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O Estado de Direito não coube na “farmacinha” do Janot (Por Jeferson Miola)

 JEFERSON MIOLA em seu Blog

Estado de Direito não coube na farmacinha do Janot

Jeferson Miola           

No livro que em que comete haraquiri político e moral e se expõe ao risco de perda da privilegiada aposentadoria, Rodrigo Janot faz muita menção a bebidas alcóolicas, porém não faz absolutamente nenhuma menção ao Estado de Direito ou ao devido processo legal.

Nas quase 250 páginas de texto, o substantivo “democracia” fica quase desapercebido. Aparece apenas 2 vezes, o equivalente a 1 menção a cada 120 páginas do livro.

Numa delas, Janot a emprega numa frase para dissertar que “Ditaduras também tendem a ser mais corruptas do que as democracias” [pág. 166] e noutra passagem, num registro hilariante, Janot filosofa que “Vivemos numa democracia …” [sic] [pág.38].

Em contrapartida, bebidas alcóolicas figuram 25 vezes no texto – numa média de mais de 1 menção a cada 10 páginas do livro, compondo uma variada carta de opções etílicas:

– Gim: 1 menção;

– Rum: 1 menção;

– Cerveja: 4 menções;

– Uísque: 4 menções;

– Cachaça: 5 menções; e

– Vinho: 10 menções.

Ao longo do texto Janot faz referências à “farmacinha”, como chama o frigobar do seu gabinete: “… rápidas incursões à ‘farmacinha’ …”; “Todo mundo para a ‘farmacinha’, sô!, eu dizia”; “a farmacinha cumpria uma função terapêutica”; “A farmacinha ficou tão famosa que, algumas vezes, visitantes ilustres da Esplanada e de adjacências passavam no meu gabinete no final de tarde em busca de um paliativo”; “A farmacinha aliviava o estresse, mas não era uma panaceia”.

A demasiada e injustificável menção a bebidas alcóolicas num livro que se pretende mais historiográfico que biográfico não pode servir de álibi para Janot alegar em defesa própria. Aliás, é assunto que diz respeito exclusivo à privacidade dele, por isso não faz sentido ser trazido ao domínio público.

O que chama atenção, todavia, é a ausência absoluta de menções ao Estado de Direito e ao devido processo legal, assim como as escassas menções à democracia, à cidadania e à justiça.

É algo inconcebível num livro escrito por um ex-chefe da Procuradoria-Geral da República, cujas atribuições primordiais são justamente a defesa dos direitos sociais e individuais e a defesa da ordem jurídica e do regime democrático.

Nada disso, porém, coube na “farmacinha” do Janot, que estava muito entretido com seus comparsas na conspiração para derrubar Dilma, interditar a candidatura de Lula e viabilizar o projeto fascista da extrema-direita que jogou o Brasil no precipício.

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