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​Vencer com Lula não basta: O mapa do caminho para a esquerda em Porto Alegre em 2028

Lula cravou mais de 55% dos votos em Porto Alegre nas eleições de 2026. A militância comemorou, lavou a alma e deu aquele suspiro de alívio. Mas calma lá: se você acha que isso significa passe livre para o PT ou para a esquerda retomar o Paço Municipal em 2028, é bom puxar o freio de mão.

Quem acompanha a política da capital sabe muito bem que conta de somar não funciona nas urnas. Em 2022, Lula já tinha colocado 53,5% dos votos no bolso da cidade. E o que aconteceu dois anos depois, em 2024? Sebastião Melo foi reeleito no segundo turno com lavada: 61,53%.

Como lembrou o deputado Matheus Gomes (PSOL) em análise recente sobre o tema, a transferência de votos de uma eleição nacional para a municipal não tem nada de automática. A pergunta que fica é: o que falta para a esquerda transformar essa maioria eleitoral em um projeto de cidade vitorioso?

O segredo dos “áureos tempos”: Presença do PT nas comunidades (e sem vaidade)

Para entender como voltar a governar a Porto Alegre que um dia foi referência mundial com o Orçamento Participativo, vale a pena olhar para trás. Lá na virada dos anos 80 para os 90, quando Olívio Dutra foi eleito e abriu o ciclo de 16 anos de governos do PT, a força do partido não vinha de gabinete ou de mandatos isolados. Vinha dos Núcleos de Base.

Naquela época, o PT fincava pé nas vilas, nos bairros e nos sindicatos como um projeto coletivo. A comunidade não via “o assessor do deputado X” ou “a bancada da vereadora Y” aparecendo só para tirar foto e distribuir santinho. Via o PT organizado, ouvindo as dores do povo, ajudando na associação de moradores e construindo soluções locais no dia a dia.

Com o tempo, essa presença orgânica acabou sendo engolida pela lógica de mandatos individuais. Só que Melo e a extrema-direita aprenderam a fazer o trabalho de formiguinha nas periferias: mantêm redes de contatos e cargos comissionados usando a estrutura pública para trancar as demandas das lideranças comunitárias independentes e se venderem como “homens do povo”.

Se a esquerda quiser disputar a periferia de verdade em 2028 — ano em que Melo não poderá mais concorrer e a disputa estará totalmente aberta —, vai precisar resgatar a coragem e o espírito dos velhos Núcleos de Base. Presença permanente, comunitária e partidária, sem briga de ego entre figuras públicas.

O “Exército do Lula” nas redes: Comunicação rápida e que dá o tom

Estar na rua e nas vilas é essencial, mas hoje em dia a praça pública também fica na tela do celular. A grande lição que a virada de mobilização nas eleições nacionais deixou foi a força do #ExércitoDoLula.

A comunicação da esquerda não pode ser só um panfeto institucional chato ou uma prestação de contas burocrática de mandato. Ela precisa funcionar exatamente como a militância provou que sabe fazer quando é provocada:

Agilidade e formação: Não basta apenas repassar informação; a rede precisa formar opinião, desmentir fake news na hora e dar munição política para o militante conversar no ônibus, na fila do mercado ou no grupo de WhatsApp da família.

Ação coordenada: Uma organização em rede, vibrante e descentralizada, que consiga transformar o debate político numa causa viva e cotidiana.

Pautas reais: Conversar com o povo sobre o que pesa no bolso e na vida — o fim do 6×1, o combate ao endividamento das Bets, a segurança no bairro e a melhoria do transporte público.

2028 já começou

Gostar ou não da oposição não faz ela desaparecer. O outro lado se renova rápido, tem capilaridade e sabe usar a máquina.

Para a esquerda voltar ao topo em Porto Alegre, não adianta afobação nem disputas antecipadas de “quem vai ser o candidato a prefeito”.

O caminho passa por reunir a frente progressista, organizar o PT e os aliados bairro por bairro ao estilo dos históricos núcleos, e colocar a militância digital no modo combate permanente.

A vitória de Lula provou que a capital quer respirar novos ares. Agora, cabe à esquerda fazer a sua lição de casa de olho no chão da cidade.


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