Meio Ambiente/Porto Alegre/trabalho

Com redução da Coleta Seletiva e apenas 4,5% do lixo reciclado, Porto Alegre perde dinheiro e empregos, além do prejuízo ambiental


Porto Alegre já foi apontada como referência nacional na separação de resíduos recicláveis, mas esse cenário vem mudando rapidamente nos últimos anos. O percentual de materiais recolhidos pela coleta seletiva, que encaminha itens como papel, plástico e metal para reaproveitamento, caiu em cerca de um terço desde 2015 e hoje corresponde a apenas 4,5% das mais de 1,1 mil toneladas retiradas todos os dias das ruas da Capital.

Mesmo olhando para um passado mais recente, onde a Coleta Seletiva já não chegava mais nem aos pés daquela que era realizada a época dos Governos do PT (1998/2002), que iniciaram a prática e tornaram a Cidade Referência no Brasil, é possível ver que a Coleta Seletiva caiu vertiginosamente.

Os resultados são trágicos tanto do ponto de vista ambiental, como do ponto de vista econômico, pois trabalho, geração de renda e empregos deixam de ser gerados em Galpões de reciclagem e também em industrias de processamento dos reciclados.

Em muitos Galpões há falta de material para ser reciclado, já que a Prefeitura tem reduzido drasticamente o recolhimento e ainda por cima impede os carrinheiros de atuarem.

Na verdade a Câmara de Vereadores da Cidade bem que poderia fazer uma CPI para identificar o que esta acontecendo, já que a Prefeitura paga para uma empresa recolher lixo não reciclável e ela recolhe também o reciclável. este blogueiro desconfia que tem gente ganhando dinheiro com parte deste lixo reciclável que deveria estar indo para Galpões e lá gerando Trabalho e Renda para muitos.

Segue artigo Com informações da Zero Hora

Mesmo olhando para um passado mais recente, onde a Coleta Seletiva já não chegava mais nem aos pés daquela que era realizada a época dos Governos do PT, que iniciaram a prática e tornaram a Cidade Referência no Brasil, é possível ver que a Coleta Seletiva caiu vertiginosamente.

De 2015 para cá, capital gaúcha diminuiu em um terço o volume de lixo reciclado. Índice ainda é um dos maiores do Brasil, o que escancara que o problema é amplo e profundo


Como resultado, além dos prejuízos ao ambiente, unidades de triagem que dependem dessas remessas para o sustento de centenas de famílias já enfrentam dificuldades para seguir operando. Há saídas possíveis para o problema, e elas envolvem ações variadas como educação ambiental prolongada, novas estratégias de ação e fiscalização adequada. 


A proporção de resíduos encaminhados para reaproveitamento chegou a 7,1% em 2008 e se manteve nesse patamar até seis anos atrás. Desde então, passou a encolher. Entre as razões para esse fenômeno está o comportamento da população, que passou a descuidar ainda mais das regras de separação do lixo, a atuação de catadores não cadastrados que recolhem irregularmente o material das ruas e, mais recentemente, a crise econômica que afeta o consumo e, consequentemente, o descarte de itens como embalagens. A falta de educação de parte significativa da população levou a prefeitura a anunciar, recentemente, a decisão de recolher os 50 contêineres verdes das ruas do Centro Histórico. Eles faziam parte de um projeto-piloto, iniciado em 2018, de coleta mecanizada dos recicláveis. O problema é que, além dos materiais passíveis de reaproveitamento, também eram preenchidos com restos orgânicos. Isso inviabilizava qualquer reaproveitamento.

– Já nos primeiros meses, observamos que o trabalho não teve sucesso. Mudamos os contêineres para outra área com mais prédios residenciais, o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) fez um trabalho porta a porta de orientação, mas enfrentamos uma questão cultural complicada. O percentual de resíduos reciclados seguiu diminuindo – afirma o ex-secretário de Serviços Urbanos Ramiro Rosário, hoje vereador pelo PSDB, que estava à frente da pasta na implantação da novidade. 

Isso não significa que a cidade esteja em uma situação desfavorável no cenário nacional. O Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana de 2020, elaborado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana e pela PwC Brasil para medir o quanto as cidades brasileiras estão adequadas ao Plano Nacional de Resíduos Sólidos por meio de vários indicadores, coloca Porto Alegre em sétimo lugar no ranking dos 107 municípios com mais de 250 mil habitantes. O problema é que o panorama do lixo no Brasil é muito ruim, com algo próximo a 4% do volume produzido direcionado para reciclagem. Na Europa, países ficam acima de 50%.
O que preocupa gestores e especialistas é que, além de não ter alcançado um percentual satisfatório, o município gaúcho vem retrocedendo. Outro dado que comprova a má destinação das sobras: cerca de um quinto de todo o volume recolhido é formado por materiais que poderiam ser reutilizados, mas foram jogados fora de maneira incorreta e acabaram encaminhados para o aterro em Minas do Leão – que deveria receber apenas itens orgânicos e rejeitos. 


