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Presidente do Senado já assume mais sujo que pau de galinheiro: Alcolumbre é investigado em dois inquéritos no STF

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre 01/02/2019 Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre 01/02/2019 Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo

RIO — O novo presidente do Senado , Davi Alcolumbre (DEM-AP), eleito no sábado em sessão tumultuada, é investigado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), como revelou reportagem da CBN . Em um deles, o senador é acusado de irregularidades na campanha eleitoral de 2014, quando se elegeu senador. O outro inquérito corre em segredo de Justiça, e não é possível ter acesso a detalhes da acusação. As duas investigações ainda estão na fase de diligências que devem ser conduzidas pela Polícia Federal. Não há prazo para conclusão. O senador nega as irregularidades.

De acordo com o Ministério Público, o senador utilizou notas fiscais frias para a prestação de contas da campanha de 2014. Os investigadores também apontam ausência de comprovantes bancários e contratação de serviços com data posterior à das eleições. Aind asegundo o MP, cheques vinculados às contas da campanha eleitoral, emitidos nominalmente a empresas que teriam prestado serviços ao então candidato, foram na verdade endereçados a Reynaldo Antônio Machado Gomes, contador da campanha de David Alcolumbre. Parte desse dinheiro teria sido sacado em espécie na boca do caixa.

Em 2013, Alcolumbre, então deputado federal, foi investigado por supostas ligações com o doleiro Fayed Trabouli, no escândalo sobre desvios de dinheiro de fundos de pensão. Os indícios sobre o suposto envolvimento de parlamentares com o grupo de Fayed foram obtidos de forma incidental durante as investigações da Operação Miquéias. O doleiro foi acuado de desvio de R$ 50 milhões de fundos de pensão de prefeituras e governos estaduais

Quando as informações sobre os supostos vínculos de Alcolumbre com o doleiro vieram à tona, ele confirmou, ao GLOBO, que manteve algumas conversas com Fayed. Os dois tinham sido apresentados um ao outro no cafezinho da Câmara. O senador negou, no entanto, que tratou com ele de assuntos financeiros.

— Falamos sobre política e economia. Falei das forças políticas do meu estado. Ele me perguntou se Sarney era bom para o Amapá porque ele não é de lá — disse Alcolumbre, na época.

As investigações da Operação Miquéias foram barradas no Supremo Tribunal Federal (STF). O relator do caso, o ministro Marco Aurélio Mello decidiu anular interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal no período.

Apoiado pelo ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, Alcolumbre desafiou o então todo-poderoso Renan Calheiros (MDB-AL) e, após dois dias de duros embates em plenário, venceu a eleição para a presidência do Senado. Ele recebeu 42 votos, contra apenas cinco de Renan Calheiros, que abandonou a disputa durante a votação. Sua candidatura foi beneficiada pela desistência de outros senadores contrários ao emedebista – Simone Tebet (MDB-MS), Major Olimpio (PSL-SP) e Alvaro Dias (PODE-PR).

Com 41 anos de idade, Alcolumbre é um dos mais jovens senadores em atividade. O senador iniciou carreira polítida em 2000, quando se elegeu vereador de Macapá. Dois anos depois, se elegeu deputado federal. Após completar três mandatos na Câmara, se elegeu senador. Nas eleições para o Senado em 2014, Alcolumbre também provocou surpresa ao derrotar o ex-senador Gilvam Borges. Um dos caciques do então PMDB, Borges contava à época com o apoio de ninguém menos que o ex-presidente José Sarney, um dos políticos mais influentes do país.

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