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Mercenários presos na Venezuela eram guarda-costas de Trump

Foram presos 17 mercenários nos últimos dois dias no país bolivariano; e outros oito foram detidos em confrontoMercenário americano, Jordan Goudreau, que assumiu a liderança dessa operação, em evento de Donald Trump. Foi publicada no instagram da Silvercorp, sua empresa de segurança privada  

Por Fania Rodrigues, de Caracas | Venezuela para Revista FÓRUM

Nos últimos dois dias a Venezuela desarmou duas operações com mercenários vinculados a grupos opositores ao governo de Nicolás Maduro e a forças de segurança dos Estados Unidos. Ex-militares do país bolivariano e estrangeiros tentaram entrar via marítima em território venezuelano, com armas de alto calibre, como fuzis, rádios via satélite, granadas e até metralhadoras. A ação armada foi batizada de Operação Gedeón. Em terra, foram apreendidas seis caminhonetes 4×4 e centenas de quilos de munição.

No domingo (03/05) foram detidos oito mercenários que chegavam em lanchas rápidas pela costa da cidade La Guaira, estado de Vargas, zona metropolitana de Caracas, e onde está localizado o principal aeroporto do país, o aeroporto internacional Simón Bolívar. Outros dois homens foram presos nas proximidades da zona costeira, enquanto fugiam. Um deles é funcionário da Agencia de Combate às Drogas dos Estados Unidos (DEA, pela sigla em inglês), segundo informações das autoridades.

Na última segunda-feira (04/05) outra tentativa de invasão mercenária via marítima. Dessa vez oito homens foram presos na cidade costeira de Chuao, no estado de Aragua, entre eles estão ex-militares venezuelanos, dois ex-militares dos Estados Unidos e pelo menos um civil. Pescadores da zona costeira identificaram os suspeitos ainda no mar e junto com a Milícia Bolivariana (brigadas de segurança formada por civis) detiveram os mercenários. Os GPSs das embarcações, nos dois casos, apontam que elas partiram do norte da Colômbia.

Outros cinco mercenários foram presos no final da tarde e início da noite de segunda-feira, no estado de Aragua, assim como dois ex-policiais venezuelanos que desembarcaram em Porto Cruz, no estado Vargas.

As forças de segurança da Venezuela ainda estão tentando capturar 20 mercenários que conseguiram desembarcar em solo venezuelano, segundo o presidente Nicolás Maduro. Esse conjunto de ações faz parte da mesma Operação Gedeón, de acordo com seus líderes. No total foram desarticulados três grupos, mas existem informações de que são 16 grupos armados na mesma operação.

Mercenários dos EUA, ex-militares venezuelanos e um agente da DEA

Entre os detidos em Chuao estava o Adolfo Baduel, filho do general Raúl Isaías Baduel, preso desde 2009 por corrupção. Adolfo Baduel participou de outro plano de golpe, em junho do ano passado, também desarticulado pelas agências de inteligência venezuelanas.

Adolfo Baduel em acampamento de treinamento na Colômbia

No mesmo grupo estavam cinco ex-militares venezuelanos, entre eles o capitão Antonio Sequea, comandante da operação, que participou da tentativa de golpe no dia 30 de abril do ano passado, ao lado de Juan Guaidó e o líder político Leopoldo López. E dois norte-americanos identificados como Luke Denman e Aaron Barry, ex-militares integrantes das Forças de Operações Especiais dos Estados Unidos, que estavam no mesmo barco e foram detidos.

Os estrangeiros trabalham para a empresa de segurança privada Silvercorp USA, de propriedade de Jordan Goudreau, também ex-militar dos EUA, que operou em países como Iraque e Afeganistão.

Segundo Adolfo Baduel, os dois norte-americanos presos fazem parte da equipe de segurança do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Eles são intermediários, são chefes de segurança do presidente dos Estados Unidos. Eles dizem que trabalham com a assessoria de segurança do presidente Donald Trump”, disse ao ser preso, em declaração às autoridades venezuelanas.FaniaRodrigues @FaniaRodrigues

Entre os mercenários presos na Venezuela, dois são ex-militares dos EUA. “Eles são intermediários, são chefes de segurança do presidente dos EUA. Eles dizem que trabalham com a assessoria de segurança do presidente Donald Trump”, disse Adolfo Baduel, preso na mesma operação.

Os líderes dos partidos opositores negaram que essa era uma ação violenta contra Maduro. Guaidó afirmou que era uma “falsa operação” montada pelo governo venezuelano. “É claro que existem soldados patriotas dispostos a lutar pela Venezuela, mas é evidente que o que aconteceu em Vargas é uma nova farsa de ditadura”, escreveu em suas redes sociais.

No entanto, Jordan Goudreau afirmou que tem 60 homens armados que nesse momento estão em plena ação para “liberar a Venezuela”. O ex-integrante das Forças Especiais dos EUA disse ainda que assinou um contrato com Juan Guaidó para executar planos de intervenções, como a Operação Gedeón, que desencadeariam um golpe de Estado.

