
A decisão que levou o Edegar Pretto a compor a chapa com Juliana Brizola ao governo do Rio Grande do Sul, a partir da orientação da direção nacional do Partido dos Trabalhadores, não é apenas um movimento eleitoral. É, sobretudo, um gesto político de envergadura histórica, que já começa a apresentar resultados concretos no crescimento da candidatura e na ampliação de suas chances reais de vitória frente à extrema direita.
Trata-se de uma decisão que dialoga com o tempo presente. Em um cenário global marcado pelo avanço de forças autoritárias, a construção de frentes amplas democráticas deixou de ser uma alternativa e passou a ser uma necessidade. A política exige, mais do que nunca, maturidade, capacidade de articulação e compromisso com projetos coletivos que ultrapassem interesses individuais.
Nesse sentido, a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não pode ser reduzida à continuidade de um governo. Ela representa a defesa da soberania nacional e das instituições democráticas diante de um projeto internacional de desmonte do Estado, impulsionado por interesses econômicos concentrados, como os das big techs, que buscam influenciar governos e moldar agendas públicas conforme seus próprios interesses.
É dentro desse quadro que se projeta o papel de Edegar Pretto. Há quem defenda sua candidatura a deputado federal, apostando em seu potencial de votação expressiva e na possibilidade de fortalecer a bancada petista. No entanto, essa escolha, embora relevante do ponto de vista eleitoral, seria limitada em termos estratégicos. No Congresso, mesmo com protagonismo, sua atuação estaria condicionada a uma correlação de forças adversa e a um espaço institucional restrito.
Ao aceitar ser candidato a vice-governador, Edegar não diminui — ele se agiganta. Assume uma posição central na reorganização política do campo democrático no Rio Grande do Sul. Passa a ocupar um lugar privilegiado de articulação, diálogo e construção de um novo ciclo político, com impacto direto não apenas nas eleições estaduais, mas também nas disputas municipais de 2028, especialmente em Porto Alegre, onde o campo progressista busca retomar protagonismo após mais de duas décadas fora do governo local.
Sua presença na chapa não é simbólica. É estratégica. Representa a possibilidade concreta de reconstruir pontes, fortalecer alianças e enfrentar, com inteligência política, o ciclo de hegemonia da extrema direita em importantes cidades gaúchas, onde muitas vezes se observa a desqualificação do debate público e o bloqueio de políticas voltadas à população.
Edegar Pretto vence porque compreendeu o momento histórico. Vence porque soube transformar uma decisão difícil em uma oportunidade de crescimento político. Vence porque colocou o projeto coletivo acima de um projeto pessoal imediato — e isso, na política contemporânea, é um diferencial cada vez mais raro.
É legítimo que parte da militância sinta frustração por não vê-lo na cabeça de chapa. Mas é justamente essa militância, quando mobilizada e consciente da dimensão estratégica da decisão, que poderá transformar esse sentimento em energia política para uma vitória maior. A história demonstra que lideranças sólidas se constroem também nos momentos em que é preciso ceder para avançar.
Ao contrário do que alguns podem sugerir, Luiz Inácio Lula da Silva não inviabilizou uma liderança emergente. Ao contrário, contribuiu para sua consolidação. Ao inserir Edegar em um projeto mais amplo, fortalece sua trajetória e o projeta como uma das principais referências da renovação política no estado.
Mais do que uma posição na chapa, Edegar assume a missão de ajudar a liderar um novo ciclo político no Rio Grande do Sul. Um ciclo que pode recolocar o Partido dos Trabalhadores no centro das decisões estaduais, interromper o avanço da extrema direita e criar as condições para uma retomada consistente das políticas públicas voltadas à maioria da população.
Se souber aproveitar a oportunidade que se apresenta, Edegar Pretto não apenas terá uma vitória circunstancial, mas histórica e, se tornará uma das principais lideranças do futuro da política gaúcha.
Por *Carlos Ferreira – (Produtor cultural, jornalista e membro do diretório do PT/POA – CNB)
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