Rio Grande do Sul

No RS, Professor faz bico e corta internet e telefone para sobreviver diante dos cortes do Governo do Estado no seu Contracheque

O que esperar de um Estado e um país que tratam a educação deste jeito? E o Governador sonha com EAD-Educação a distância. Mentiroso, enrolão e sacana, mesmo em tempos de Pandemia, o Tucano Eduardo Leite segue o discurso do Estado Mínimo, pouco importando o que isto signifique para a população. E pior, o discurso desta gente diz que o tal “Estado Mínimo” deveria abrir mão de tudo, incluindo Bancos, Energia e outras ações, mesmo estratégicas. Eles dizem que o Estado ter como prioridade “Educação, saúde e segurança”.

Mas dar prioridade pra educação é pagar um Salário Mínimo ou pouco mais para um Professor, como mostra o Artigo a seguir, do CPERS, que conta a tragédia econômica do Professor que esta tendo descontados de seu salário futuro os empréstimos que fez para cobrir os seus próprios salários que o Estado já paga com atraso a 5 anos para todos os professores do Rio Grande?

Segue matéria publicada pelo CPERS sobre Davi Piovesan, Professor que dá sua “cara a tapa” pra mostrar a situação de 90% dos professores do RS. Um absurdo:

Nos próximos dias, amigos e familiares que quiserem falar com o professor Davi Piovesan, de Palmeira das Missões, terão que ignorar o isolamento social e procurá-lo pessoalmente, pois ele cortará a linha telefônica e o acesso à internet.

A decisão se deu após o educador visualizar os contracheques das suas matrículas neste mês. Descontos de greve, mudanças no Difícil Acesso, a perda do abono família e prestações de empréstimos acumuladas levaram a uma redução de mais da metade da sua renda.

No contracheque de 40h, o professor da ETE Celeste Gobbato e vice-diretor da EEEM Venina Palma acumula mais de R$ 2,8 mil em descontos, o equivalente a 70% do total de vantagens.

“Sempre honrei com os meus compromissos, nunca tive dívidas. Nesse momento tenho que cortar serviços básicos. A internet, por exemplo, é necessária porque hoje é exigido, pelo próprio governo, que passemos as atividades aos alunos e também que façamos cursos. Mas, infelizmente, não tenho mais como manter, pois não posso deixar faltar o essencial”, relata.

Bico para pagar as contas

Com dois filhos para pagar pensão, o jeito foi buscar outras formas de complementar a renda. “Minha prioridade é não deixar faltar nada para os meus filhos e nem ficar devendo. Então, junto com outro colega tenho feito serviços de rede elétrica e hidráulica. Se não for assim, não consigo garantir o básico”, explica.

O cenário de desvalorização pode levar, conforme avalia o educador, muitos profissionais a desistirem da carreira. “Com este governo, temos o desmonte total da educação. Os bons profissionais provavelmente vão sair da área, porque não vão conseguir garantir seu sustento”, preocupa-se.

“O que mais me entristece é ver que o governador manipula , engana as pessoas tentando convencê-las de que está beneficiando os professores. É muito triste ver isso. Leite, junto com a mídia e os grandes empresários, que querem dominar esse setor da educação, tenta fazer com que essas mentiras, tantas vezes ditas, convençam a população. É uma vergonha”, desabafa.

CPERS contesta descontos e luta pela reversão das medidas

Em meio a uma crise sanitária e econômica sem precedentes, ciente da impossibilidade de mobilização, sem diálogo e sem apresentar qualquer contrapartida para repor as perdas acumuladas da categoria, Eduardo Leite (PSDB) continua impondo um brutal arrocho aos educadores(as).

Além de continuar descontando dias de greve já recuperados pela categoria, o governador reduziu os proventos de cerca de 70% dos trabalhadores(as) na ativa com os novos critérios para o Adicional de Local de Exercício (Difícil Acesso) e passou a taxar a previdência dos aposentados(as) que ganham menos.

O Sindicato ainda estuda alternativas legais para barrar os retrocessos e exige a revogação dos novos enquadramentos e respeito à vida dos educadores(as) neste momento crítico.

Na última quarta-feira (29), em reunião com representantes de nove bancadas da Assembleia Legislativa, o CPERS propôs um movimento pluripartidário para pressionar o governo e construir soluções para os problemas em questão.

A reunião resultou nos seguintes encaminhamentos: construção de uma audiência com o governador para tratar dos temas, participação do CPERS em uma reunião de líderes – com todos os partidos da casa – e na mesa diretora da Assembleia, e uma nova reunião com o retorno da discussão sobre as pautas, provavelmente no dia 11 de maio.

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