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Aos 87 anos, a Resistência está no DNA do Sindicato dos Bancários, diz o Presidente Everton Gimenis em artigo

Everton Gimenis. Foto: Guilherme Santos/Sul21

Everton Gimenis (*)

O contexto de fundação do SindBancários, em 18 de janeiro de 1933, remete à reflexão sobre fatos recorrentes na história da categoria bancária. Foi um tempo de crise que levou a Segunda Guerra Mundial. Exatamente neste ano Adolf Hitler, o führer nazista alemão, venceu eleições na Alemanha e iniciou a cruzada fascista e de direita sobre a Europa e o mundo.

Também foi tempo de crise econômica. O planeta vivia sob os efeitos recentes da quebra da Bolsa de Nova York em 1929. Aquele dia 24 de outubro espalhou por todos os cantos os efeitos da Grande Depressão. Desemprego, fome, violência. O desespero tomou conta das vidas de famílias em todo o mundo.

Em 1932, sentimos os reflexos da crise mundial no Rio Grande do Sul. O banco Pelotense faliu e jogou os bancários no desemprego.

Há quem diga que a história acabou. Prefiro dizer que a história se processa em ciclos e que esse discurso de fim da história serve ao obscurantismo, ao preconceito e à barbárie.

Então, não é por acaso que o governo de Jair Bolsonaro tinha no secretário-geral da cultura, Roberto Alvim, um ator capaz de plagiar o discurso do propagandista nazi do 3º Reich, Joseph Goebbels, e achar normal. Estamos em tempos que o ciclo histórico expõe novamente os métodos que o fascismo utiliza.

Não por acaso a história volta a demonstrar que em tempos de crise os discursos que juntam a mentira das fake news com a mentira da limpeza ética operam estragos que podemos demorar muito tempo para reconstituir.

O complicado é que a História não é capaz de prever o futuro. Ela pode, como sua grande e fundamental contribuição, pensar a sucessão de fatos não de forma fragmentada, mas de modo a orientar legados que passarão de uma geração a outra. Esses legados têm muito a nos dizer.

O fascismo à brasileira, por exemplo, reedita o discurso de caçador de corruptos. E nós sabemos que o Brasil está muito perto de se transformar no paraíso das milícias, onde o crime do colarinho branco se confunde com o crime comum e violento. O caso da morte da vereadora Marielle Franco, e de seu motorista Anderson, mortos no Rio de Janeiro há mais de 600 dias, é cabal e confirma a importância da história em nossas vidas.

Há quem diga também que os Sindicatos são instrumentos políticos superados. Penso que se trata de uma visão de quem desconhece o funcionamento das entidades e a sua importância para as vidas dos trabalhadores. Sem Sindicatos a democracia poderia estar em ruínas neste momento.

O Bolsonaro foi falastrão durante a eleição de 2018 e recebeu apoio de grande parte da elite que não gosta do Brasil. Muitas vezes, nem mora aqui. Os banqueiros, patrões de nós, bancários, estão lá dirigindo os destinos da economia, do trabalho e até da Justiça no Brasil.

Isso está muito claro. Uma sucessão de golpes ocorre desde 2016, quando a presidenta Dilma Rousseff foi destituída de seu cargo por um golpe midiático-jurídico-político-financeiro. Sim, o ministro Paulo Guedes é um homem do sistema financeiro. Fundou o Banco BTG, banco esse que comprou ações do Banrisul, nas duas vendas que o governo Sartori realizou em 2018.

Pois, desde 2016, tivemos reforma Trabalhista, com todo seu cartel de precarização do trabalho. Em novembro do ano passado, o governo Bolsonaro mexeu com o futuro dos trabalhadores ao conseguir aprovar a reforma da Previdência. Essas duas reformas retiram dinheiro do bolso dos trabalhadores diretamente para o bolso dos ricos, dos banqueiros.

Também em novembro, o mesmo governo Bolsonaro edita a Medida Provisória 905. A criação da carteira verde e amarela é uma aberração capaz de juntar teto de salário de R$ 1.500 para jovens de 18 a 29 anos e cobrança de alíquota de INSS de trabalhadores que recebem o seguro-desemprego.

Essa MP 905 não tem só o dedo dos banqueiros. Tem a assinatura. Está lá o nome do ministro da Economia Paulo Guedes. Os banqueiros tentaram impor o fim da jornada de 6 horas dos(as) bancários(as) mas nós resistimos e conseguimos barrar a aplicação dessa ordem neoliberal nacionalmente em nossa categoria.

A mensagem que quero deixar aqui é que nós precisamos saber que entramos em um longo ciclo de resistência e que teremos de lutar muito para restaurar o país que já foi para todos. Penso que a chave da resistência é o trabalhador compreender o seu papel e o papel dos seus sindicatos. Não existe sindicato sem trabalhadores.

O nosso Sindicato nasceu na crise. O ano de fundação não foi muito diferente de agora, com a nova ascensão da extrema direita em todo o mundo. Teremos que trabalhar muito, ficarmos muito unidos para resistir.

No aniversário de 87 anos da nossa entidade, que se completa no sábado, 18/1, tenho certeza de que estamos prontos. A nossa história nasceu do medo. Ou melhor, do discurso do medo que o fascismo costuma utilizar como método de exploração do nosso trabalho.

A resistência e a luta estão no nosso DNA. O DNA dos(as) bancários(as) tem o código da educação para a luta, a mobilização e a unidade. Vamos precisar de todo mundo. Vida longa ao nosso Sindicato.

(*) Presidente do SindBancários de Porto Alegre.

Reblogado do SUL 21

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