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Tempos Estranhos: A assustadora “militarização” dos trabalhadores na CEEE Equatorial, privatizada

Privatizada por Eduardo Leite por vergonhosos 100 mil Reais a CEEE-D, agora Equatorial, já não é a mesma de quando pública. Atendimento antes era imediato, agora pode levar dias. Já os cortes de energia por falta de pagamento são executados em minutos as vezes, sem direito de defesa do devedor.

Mas parece que a empresa também é incubadora e chocadeira de ideologia.

Liberdade só vale para o mercado. Para os trabalhadores, a militarização. E claro, salários bem mais baixos do que eram os salários dos trabalhadores da CEEE enquanto pública.

E segundo o que consta, a militarização forçada dos trabalhadores é exercida no Brasil inteiro, como afirma o o Trabalhador eletricitário Antônio Jailson Silveira: “Hoje, após o almoço, um gestor me ligou e me disse que é procedimento padrão da empresa, inclusive em outros estados. Fiquei mais preocupado ainda”.

Uma empresa privada prestando Serviço que é PÚBLICO e ESTRATÉGICO para a sociedade e para o Estado, esta se convertendo em um exército privado, que mesmo sem armas, pode provocar desastrosas consequências para a sociedade se cortar por exemplo a energia quando bem lhe aprouver ou então atender os “amigos” antes dos cidadãos que mais precisam.

Pra quem vive nas Regiões atendidas pela CEEE, sabe que o Serviço piorou muito e a conta de energia subiu assustadoramente.

Mais assustador ainda é ler esta matéria do Luiz Gomes no SUL 21, que reproduzo na íntegra a seguir:

Terceirizada da CEEE Equatorial adota ritual de ‘militarização’ de trabalhadores

Vídeo mostra trabalhadores cantando palavras de ordem e hino nacional em prática realizada no início do expediente

Todos os dias, no início do expediente, trabalhadores de uma empresa contratada pela CEEE Equatorial para fornecer mão de obra são perfilados diante de gestores e cobrados a responder palavras de ordem e, em alguns dias, a cantar o hino nacional. Trabalhadores da antiga CEEE que permanecem na empresa dizem que a prática foi adotada após a privatização e que seria um constrangimento imposto a funcionários de uma empresa terceirizada.

Os trabalhadores que aparecem no vídeo são vinculados à Setup, que presta serviços em Porto Alegre, Viamão, Alvorada, Guaíba, Eldorado, Butiá e Pantano Grande. Após a privatização do braço de distribuição da CEEE em 2021, o Grupo Equatorial assumiu o serviço no Estado e passou a contratar empresas terceirizadas para fornecerem mão de obra para substituir os antigos trabalhadores da companhia de energia gaúcha.

Trabalhadores da Equatorial ouvidos pela reportagem, mas que não quiserem se identificar, relataram que o ritual em que os funcionários são enfileirado para receber instruções de gestores, já vestindo capacete, óculos e cinto de proteção, ocorre todos os dias, por volta das 7h30. A reprodução do hino seria esporádica. Eles também disseram que os funcionários da Setup estão substituindo técnicos da antiga CEEE que foram demitidos ou se desligaram da empresa no processo de privatização.

Para o deputado estadual Jeferson Fernandes (PT), que divulgou o vídeo nas redes sociais, o ritual e outras imagens que chegaram ao seu gabinete se assemelham à ordem unida (formação característica dos militares) e configuram uma militarização do serviço.

“É um abuso, porque se fazem ordem unida daquele jeito ali, certamente tem mais coisas que são típicas de caserna, que não é típico de empresa que tem liberdade para as pessoas manifestarem suas opiniões. Até pode ter um momento de reflexão na empresa de manhã, de concentração, de ginástica laboral, não tem problema nenhum, agora formação típica de militar eu não tinha visto ainda dentro de empresa privada, ainda mais uma que presta um serviço público”, avalia Jeferson.

O deputado diz que irá levar o caso para a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa e que uma das possibilidades de encaminhamento é fazer um pedido ao Ministério Público do Trabalho para que averigue se os trabalhadores estão sendo submetidos a constrangimento e assédio moral.

“É óbvio que as pessoas não vão se expor, então tem que ter uma diligência do Ministério Público do Trabalho averiguando que situação é essa”, diz o deputado. “Garantir que volte luz para as pessoas, eles não estão fazendo, mas fazem lavagem cerebral nos trabalhadores”, complementa.

Diretor do Sindicato dos Eletricitários do RS (Senergisul), Antônio Jailson Silveira diz que a informação que recebeu é de que o vídeo foi gravado em Porto Alegre. Segundo ele, o jurídico do sindicato está estudando medidas cabíveis, mas adianta que poderá denunciar a situação ao Ministério Público do Trabalho como assédio moral aos trabalhadores. “Para nós, é um assédio moral degradante, parece um exército do Bolsonaro”, diz.

Silveira diz que estava tentando desde segunda-feira (23) entrar em contato com representantes da Setup para marcar uma reunião antes da formalização da denúncia ao MPT. “Hoje, após o almoço, um gestor me ligou e me disse que é procedimento padrão da empresa, inclusive em outros estados. Fiquei mais preocupado ainda”, afirma.

Procurada pela reportagem, a CEEE Equatorial informou que a prática seria comum às concessionárias de energia do País e é realizada no âmbito do Diálogo Diário de Segurança (DDS). “O DDS tem como objetivo conscientizar, sistematicamente, os trabalhadores sobre a prevenção de acidentes e consolida as melhores práticas para trabalho com segurança, além de saudações motivacionais”, diz a empresa em nota.

2 pensamentos sobre “Tempos Estranhos: A assustadora “militarização” dos trabalhadores na CEEE Equatorial, privatizada

  1. É uma lástima o que está ocorrendo na Ceee Equatorial. Com tristeza vemos, meus ex colegas e eu , no que está se transformando… Parece uma incubadeira da militarização forçada e infelizmente, soa estratégico para fins não democráticos!

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  2. Pingback: Viva Dona Ivone Lara, o meu samba principia quando amo de verdade - Fala, Leonel!

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