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Coronavírus muda economia e oposição derrota governo

O pacote do governo ao Congresso, em regime de urgência, para as empresas financiarem durante dois meses salários dos trabalhadores, aumenta gasto público e congela juros.

Somado à aprovação, na Câmara, da renda básica universal, muda a economia, com queda da austeridade fiscal.

Desempregados, desocupados e informais ganharão R$ 600 e donas de casa que comandam suas famílias sem maridos, levarão R$ 1,2 mil.

Trata-se de vitória de propostas oposicionistas colocadas ao longo dos últimos meses, que ganham conteúdo emergencial diante do surto do novo coronavírus, acoplado à recessão econômica neoliberal.

O governo, para salvar os assalariados, cobrará da empresa empréstimo com juros de 3,75%(selic) ao ano, sem spread ou taxas, configurando congelamento do custo do dinheiro, se levar em conta que a inflação beira os 4%.

DINHEIRO SUMIDO APARECEU

São R$ 40 bilhões a serem gastos durante 2 meses, para enfrentar a pandemia sobre a qual não se tem nenhum controle.

E os gastos com os desempregados, desocupados e informais, completamente, vendidos na crise, ameaçados de morte, pela fome, alcançarão outros R$ 45 bilhões.

O governo Bolsonaro entrou a contragosto nessa despesa, sendo obrigado a romper com o ajuste fiscal imposto pelo mercado financeiro especulativo.

Para a renda básica emergencial, o ultraneoliberal mão de vaca, Paulo Guedes queria distribuir, apenas, R$ 200 por pessoa.

Na Câmara, o presidente Rodrigo Maia disse que se tratava de mixaria.

Puxou de R$ 200 para R$ 500.

A oposição batia por R$ 1,2 mil.

Para não perder a parada para Maia, Bolsonaro mandou relator do projeto sair de R$ 200 para R$ 600, ganhando a dianteira.

Os oposicionistas conseguiram vitória ao elevar de R$ 600 para R$ 1,2 mil a liberação para mães de família solteiras.

PRESSÃO SOBRE BANCOS

Já em relação aos empréstimos às empresas, o que estava pegando era a exigência dos bancos privados, pressionados pelo governo a entrar no jogo, de não assumir riscos.

O governo, defenderam os banqueiros, emprestariam os recursos repassados pelo Tesouro, para empréstimos às empresas, desde que o risco total fosse do governo.

Depois de negociações duras, o Planalto conseguiu que os bancos concordassem em bancar risco de 15% e o Tesouro, 85% por cada real liberado.

O dinheiro será repassado do Tesouro ao BNDES, que transferirá aos bancos privados, que emprestarão às empresas a juro selic, zerando o custo, descontada a inflação.

O setor produtivo, portanto, durante 2 meses, iniciais, trabalhará com juro zero ou até negativo, enquanto perdurar a pandemia.

MUDANÇA DE RUMO

A política econômica, na prática, muda, nesse período, que poderá ou não se ampliar, a depender da duração da peste ou se suas consequências forem altamente destrutivas que recomendem esticar prazos para sua vigência.

Rompe-se, temporariamente, o congelamento de gastos públicos, fixados pela emenda constitucional 95, para os gastos não financeiros do Orçamento Geral da União, em nome da austeridade fiscal, enquanto liberava gastos financeiros, pagos com essa economia forçada, de modo a liquidar amortizações e juros da dívida.

Os neoliberais dançaram, com descongelamento de gasto social para financiar empresas a juro zero, colocando no chão, temporariamente, o ajuste fiscal neoliberal.

FUTURO INCERTO

A realidade, diante de presente e futuro incertos, demonstrou ser desastre a experiência neoliberal, visto que, de 2016 a 2019, o PIB cresceu, anualmente, 1,1%, incapaz de segurar desemprego.

Afinal, essa experiência somente foi possível mediante golpe parlamentar, jurídico e midiático de 2016, que derrubou o PT do poder para substitui-lo pelos neoliberais, cuja permanência nele não resolveu, mas aprofundou a crise econômica, colocada, agora, de cabeça para baixo pelo novo coronavírus.

Bolsonaro, acuado de todos os lados, tenta fazer da derrota vitória.

Vende seu peixe de que está ganhando a parada, tanto em relação à renda básica emergencial, que teve de aceitar, diferente do que queria, como quanto ao rompimento do arrocho fiscal, para tentar superar situação emergencial.

A oposição, favorecida pela emergência do novo coronavírus, ganhou a parada, ao mudar a narrativa econômica em favor do Estado forte, atraindo para si Rodrigo Maia.

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