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UNB foi alvo de ataques de extremistas na noite de sexta (17) – vídeo

Da Conexão Jornalismo

Vestidos de preto eles ameaçaram estudantes
Vestidos de preto eles ameaçaram estudantes

A volta ao passado, mas encenada por um grupo de jovens extremistas de classe média, brancos e homofóbicos. Esta foi a percepção de quem estava na noite desta sexta-feira no Campus da Universidade de Brasília (UNB), instituição de tantas histórias de caráter humanista, mas também repressivo. O grupo de mídia independente Mídia Ninja assim narrou o acontecimento. Veja o vídeo

O campus da Universidade de Brasília (UnB) foi palco de um ataque de extremistas da direita na noite desta sexta-feira (17). Munidos de porretes, armas de choque e bombas de efeito moral, aproximadamente 30 pessoas invadiram o Instituto Central de Ciências da universidade, conhecido como Minhocão, para agredir os estudantes e depredar o patrimônio público.

Grupo não foi barrado pela segurança do campus
Grupo não foi barrado pela segurança do campus

Vestidos de pretos e portando bandeiras do Brasil – alguns usando camisetas estampadas com a foto de Jair Bolsonaro e outros da seleção brasileira – levaram pânico e destruição ao campus. Entre os agressores estava Kelly Bolsonaro, conhecida militante da ultra direita que faz sucesso em páginas e grupos da internet que pregam a volta do regime militar e o extermínio da esquerda. Além de arrancarem cartazes das paredes, agrediram verbalmente e fisicamente estudantes. Um estudante foi agredido com um Teaser, arma de choque cuja venda é controlada.

Entoando cantos racistas e homofóbicos, pediam a volta da Ditadura Militar. Segundo informações coletadas pela nossa reportagem, a intenção dos extremistas era promover um quebra-quebra no Centro Acadêmico de Sociologia. Por sorte, foram impedidos pela segurança do campus, que pediu reforço da Polícia Militar para conter os agressores. Com a chegada da PM, os extremistas fugiram, sem que nenhuma prisão fosse feita.

Enfrentamento teve personagens conhecidos dos alunos
Enfrentamento teve personagens conhecidos dos alunos

Outro fator que chamou a atenção de quem presenciou os ataques eram as mensagens escritas nas roupas usadas pelos agressores. Frases como “Polícia Federal, Orgulho Nacional” e “100% livre de esquerdismo” puderam ser vistas. Importante citar que no Facebook existem grupos com esta denominação, o que pode indicar uma linha de investigação para saber de onde partiram as articulações que resultaram na ação desta noite.

Durante os ataques, mensagens de texto foram enviadas dos aparelhos celulares daqueles que presenciaram o atentado. “Galera tá aqui jogando bombas e ofendendo geral, xingando todos de estudantes comunistas vagabundos”, relatou uma estudante que não quis se identificar.

Postura de paramilitares e ataques aos homossexuais
Postura de paramilitares e ataques aos homossexuais

A ação parece ter sido premeditada e com coordenação central. Durante o dia circularam e-mails com informações sobre o ataque, remetidas à reitoria para que as devidas providências fossem tomadas. Ao que tudo indica, os alertas foram ignorados, visto que a invasão de fato aconteceu

Um estudante fez o seguinte relato do que ocorreu na UNB:

“”Hoje na UnB, aconteceu uma situação assustadora.
Um grupo de 15 pessoas, entraram no campus, vestidos com blusas escritas “Fora PT”, “Bolsonaro presidente” e começaram a gritar frases como: “aqui é lugar de estudar e não de fumar maconha” ” vocês são comunistas safados” “Bolsonaro presidente” “acabou a mamata”. Ofenderam estudantes com xingamento de ” viados” ” vagabundos”, “comunistas nojentos”.

Estavam cantando coisas como “há ha vão ter que estudar”. Estavam extremamente agressivos, e vinha para cima de quem estava passando no ICC com uma postura recheada de razão!

No começo de tudo eles soltaram uma bomba, isso mesmo, uma bomba na porta do ICC norte. E logo após uns 10 minutos soltaram outra bomba!!!!!!!!
Fiquei extremamente nervoso e com medo. Foi uma cena assustadora. Foram ali para dizer que todos nós éramos vagabundos, maconheiros.

A maioria de nós ficou olhando, perplexa com o que estávamos vendo. E quando um grupo pequeno contrapôs, uma mulher que estava no grupo, tirou com um sorriso frio e nefasto uma arma de choque. Sério, ela tirou e apontou para um estudante. Tinha um dois senhores com cassetetes. E um deles gritou “Isso é só o começo, vamos voltar com mais”.

Não sabemos quem são essas pessoas. Parecia até um teatro. Ao escrever essas palavras me perguntei se isso mesmo aconteceu.

Olha: duas bombas, cassetetes, gritos ofensivos, arma de choque e os guardas da UnB olhavam e riam, alguns estavam tensos, outros filmando.”

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