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China pede ao Banco Mundial que suspenda o pagamento da dívida para os países mais pobres

O ministro das Finanças da China, Liu Kun, fala durante uma entrevista à Reuters no Ministério das Finanças em Pequim, China, 23 de agosto de 2018.

Da (Reuters) –

A China pediu na quinta-feira o Banco Mundial que permita aos seus mutuários mais pobres suspendam o pagamento da dívida enquanto lidam com a pandemia de coronavírus, dizendo que o maior banco multilateral de desenvolvimento do mundo deve “liderar pelo exemplo”.
O Ministro das Finanças da China, Liu Kun, disse em comunicado ao Comitê de Desenvolvimento do Banco Mundial que todas as partes devem participar de ações conjuntas acordadas pelo Grupo dos 20 países para lidar com as vulnerabilidades da dívida em meio à pandemia, incluindo credores bilaterais comerciais, multilaterais e oficiais.
Liu disse que a suspensão do pagamento dos juros da dívida pela Associação Internacional de Desenvolvimento (AID), braço do Banco Mundial, seria “neutra no valor presente líquido” e não prejudicaria seu rating de crédito (avaliação de risco).
Se o Banco Mundial “não participar de ações coletivas para suspender os pagamentos dos juros da dívida, seu papel como líder global no desenvolvimento multilateral será seriamente enfraquecido e a eficácia da iniciativa será prejudicada”, afirmou Liu.
Na quarta-feira, as principais economias do G20 concordaram em suspender os pagamentos bilaterais do serviço da dívida pública para os países mais pobres do mundo até o final do ano, um movimento rapidamente acompanhado por um grupo de centenas de credores privados. Esperasse liberar mais de 20 bilhões de dólares (104,8 bilhões de reais) para os países gastarem no combate ao surto de coronavírus.
“Como um credor bilateral responsável, a China se envolverá ativamente em consultas bilaterais com países mutuários para efetivar as providências para a suspensão dos pagamentos dos juros da dívida alcançados pelo G20 por consenso”, disse Liu.
O presidente do Banco Mundial, David Malpass, que pressionou pela iniciativa de dívida do G20, disse em uma reunião de autoridades financeiras do G20 que a tolerância da dívida por bancos multilaterais de desenvolvimento exigiria que eles mantivessem a capacidade de crédito.
“Suspender o pagamento aos Bancos Multilaterais de Desenvolvimento (MDBs, sigla em inglês), se não forem totalmente compensados pelas novas contribuições dos acionistas, correria o risco de prejudicar os pobres no curto prazo, reduzindo nossa capacidade de fornecer assistência antecipada e, a longo prazo, reduzindo nossa capacidade de alavancagem”, afirmou Malpass em comunicado.
CHINA APOIA EMISSÃO DE SDR
O governador do Banco Popular da China, Yi Gang, disse em comunicado separado ao comitê diretor do Fundo Monetário Internacional que a China apoia uma alocação geral de novos Direitos Especiais de Saque, o que aumentaria a liquidez dos países membros.
O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, na quinta-feira frustrou qualquer esperança de uma nova emissão de reservas monetárias do FMI no momento, dizendo que isso ajudaria pouco os países mais pobres e que a maioria dos benefícios fluiria para os países mais ricos que não precisam deles.
Fontes familiarizadas com as deliberações do FMI sobre o assunto disseram à Reuters nesta semana que os Estados Unidos também se opuseram que o fundo fornecesse novos recursos ao Irã e à China sem condições.
“Também apoiamos uma alocação oportuna de Direitos Especiais de Saque, abreviadamente DES (em inglês: Special Drawing Rights, SDR), que foi comprovada como uma medida ágil e eficaz na resposta a crises anteriores”, disse Yi.
Em 2009, o FMI destinou 250 bilhões de dólares (1,31 trilhão de reais) em novos DSEs aos seus membros, proporcionando um aumento de liquidez durante o abismo da última crise financeira.

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