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Porto Alegre nas Ruas: O Maior Ato Político da História e a Urgência da Resistência Democrática

Povo a perder de vista na Borges de Medeiros

Porto Alegre escreveu mais uma página indelével em sua gloriosa tradição de luta e resistência democrática. Em uma demonstração colossal de força, civismo e consciência coletiva, mais de 100 mil pessoas ocuparam a emblemática Avenida Borges de Medeiros e caminharam lado a lado com o presidente Lula. Foi, sem dúvida, o maior ato político de todos os tempos na capital gaúcha, um verdadeiro mar humano que uniu gerações — de jovens vibrantes a idosos com a memória viva dos anos de chumbo.

A capital gaúcha, que em 1961 protagonizou a histórica Campanha da Legalidade — liderada por Leonel Brizola para garantir a posse constitucional de João Goulart e barrar o golpe militar à época —, volta a se levantar. Desta vez, o chamado das ruas ecoa contra a real e iminente ameaça da tomada do poder pela ultra-direita, em moldes assustadoramente similares aos que marcaram a ascensão de Adolf Hitler na Alemanha da década de 1930.

A História Recorrente: O Paralelo com os Anos 1930

O gigantismo da mobilização popular em Porto Alegre traduz em tempo real o profundo alerta lançado por figuras históricas da política e do pensamento democrático gaúcho. Em recente e contundente manifesto de desfiliação do MDB, o professor Antônio Hohlfeldt — ex-vice-governador e ex-vereador por cinco mandatos — colocou os pingos nos is ao advertir sobre os riscos fatais da aliança de setores tradicionais com o bolsonarismo:

“O MDB, neste momento, está repetindo o processo vivido pela Alemanha, na década de 1930, que levaria ao nazismo, naquele país. NÃO QUERO E NÃO POSSO CALAR OU ME OMITIR […] Não pretendo, num futuro que […] pode ser muito imediato, se [o extremismo] vencer essas eleições, me sentir corresponsável por uma ditadura institucional a se instalar no país.”

A análise de Hohlfeldt encontra ecos diretos nas reflexões publicadas por analistas e sociólogos, como Gerson Almeida, que denunciam a repetição trágica (ou farsesca) do papel desempenhado pelos liberais e conservadores alemães em 1933. Naquele ano fatídico, elites e políticos tradicionais acreditaram que poderiam “domesticar” ou usar o fascismo em proveito próprio, entregando o poder a Hitler sob a ilusão de que haveria contenção institucional, sensatez e diálogo. O resultado foi o colapso total da civilização e a barbárie.

No Rio Grande do Sul de hoje, a adesão de figuras da velha guarda política ao bolsonarismo — sob o pretexto cínico de buscar um “falso equilíbrio” — reedita esse erro imperdoável. Enquanto oportunistas escolhem a conveniência de gabinete e o cálculo de elites, a imensa maioria da população que tomou a Avenida Borges de Medeiros fez a escolha da dignidade e da coragem.

Juventude e Experiência: A Voz das Ruas

O espetáculo visto nas ruas de Porto Alegre mostrou que o povo brasileiro não está disposto a entregar sua liberdade sem luta. A presença massiva de jovens — que buscam garantir o futuro em um ambiente de paz e direitos — unida à sabedoria dos idosos, que sabem exatamente o preço de se perder a democracia, deu o tom de um pacto intergeracional pela República.

Como expressou Hohlfeldt ao recusar a conivência com o arbítrio: continuar apenas como professor, cidadão ou trabalhador exige coerência ética para não se tornar cúmplice da destruição institucional.

A caminhada com Lula em Porto Alegre não foi apenas um evento de campanha; foi um plebiscito popular pela civilização contra a barbárie. Porto Alegre mostrou ao Brasil que a memória da Legalidade está viva, pulsante e intransigente. A marcha de 100 mil pessoas é o aviso definitivo de que a ultra-direita não passará.

Como já é tradicional, minha Live no TikTok, assistida por mais de 600 mil pessoas, mostrou toda esta mobilização expontânea da população porto alegrense. A seguir um recorte da mesma. Nesta hora, já haviam passado milhares de pessoas sob o “Viaduto da Borges”, e o público estava at´onde a vista e nem a imagem do celular alcançavam.


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