
Metalúrgicos que trabalharam na montadora de motores Perkins-Maxion, em São Bernardo do Campo na década de 1980, lançam nesta quinta-feira, 11, às 19h, no auditório do Sindicato dos Petroleiros de São José dos Campos, o livro Memórias da Luta de Classe – A histórica união e organização dos trabalhadores e trabalhadoras na Motores Perkins-Maxion.
A indústria foi a primeira a implantar as 44 horas semanais de trabalho no Brasil, por pressão de seus trabalhadores.
Uma greve de 42 dias, em 1985, conquistou o direito trabalhista três anos antes da Constituição de 1988 fixar esse teto para a jornada semanal de todos os trabalhadores.
Luiz Rodrigues, o Luizinho, é um dos metalúrgicos que dobraram os patrões na greve e que resolveu colocar no papel a história da luta travada no chão de fábrica.
Ele conta que o movimento foi tão potente, que obteve a adesão do setor administrativo da fábrica, que permaneceu 25 dias em greve em solidariedade aos trabalhadores da produção, apesar de já trabalharem sob uma jornada de 40 horas semanais.

“Foi uma greve fantástica. Era uma fábrica muito politizada. Tinhamos o controle da produção. Essa história de união e organização precisava ser contada, porque serve como referência e exemplo para a classe trabalhadora. Se não contarmos nossa história, a burguesia vai fazer isso do ponto de vista dela”, ressalta.
A ideia do livro surgiu há 20 anos em conversas informais com os companheiros. Mas começou a se consolidar há sete.
Totalmente custeada pelos trabalhadores, a publicação com 264 páginas, da Editora Coopacesso, traz um qrcode em que é possível assistir vídeos, ler boletins e outros documentos sobre a luta desses metalúrgicos.
O livro traz ainda recordações das poesias, músicas e dos esportes que faziam parte do cotidiano desses trabalhadores.
Segundo Luizinho, por indicação de professores da UFABC, a Universidade Federal do ABC, e da USP, a Universidade de São Paulo, o livro concorre ao Prêmio Jabuti de biografia coletiva.
Já ganharam “cadeira cativa” na UFABC para apresentar anualmente a história contada no livro aos alunos da Universidade.
A Perkins-Maxion não existe mais. Fechou as portas há 30 anos, na esteira da política agressiva de Fernando Henrique Cardoso de abertura ao capital estrangeiro, fatal para a empresa.
Mas a luta de seus trabalhadores vai continuar ecoando no ABC.
Para adquirir o livro, entre em contato com Olga pelo whatsapp (11) 99304-0469.

Reblogado Do HOLOFOTE NOTÍCIAS
Descubra mais sobre Luíz Müller Blog
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.