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Guerra Híbrida Contra o Brasil em Andamento  (Por Tarso Genro)

Matéria jornalística importante, hoje, no Globo. Os principais jornalistas e colunistas da chamada grande imprensa, ao tratarem da crise do STF e da disputa político-eleitoral entre, de um lado, o campo alargado da defesa da República e da democracia e, de outro, o espectro fascista, neofascista e golpista, nos devem mais informações.

Sonegando-as, “naturalizam” uma situação em que o Brasil está sendo atacado — interna e externamente — dentro de uma “Guerra Híbrida”, que aqui na América do Sul tem contornos especiais:

  1. O primeiro contorno especial: o “sujeito ativo exterior” dessa “Guerra Híbrida” é declaradamente o Presidente dos Estados Unidos, que “aparelhou” — sem nenhum pudor ou cautela diplomática — uma candidatura de traição nacional, que apoia uma intervenção militar norte-americana no nosso território;
  2. O segundo contorno especial: o “sujeito político interno” — composto pelos grupos neofascistas e golpistas, declaradamente apoiados por aquele “sujeito ativo exterior” — é predominantemente ligado ao crime organizado, nacional e transnacional.

Deve-se estranhar que a grande imprensa cerre os olhos para esta situação concreta, fundamental na conjuntura eleitoral, parecendo magoada por não ter conseguido emplacar uma “terceira via” viável para disputar, por meios democráticos, a Presidência da República.

Esta angústia política, porém, não pode ser transformada numa lesão política e moral contra a nação. Qual é essa lesão? Através da aceitação, por omissão, de não denunciar a ilegitimidade dessa Guerra Híbrida, que pode ajudar a volta da extrema direita ao poder de Estado no Brasil. Aí não haverá futuro para ninguém!

Aponto dois livros importantes, provenientes aqui do Sul do país, que podem ajudar nessa reflexão: Guerra Híbrida contra o Brasil, Ilton Freitas, Ed. Liquid (2019), e O Brasil no espectro de uma Guerra Híbrida, Ed. Alameda (segunda edição).

União nacional em defesa da soberania e da democracia não é uma posição “de partido”, no sentido restritivo que encerra esta expressão, mas sim o sentido universal da defesa da própria ideia de nação.


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