Rio Grande do Sul

No RS o tradicionalismo homenageia político escravagista com nome de Cidade e até marca de Erva Mate

Lei dos Sexagenários(1885) garantiu a Escravos com mais de 65 anos, que mediante pagamento de uma indenização milionária aos seus “donos”, poderiam ser libertos. A lei foi da lavra de João Maurício Wanderley, o tal Barão de Cotegipe.

Já pensou? O sujeito foi sequestrado na África, foi escravizado no RS, onde seu corpo apodrecia em vida entre as montanhas de Sal nas charqueadas, e se conseguisse chegar a Idade de 65 anos, poderia indenizar o seu dono e patrão com milhares de Réis (moeda da época).

Três anos depois, em 1888, este mesmo sujeito é o único Senador do Império a votar contra a abolição da escravatura. Ou seja, ele defendia que o trabalhador sem contrato nenhum, amarrado por grilhões e impedido de sair do seu trabalho, que só recebia pelo seu trabalho a comida e uma roupa velha, só pudesse sair do “trabalho” se pagasse uma milionária indenização ao patrão.

E a gauchada defensora da tradição homenageou o sujeito com o nome de uma cidade e não contente, deu também o nome a uma marca de Erva Mate muito consumida nas terras gaúchas.

Dirão alguns que a marca da Erva Mate foi por causa do nome da cidade. Mas ninguém foi ver qual é a origem do nome da cidade?

Este é o Rio Grande, cuja Capital Porto Alegre, acabou de mudar o nome de uma Avenida de “Avenida da Legalidade” para “Castelo Branco”, nome de um dos Ditadores que Governou o Brasil de 1964 a 1985.

“Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”, reza o hino rio grandense. E “Novas Façanhas” é como denomina seu programa, o Governador Tucano Eduardo Leite.

O futuro parece meio sombrio quando se olha com um olhar mais acurado para as tais “façanhas” do passado e se vê o que tá acontecendo no Presente do Rio Grande e do Brasil.

Já no mundo velhos mitos estão sendo desmontados e Estatuas de Escravagistas do Passado sendo derrubadas, incluindo a matriz do capitalismo mundial, os EUA.

Buenas…A história não poderia ser reescrita, já me disseram. Mas não é exatamente o que fazem as leituras alienígenas introduzidas em corações e mentes, que fazem muita gente acreditar que a terra é plana?

E o que falar das gentes que votaram num sujeito que disse que estas mesmas gentes teriam que escolher entre “empregos” e direitos?

Confesso que não sabia desta história do tal Barão do Cotegipe. No meu tempo de guri, tempo da ditadura, aprendi inclusive que no RS teríamos tido muito pouca escravidão. Mas isto tinha sido nas Regiões de Minifúndios da “Reforma Agrária” promovida pelo Imperador pra trazer Imigrantes, em especial alemães e italianos, que pelas poucas posses que tinham, obviamente não tinham dinheiro para comprar escravos.

Já na região dos grandes fazendeiros e charqueadas, em 1858, alguns dos municípios tem a elevada participação dos escravos na população, como no caso de Pelotas com 37,13%. Mais de um terço da população.

Na verdade este artigo o escrevo diante de uma postagem que recebi pelo Whats, fazendo os questionamentos sobre o Barão do Cotegipe. Reproduzo a mensagem.

Como o autor do comentário acima, também acredito que a marca da Erva pode ter sido dada por ignorância da origem do nome da Cidade. Mas sempre se não sabemos de verdade do nosso passado, tem como escrever boas façanhas no futuro?

5 pensamentos sobre “No RS o tradicionalismo homenageia político escravagista com nome de Cidade e até marca de Erva Mate

  1. Até porque os descendentes desse e de outros continuam mandando na política brasileira até hoje e se dizem da direita do bem e qualquer um que falar algo contra é taxado de comunista.

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