política/Rio Grande do Sul

PT, PSB, PCdoB e PV começarão pelo Rio Grande do Sul discussão sobre candidaturas unificadas

PT e PSB anunciaram pré-candidaturas no estado. Presidentes das quatro legendas buscam entendimento para formação de uma federação partidária pelos próximos quatro anos.

Do G1

Dirigentes de PTPSBPCdoB e PV anunciaram nesta quinta-feira (10) uma rodada de reuniões para discutir a escolha de candidatos aos governos nos estados em que há impasse para formalização de uma aliança entre as legendas.

Nesta quinta, representantes das quatro legendas fizeram o terceiro encontro com o objetivo de formar uma federação partidária (associação de dois ou mais partidos para atuar de forma unitária por, no mínimo, quatro anos).

Participaram da reunião, na sede do PSB, em Brasília, os presidentes nacionais dos partidos — Carlos Siqueira (PSB), Gleisi Hoffmann (PT), Luciana Santos (PCdoB) e José Luiz Penna (PV).

Federação partidária: entenda como será usada nas eleições

Segundo Carlos Siqueira, representantes das legendas devem se reunir nesta sexta-feira (11) para avaliar uma candidatura unificada ao governo do Rio Grande do Sul.

No estado, PT e PSB anunciaram como pré-candidatos, respectivamente, Edegar Pretto e Beto Albuquerque.

“Depois, vamos fazer com o Espírito Santo e São Paulo. Ou São Paulo e depois Espírito Santo, conforme combinarmos”, disse Siqueira.

Na última semana, após as siglas iniciarem a discussão do programa e do estatuto da possível federação, petistas anunciaram a retirada da pré-candidatura do senador Humberto Costa (PE) ao governo de Pernambuco. Além de São Paulo, o estado era considerado como um dos obstáculos para uma aliança entre PT e PSB.

A decisão foi interpretada como uma maneira de pacificar a disputa entre as legendas. O senador afirmou que o PT espera um “gesto” de mesmo tamanho do PSB e que abrir mão da disputa significa “estar alinhado ao projeto e às alianças nacionais” do partido.

Além das disputas regionais, o PSB cobra mais representatividade dentro do órgão que vai gerir o grupo, enquanto articula para lançar a candidatura de Márcio França ao governo de São Paulo.

Mas o PT avalia que já cedeu o suficiente e mantém o desejo de ver Fernando Haddad concorrer ao governo paulista. Em entrevista à GloboNews, a deputada Gleisi Hoffmann (PR), presidente nacional do PT, afirmou que a legenda não vai “se apequenar para tentar agradar”.

O desenho das candidaturas regionais é o principal obstáculo para a união das legendas. Unidas, as siglas terão que atuar juntas, por no mínimo quatro anos, em campanhas ao redor do país. Não poderão, por exemplo, lançar candidaturas diferentes a governos estaduais ou a prefeituras.

Ao deixar a reunião nesta quinta, Márcio França disse esperar união entre os partidos. Para ele, a decisão deve ser tomada o quanto antes.

“O que a gente precisa entender é que essa discussão é muito distante da população. O brasileiro não quer saber, agora, quem vai unir com quem. Se a gente continuar discutindo e quebrando cabeça assim, corre o risco de o outro lado crescer ainda mais”, afirmou.

Composição da assembleia-geral

De acordo com Carlos Siqueira, o encontro desta quinta serviu para discutir a composição da assembleia-geral, que será responsável por comandar uma eventual federação a ser formada pelos partidos neste ano.

A composição da assembleia desagrada parte dos integrantes do PSB, que enxergam uma tentativa do PT de tentar ditar os rumos do órgão.

Na eventual federação formada por PTPSB, PCdoB e PV, as escolhas de candidatos e os rumos da federação seriam decididos pela assembleia-geral.

O desenho inicial previa dividir a instância de acordo com o tamanho atual das bancadas de cada partido na Câmara – das 50 vagas, 27 ficariam com o PT, 15 com o PSB, 4 com o PCdoB e 4 com o PV.

Para a tomada de decisões, o PT havia proposto que fosse observado o alcance de dois terços dos membros, representando uma maioria qualificada.

Segundo integrantes do PSB, com a composição proposta pelos petistas, não haveria efetiva “representatividade” no órgão, já que faltaria pouco para o PT obter maioria nas decisões.

Carlos Siqueira apresentou na reunião uma proposta alternativa à do PT com base em sugestões formuladas com a contribuição de parlamentares da legenda:

  • na composição da assembleia, considerar, além do número de deputados eleitos, o número de prefeitos e vereadores eleitos por partido em 2020;
  • manutenção da composição da assembleia-geral por quatro anos;
  • direito a veto para partidos que alcançarem 15% de votos na assembleia-geral;
  • estabelecer quatro quintos dos membros como maioria qualificada dentro do órgão.

De olho nas eleições municipais de 2024, o partido sugeriu que sejam priorizados os candidatos à reeleição.

Nas candidaturas de deputados federais e estaduais, o PSB propôs que a federação observe o número de votos válidos alcançados por partido para formalizar a escolha dos candidatos.

As sugestões, segundo parlamentares que participaram da reunião, não foram completamente acolhidas e devem seguir em discussão interna nos partidos.

Carlos Siqueira afirmou que a reunião “permitiu avançar” e “aprofundar” os desejos do PSB.

“Mas ainda vai ser debatido por todas as direções. Na próxima reunião, muito provavelmente, será uma reunião deliberativa”, disse, ressaltando que um novo encontro deve ocorrer em até dez dias.

Siqueira disse ainda que o PSB está disposto a fazer concessões.

“Temos que lutar por aquilo que estamos propondo e esperar compreensão, mas também ter abertura de recuar quando o recuo for necessário”, afirmou.

Prazo estendido

Apesar dos desencontros, os partidos consideram que já há um impasse superado. Nesta quinta (9), o Supremo Tribunal Federal (STF) validou a lei que criou as federações partidárias e ainda atendeu a um pedido do PT para reavaliar o prazo estabelecido para protocolar o pedido de agrupamento.

Inicialmente, o ministro Luís Roberto Barroso havia estabelecido o dia 1º de março como data-limite. Agora, o prazo vai até 31 de maio. No entanto, após 2022, a oficialização do pedido deverá ocorrer até seis meses antes das eleições.

O novo prazo, na avaliação de Siqueira, pode ajudar a construir um consenso entre os partidos e permitir ampliar o debate sobre o programa e o estatuto da federação.

O presidente do PSB, no entanto, defende que as discussões não sejam antecipadas e que os partidos consumam o tempo disponível para aparar as arestas.

“Que isso [formalizar a federação] se possa fazer o mais rapidamente possível. Quem vai determinar esse ‘rapidamente’ é a evolução dos acordos que possam se processar no âmbito das nossas reuniões, do nosso debate”, afirmou.

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