do Povo Palestino
Desde a recusa histórica de Israel em cumprir a Resolução 194 da ONU — que garante o Direito de Retorno dos refugiados e a restituição das suas propriedades confiscadas — o argumento do Estado israelita sempre foi o de que aceitar os palestinos destruiria o “caráter judeu” do país.
O genocídio desenvolvido nos últimos anos sob a gestão de Netanyahu expõe a verdade crua por trás desse argumento: para manter um Estado baseado na exclusão étnica e na grilagem de terras, o atual governo decidiu ir além do confinamento em massa e avançar para a destruição física e material da população.
A tragédia em Gaza não é um evento novo; é a Al Nakba em curso, televisionada ao vivo para todo o mundo, reafirmando que a essência da luta palestina continua a ser o direito elementar de existir e retornar à sua própria terra.
O Chocante depoimento de Nelson Kalil, que tem parte da Família em Gaza, é o Apelo que é feito também pelo Povo Palestino e por quem defende a humanidade:
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