
A divulgação dos dados do Ideb costuma acionar o mesmo roteiro nos gabinetes do governo: gráficos vistosos, discursos triunfalistas e a promessa de que a educação pública gaúcha vive dias de ouro. Mas basta andar pelos corredores das escolas estaduais para notar o abismo que separa a propaganda oficial da vida real de professores, funcionários e estudantes.
Como explicar que o estado comemore metas e colocações no ranking nacional enquanto a comunidade escolar acumula perdas salariais, sobrecarga de trabalho e denúncias diárias de precarização?
A resposta está na própria engrenagem do indicador. O Ideb é calculado multiplicando o desempenho em provas padronizadas pelas taxas de aprovação. Para inflar o índice, a receita adotada pela gestão estadual tem sido implacável: o combate à evasão transformou-se, na prática, em uma política velada de “aprovação forçada”.
Pressionados por metas burocráticas e orientações do fluxo escolar, educadores são induzidos a aprovar alunos que não dominam competências básicas de leitura, escrita e matemática. O resultado é a maquiagem das estatísticas no papel, enquanto o analfabetismo funcional é empurrado para a frente.
Enquanto a escola é moldada para “ensinar para o teste” e garantir aprovações automáticas, os problemas estruturais seguem intocados. Professores adoecem sob o peso da burocracia e das plataformas digitais corporativas, escolas enfrentam escassez de recursos humanos e o sistema público passa a ser assediado por projetos de privatização e parcerias com o setor privado.
Celebrar indicadores que resultam do mascaramento do aprendizado é um exercício de ilusionismo. O futuro da educação no Rio Grande do Sul não será construído com aprovação artificial ou algoritmos de gestão, mas sim com a valorização real do magistério, garantia de aprendizado efetivo e infraestrutura digna para quem faz a escola acontecer todos os dias.
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Eu li há muitos anos atrás o livro “O princípio de Petersen – Todo mundo é incompetente, inclusive você” onde vi pela primeira vez a tese da “sublimação percuciente” … a tese tornou-se a prática!
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