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Sob Bolsonaro, programa que leva água às regiões mais secas do Nordeste sofre queda de 94%

Apenas 8.310 cisternas foram construídas no ano passado, ante 149 mil em 2014. Enquanto isso, 350 mil famílias aguardam o acesso à água para beber. Articulação do Semiárido chama política do governo de “genocida”

Da RBA

Em dois anos, governo Bolsonaro bate o segundo recorde negativo de construção de cisternas

São Paulo – Reportagem do UOL divulgada nesta quinta-feira (14) aponta que o número de cisternas construídas no país despencou em 2020, segundo do ano do governo de Jair Bolsonaro. Apenas 8.310 equipamentos foram destinados às regiões mais secas do país para promover o abastecimento de água. No entanto, de acordo com a Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), há pelo menos 350 mil famílias que aguardam na fila de espera pelas cisternas para acessar água própria ao consumo. Enquanto outras mais de 800 mil precisam do equipamento para a produção de alimentos e criação de animais. 

O total de cisternas construídas no ano passado representa o menor patamar em 17 anos de programa. Desde 2003, quando foi criado, ao menos 5 milhões de brasileiros foram beneficiados, e 1,3 milhões de equipamentos foram entregues, especialmente no Nordeste do país. 

No entanto, em 2016, depois do golpe contra a presidenta Dilma Rousseff (PT), o repasse de verbas começou a ser reduzido e desestruturado. O que, com o governo de Jair Bolsonaro, se agravou. Levantamento da ASA, divulgado pela RBA no ano passado, mostrou que o programa “estava literalmente secando” e os investimentos não passavam de R$ 50,7 milhões. O valor, que já era inferior aos anos anteriores, sequer estava sendo executado, como denunciou a entidade.

Política “genocida”

O número de cisternas construídas em 2020 ficou abaixo inclusive de 2019. Naquele ano, 30.583 equipamentos foram entregues, o menor número do programa até então. O total de 2020 também representa uma queda de 94% na construção, se comparado ao número de cisternas feitas em 2014, na ordem de 149 mil. 

Ao UOL, o coordenador executivo da ASA, Alexandre Henrique Pires, observou que o recorde negativo de obras ocorreu dentro do período de pandemia. Segundo Pires, nesse contexto, “o que o governo federal está fazendo é uma política genocida, quando deixa de investir no maior programa de segurança hídrica em regiões semiáridas do planeta, e expõe milhares de outras famílias que não têm acesso à água muito mais vulneráveis à contaminação do novo coronavírus. Isso é voltar a cenários que lembram o da década de 1980, quando pouco se olhava para o povo do semiárido”, criticou. 

Em nota à reportagem, o Ministério da Cidadania alegou que a pandemia da covid-19 “impactou no volume de entregas no ano”. A pasta acrescentou que vem “adotando as medidas necessárias para garantir as ações voltadas ao acesso à água”. Mas não apresentou nenhum projeto à região Nordeste. 

Atualmente em momento crítico sob o governo Bolsonaro, o programa de cisternas já foi premiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e é uma referência mundial. 

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