A afirmação foi feita durante uma entrevista, no domingo, à jornalista venezuelana Patricía Poleo, que mantém um canal em Youtube chamado Factores de Poder. Poleo se identifica como opositora ao governo Maduro, mas também faz duras críticas a Guaidó.

O veterano norte-americano apresentou cópias do contrato assinado por ele, Juan Guaidó, o estrategista político de Guaidó, Juan José Rendon, e o deputado venezuelano Sergio Vergara. O valor do pagamento seria de U$ 212 milhões. “O valor inicial era de U$1,5 milhão, mas nunca foi pago, ainda que Guaidó tenha recebido um fundo de U$ 9 milhões para operações de defesa”, destacou o norte-americano, que se diz abandonado por Guaidó.

Goudreau explicou em sua entrevista que os 60 mercenários treinados por ele ficaram “escondidos dentro de um cemitério por dias seguidos, em território colombiano, na fronteira com a Venezuela, e que depois tiveram que viajar 300 milhas (482 km) em barco até chegar à costa venezuelana”.

O proprietário da empresa Silvercorp USA é um veterano de guerra, mas também aparece em vídeos fazendo a segurança do presidente Donald Trump. Nas redes sociais da Silvercorp USA existem imagens de Goudreau liderando a segurança de um evento de Trump, em Charlotte, Corolina do Norte, em outubro de 2018. Um dos mercenários presos na Venezuela também aparece em vídeos do mesmo evento, como guarda-costas de Trump.

Além disso, um ex-militar venezuelano confirmou que está em curso uma operação armada para derrubar o governo Maduro. Trata-se do ex-capitão da Guarda Nacional Bolivariana, Javier Nieto Quintera, radicado na Colômbia, que afirma ser um dos líderes da Operação Gedeón, que conta com um total de 16 grupos armados. Quintera garante que estão em plena ação e que nesse momento ainda tentam ingressar na Venezuela.

Desde o ano 2018, o governo venezuelano denuncia a existência de campos de treinamentos mercenários na Colômbia para invadir a Venezuela. As agências de inteligência da Venezuela apontaram que eram três acampamentos, compostos por ex-militares venezuelanos, paramilitares colombianos e mercenários contratados dos Estados Unidos.

Venezuela em alerta

A Força Armada Nacional Bolivariana decretou alerta de segurança máxima e colocou em marcha exercícios militares com 25 mil soldados em todo o país, desde domingo. Além do exército, marinha, aeronáutica e a polícia, a Venezuela conta com um quinto elemento de suas forças de segurança: a Milícia Nacional Bolivariana, com um efetivo de 4 milhões de pessoas. São cidadãos comuns, defensores da Revolução Bolivariana, que se alistam e recebem treinamento militar e de inteligência.

Foram a milícia e os pescadores que identificaram o segundo grupo, preso na segunda. Na falta de algemas utilizaram os barbantes de pesca, o detalhe não passou despercebido por internautas.

Mercenários rendidos; atrás imagens dos heróis revolucionários da Venezuela

Com tudo isso, o presidente da Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela, Diosdado Cabello, pediu para a população estar em alerta e denunciar qualquer ação suspeita. “Alerta máxima nos estados Aragua, Carabobo, La Guaira. Toda a zona montanhosa e costeira deve estar em alerta máximo. Necessitamos informação urgente. Em Chuao a população nos passou informações importantes e isso se converteu em vitória popular”, ressaltou Cabello.

O presidente Nicolás Maduro condenou essas ações violentas. “Desenvolveu-se nos Estados Unidos um setor composto por empresas privadas de segurança e com isso privatizaram as guerras. A tarefa de desestabilizar governos da região foi entregue a esse tipo de empresa de mercenários”, disse em declarações na noite de segunda.

Pescadores e milicianos renderam mercenários

Maduro afirmou que a participação dos moradores de Chuao foi fundamental para a prisão dos mercenários. “Foi o povo que saiu, avistou os terroristas, os detiveram e os amarraram. E foi um pescador, descalço, com ferro na mão, que neutralizou os terroristas. Esse é o método correto da aplicação do poder popular. E ainda não viram nada.” Segundo o chefe de Estado, os órgãos de inteligência venezuelanos identificaram as ações armadas dois dias antes de serem executadas.Rodolfo Marco Torres@RMarcoTorres

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Durante as declarações, transmitidas pelo canal público do Estado, foram mostradas algumas armas e documentos apreendidos. De acordo com o presidente havia também uniformes militares colombiano e estadunidense, assim como rádio via satélite, cocaína, dólares, cascos militares e outros materiais de guerra. Depois das declarações públicas de integrantes da Operação Gedeón, assumindo publicamente os fatos, Guaidó não se manifestou.

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