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Presidente está louco, diz líder de caminhoneiros

Wanderlei Alves apoiou Bolsonaro com carreatas de caminhões no ano passado, mas está irritado com comportamento de presidente diante de pandemia de coronavírus

Do Valor Econômico


Liderança nacional dos caminhoneiros, Wanderlei Alves, o Dedeco, de 45 anos, roda há três dias pelo Nordeste do país com os dois pulmões tomados por uma pneumonia. “Deu negativo para covid-19”, avisa. Antes do teste, porém, com febre, tosse e falta de ar, Dedeco passou, por recomendação médica, dois dias confinado na boleia do próprio caminhão, no pátio do posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Gurupi (TO). Em entrevista ao Valor, o caminhoneiro critica o presidente Jair Bolsonaro por agir contra o isolamento social e por se omitir de dar suporte ao trabalho da categoria.“Bolsonaro está louco. Não tem outra explicação para o comportamento dele”, afirma Dedeco. “Não se pode salvar a economia empilhando corpos. Como assim ele diz que só idosos morre de coronavírus? ‘Só’ idoso? A vida do idoso vale menos?”O caminhoneiro do Paraná foi umas lideranças da greve de 2018, que parou o país por 10 dias. Nos primeiros meses de governo Bolsonaro, em abril do ano passado, Dedeco conquistou espaço no Planalto em meio a negociações para evitar uma nova paralisação. Participou de reuniões e de eventos oficiais. Tornou-se interlocutor do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, por WhatsApp. Liderou o apoio de caminhoneiros em todo o país em maio do ano passado a atos pró-governo. Só em Curitiba, onde mora, Dedeco reuniu uma centena de caminhões com faixas verde e amarelas em carreata a favor de Bolsonaro e da reforma da Previdência.O relacionamento com Brasília se enfraqueceu diante da percepção de Dedeco de que o governo não cumpria o que prometia aos caminhoneiros. O rompimento, porém, veio com a eclosão da crise do coronavírus, nas últimas duas semanas. No dia 25 de março, acredita Dedeco, Tarcísio Freitas o bloqueou no WhatsApp. “Ele nunca mais me respondeu, e a foto dele sumiu do zap”, conta. “Na última conversa que tivemos, dias antes de ele me bloquear, eu falei: ‘Tarcísio, não adianta dar álcool e mascarinha pra caminhoneiro. Precisa levar atendimento de saúde pra estrada’.”A proposta de Dedeco é que o governo federal instale nas rodovias, a cada 300 quilômetros, postos de atendimento para os caminhoneiros que tenham sintomas de covid-19. Nesses hospitais de campanha, estariam disponíveis testes rápidos para a doença e, se houvesse necessidade de isolamento, o trabalhador ficaria em um espaço reservado na tenda. “Sabemos que o SUS já está sobrecarregado nas cidades, por isso é preciso um apoio na beira da estrada para a categoria.”Ao se sentir mal no Tocantins, na semana passada, Dedeco foi atendido no Hospital Regional de Gurupi. Segundo ele, primeiro o médico disse que o protocolo era não fazer teste para covid-19 e mandou que ele ficasse em isolamento. Sem outra opção, Dedeco se confinou no caminhão. Com a ajuda da Polícia Rodoviária Federal, conseguiu outra consulta, um teste rápido, que deu negativo, e um raio-x, que apontou a pneumonia.“Já fiquei ruim na estrada antes. Se fosse outra época, eu nem ia no SUS. Eu deitava, descansava um pouco no caminhão e seguia viagem, mas, com coronavírus aí, tem que cuidar pra não contaminar os colegas”, diz. Preocupação que, para Dedeco, Bolsonaro não teve desde que voltou dos Estados Unidos em uma comitiva em que 23 pessoas foram diagnosticadas com covid-19. “Como pode o presidente, sabendo dos riscos, convocar manifestação, sair dando a mão para o povo?”, questiona o caminhoneiro.“Estou vivendo na pele o que é estar na estrada e totalmente desassistido. O caminhoneiro vai continuar trabalhando, não importa quão ruim fique a crise do coronavírus, mas precisamos ter apoio do governo”, diz.Ainda com o caminhão cheio de carga, a ser entregue em cidades do Maranhão, Piauí e Ceará, Dedeco volta para casa no início da semana que vem. Por enquanto, está fazendo tratamento com antibiótico e usando máscara.

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