– Porto Alegre tem um alto índice de qualidade na sua limpeza pública comparada a outras cidades do país. Mas, às vezes, se falha em alguma parte. A sociedade precisa começar a entender a importância de reciclar em vez de espalhar sujeira pela cidade. Acho que, em vez de desistirem dos contêineres, deveriam procurar educar a população para entender o dispositivo que foi colocado à sua disposição – analisa o presidente da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP), João Gianesi. 
O secretário de Serviços Urbanos da Capital, Marcos Felipi, afirma que a prefeitura deverá apresentar um novo modelo de coleta no Centro Histórico no começo de novembro. Mas Felipi não descarta o retorno da coleta mecanizada de contêineres. O município começou a estudar alguma alternativa que impeça a ação dos catadores não cadastrados – que desviam o material destinado às unidades de triagem e costumam deixar lixo espalhado pelas calçadas. 


– Em algum momento, podemos retomar essa tentativa. Talvez com um contêiner diferente, que só a terceirizada (empresa de coleta) possa abri-lo. Com um pequeno espaço para colocar o material, para evitar que retirem o resíduo dali. Estamos analisando – diz Felipi. 


Professora da Unisinos e pesquisadora da área de resíduos sólidos há três décadas, Luciana Paulo Gomes acredita que uma solução depende de dois fatores: mudança de hábitos da população e oferta de estrutura adequada por parte do poder público:
– Esses hábitos têm de ser modificados. As pessoas não conseguem entender que precisam gerar menos resíduo, reaproveitar, e a prefeitura tem de disponibilizar um serviço de coleta compatível.

Soluções para o problema envolvem tecnologia e educação

  • Educação ambiental permanente: as pessoas separam o lixo quando entendem a importância de não misturar resíduos orgânicos a recicláveis. Para isso, não bastam campanhas eventuais ou de pouco alcance. É preciso um trabalho sólido de conscientização que comece nas escolas. O Japão é um país exemplar nesse sentido. A educação ambiental se inicia em casa e alcança a vida adulta. Moradores de condomínios e conjuntos habitacionais, por exemplo, são estimulados a fazer mutirões regulares de limpeza das áreas de uso comum.
  • Integração das equipes de educação ambiental: cidades como Porto Alegre costumam ter órgão públicos com equipes de educação ambiental. Cada um age de forma isolada e, por vezes, pouco organizada. Uma proposta, que chegou a ser encaminhada na gestão anterior da prefeitura, mas não foi adiante, previa a centralização das equipes de educação ambiental de entidades como DMLU ou Dmae. “Chegamos a fazer a preparação de um edital. Queríamos terceirizar a educação ambiental, que ficaria sob a gestão dos funcionários hoje divididos em vários órgãos e secretarias. Com a pandemia, isso acabou suspenso”, afirma Ramiro Rosário.
  • Orientações claras: é preciso estabelecer um sistema de comunicação abrangente sobre como funciona a coleta seletiva, que não apenas estimule a consciência ambiental, mas forneça informações básicas sobre como separar o lixo em casa, descartar os itens reaproveitáveis, horários e locais de coletas, entre outras orientações fundamentais. A prefeitura pretende iniciar um trabalho mais intenso de esclarecimento e orientação que prevê contato direto com comerciantes, grandes geradores de resíduos e condomínios. João Gianesi acredita que a comunicação sobre como tratar o lixo deve ser feita de maneira mais direta e clara com a população: “Acho que os contêineres são mais eficientes do que a coleta dos sacos de lixo. Mas falta uma comunicação mais firme por parte do poder público, ter mensagens dizendo que o que você faz de errado está sendo observado, por exemplo. Dizendo ‘não coloque lixo orgânico aqui’. Nenhuma caçamba no Brasil, por exemplo, traz mensagem dizendo que ali só devem ser depositados resíduos de construção civil”.
  • Combate à coleta irregular: um dos principais desafios à correta destinação dos itens reaproveitáveis é a ação de atravessadores que se antecipam à coleta seletiva e retiram material reciclável de forma irregular (tudo o que é descartado em via pública só pode ser coletado pelos serviços autorizados). Para evitar a ação de catadores informais, é preciso combinar ações sociais que ofereçam oportunidade de trabalho e renda e reforço de fiscalização.
  • Uso de tecnologia: o uso de tecnologias como a coleta mecanizada, prestes a ser suspensa em Porto Alegre para o caso dos materiais recicláveis, é considerado um meio de facilitar o descarte por parte do cidadão e otimizar o recolhimento. Para evitar problemas como a ação de catadores informais, seria possível buscar soluções alternativas como contêineres com pequenas aberturas que permitam apenas a colocação do material a ser jogado fora – mas não o acesso para a retirada dos itens. Esse tipo de solução está em estudo pela prefeitura, mas sem previsões de quando haveria uma definição. Outras soluções adotadas em cidades europeias como Barcelona, em que o material reciclável é depositado em locais com ligação a uma tubulação subterrânea. Por sucção, são encaminhados para a reciclagem. Esse sistema evita sujeira, coleta irregular e até circulação de caminhões, mas é pouco viável na realidade brasileira pelo alto custo.

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