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Em audiência pública, CPERS cobra auxílio para custos com aulas remotas e denuncia sobrecarga durante a pandemia

Do CPERS Sindicato


Estruturas precárias, dificuldades com o acesso à internet, sobrecarga de trabalho e inexistência de auxílio aos educadores para suprir os gastos com o ensino remoto foram algumas das situações expostas durante a audiência pública Educação em Tempos de Pandemia, realizada nesta manhã, pela Comissão de Educação da Assembleia Legislativa.

Proposta pelo deputado Jeferson Fernandes (PT), a iniciativa ouviu a direção do CPERS, educadores e representantes do Ministério Público e da Secretaria Estadual de Educação (Seduc).

“Gostaria que a Seduc esclarecesse como está o processo do programa Internet para Todos. Queremos saber se o governo vai aderir. Temos professores que precisaram diminuir o rancho para poder pagar a internet que utilizam nas aulas”, indagou a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer.

O auxílio tão necessário para suprir os gastos com internet e os equipamentos para o ensino remoto não é proporcionado aos educadores gaúchos, que já enfrentam quase sete anos sem reajuste salarial. “No Rio de Janeiro e no Espírito Santo, os governos arcam com um adicional para os professores pagarem a Internet. O Estado podia seguir esses exemplos. Estamos pedindo audiência com o governo para discutir essa pauta”, afirmou Helenir.

O segundo vice-presidente do CPERS, Edson Garcia, apresentou os dados preocupantes da pesquisa feita pelo sindicato sobre a situação da pandemia nas escolas.

De acordo com os dados obtidos, apenas 34,7% das escolas com casos positivos suspenderam as aulas após o diagnóstico, 70,7% afirmaram que a escola não oferece condições de segurança adequadas para a realização de aulas presenciais, 32,4% relataram que não há EPIs suficientes e adequados para a proteção da comunidade escolar e 78,2% responderam que o governo não fez um bom trabalho na orientação da comunidade escolar quanto aos protocolos de segurança sanitária.

Desde o início da pandemia, os funcionários de escola não foram liberados e seguiram cumprindo o trabalho presencial nas escolas. Muitos se contaminaram e outros tantos perderam a vida. Os professores, quando iniciaram os plantões, também passaram por isso.  Em nossa posse, nesta semana, iniciamos com uma homenagem aos colegas que partiram. A maioria dos que faleceram estavam em plantão nas escolas”, observou.

Consequências do descaso: sobrecarga de trabalho, evasão escolar, desmonte da educação

Heloisa Maria Womer, diretora do 10º núcleo do CPERS (Santa Rosa) expôs a preocupação com a saúde física e mental dos trabalhadores da educação. “Os educadores fazem o máximo que podem dentro de suas possibilidades. Os relatos que recebemos são de enorme sobrecarga de trabalho, pois trabalham na escola e em casa. A carga horária não está sendo respeitada. Vários colegas estão, inclusive, apresentando sintomas da síndrome de Bournout.”

Após denunciar a falta de estrutura das escolas, que seguem com laboratórios de informática e bibliotecas fechados, a diretora  do núcleo de Ijuí, Teresinha Mello, emocionou-se ao falar sobre as dificuldades financeiras enfrentadas pela categoria. “Muitos não estão dando conta de manter suas despesas. Quando entregamos as cestas básicas para as famílias da comunidade escolar, ouvimos de vários colegas que a mesma cesta estava fazendo falta em suas casas. Somos apenas números, isso é muito triste.”

“Temos que ter internet com qualidade em todas as salas de aula para que os professores possam trabalhar com mais tranquilidade. Estão fazendo um trabalho triplo, com evidente sobrecarga e perda na qualidade de ensino”, frisou a deputada Sofia Cavedon (PT).

Evasão escolar preocupa

Além do exposto pelos colegas do sindicato, Joner Alencar Marchi Nascimento, diretor do núcleo de São Luiz Gonzaga, ressaltou a preocupação com a evasão escolar. “Muitos estudantes do ensino médio podem ir para o processo de evasão escolar, pois eles não têm acesso às atividades e às vezes não conseguimos entregar o material físico. Fazemos todo o processo, realizamos visita às comunidades, tirando dinheiro do próprio bolso para tentar fazer com que permaneçam”, afirmou.

A direção do CPERS já colocou para a Seduc a necessidade de ser realizado um plano de recuperação dos alunos que estão à margem do processo de ensino. “Temos que ter um plano de recuperação desses alunos e isso não se faz como uma prova de avaliação. Um planejamento de recuperação é muito mais eficiente. Já nos colocamos à disposição para discutir”, afirmou Helenir.

Liliane Giordani, diretora da Faculdade de Educação da UFRGS (Faced), destacou a importância das ações do projeto Reconecta. “Recuperamos equipamentos que são de lixo eletrônico. Muitas escolas foram beneficiadas. Nosso objetivo é ampliar essa iniciativa. Sugiro pensarmos em ações conjuntas, para que possamos diminuir um pouco esse abandono.”

Seduc reconhece problemas e afirma que está tomando providências

“Reconhecemos que temos diversos problemas a superar. Estamos com força-tarefa para recuperação dos estudantes, as buscas ativas ainda ocorrem, a formação dos educadores também segue. Para que possamos fazer um programa de aprofundamento de recuperação, precisamos saber quais as fragilidades dos estudantes, por isso a ação diagnóstica, da qual teremos o resultado nos próximos dias”, afirmou a coordenadora pedagógica da Seduc, Letícia Grigoletto, após ouvir os relatos.

Ela também colocou que foi adotado o Google Sala de Aula e feita a aquisição dos Chromebooks, que já deveriam ter sido entregues a todos os alunos.

“Medidas estão sendo tomadas e nenhuma escola será aberta sem a garantia de segurança aos professores e alunos. Com relação à internet, estamos tomando providências”, assegurou.

Ministério Público pede que direções informem dificuldades

“Temos acompanhado de perto todas essas questões, para que seja oferecida uma educação de qualidade e garantir o acesso ao direito à educação. Faço um reconhecimento público ao incansável trabalho dos professores”, colocou a promotora de Justiça do Ministério Público de Guaíba, Ana Luiza Leal.

Ela destacou a importância de levar ao conhecimento do Ministério Público as situações que não estão de acordo com o que preveem os protocolos de segurança, para que o órgão possa fiscalizar. “O MP se coloca à disposição da comunidade tanto para auxiliar na conversação com os gestores quanto para a fiscalização do cumprimento dos protocolos”, frisou.

Encaminhamentos

Ao final da audiência, o deputado Jeferson Fernandes afirmou que todas as denúncias colocadas na reunião serão formalizadas pela Comissão. “Junto ao Ministério Público, vamos encaminhar o que transgride regras sanitárias e algumas precauções. Com a Seduc, encaminharemos as situações de cada coordenadoria. Também falaremos com a UFRGS, para que o programa Reconecta tenha uma amplitude maior. Além de frisarmos a importância de a internet chegar a todos e todas”, afirmou.

“Organizaremos um relatório para ser entregue a cada uma dessas instâncias, o que foi exposto nessa audiência”, finalizou Sofia.

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