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Ônibus consegue aproveitar melhor até 22 vezes mais o espaço urbano em relação ao carro

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Já bicicletas ficam num posto intermediário entre ônibus e carro, mostra simulação da Folha de São Paulo. CPTM e Metrô atraíram mais passageiros que ônibus e números mostram que a integração entre modais é o que faz as pessoas deixarem o carro em casa

Por ADAMO BAZANI no Blog Ponto de Ônibus

Os números já mostram claramente que o transporte coletivo é uma maneira de usar o espaço urbano de forma inteligente, deixando assim as cidades mais agradáveis, menos perigosas e com menor poluição. É só comparar a área ocupada numa rua por um ônibus e sua capacidade de transportar passageiros e depois transferir este mesmo número de passageiros para a quantidade de carros que seria necessária para este transporte.

No entanto, baseado numa experiência que já tinha sido realizada na Europa, na cidade de Münster, na Alemanha, em 1991 , pela primeira vez, e depois repetida mundo afora, o jornal Folha de São Paulo fez uma simulação na Avenida Pacaembu, na manhã de domingo passado, dia 17 de janeiro de 2016, para verificar com os números da realidade de São Paulo o quanto os ônibus e as bicicletas podem atender de maneira confortável o mesmo número de passageiros, só que deixando a cidade mais livre para as pessoas.

A simulação leva em conta o dado mais recente de que um carro de passeio transporta em São Paulo uma média de 1,2 passageiros por viagem. Foi usada uma base de 48 pessoas, apesar de um ônibus comum poder transportar até 70 pessoas de uma só vez. Foram usadas também 48 bicicletas. O ônibus é o campeão, poupando de 17 a 22 vezes o espaço urbano. Apesar de ser um transporte individual, a bicicleta também traz muitas vantagens e fica no meio termo.

Veja os resultados:

Para transportar exatamente as mesmas 48 pessoas, com média paulistana de 1,2 pessoa por veículo são necessários:

40 carros que ocupam 840 metros quadrados

1 ônibus que ocupa 50 metros quadrados

48 bicicletas que ocupam 92 metros quadrados

Assim a simulação feita pelo periódico, confirma o que já todos tinham certeza: investir em transporte coletivo é uma maneira de usar de forma sábia a cidade e a bicicleta é sim importante na mobilidade urbana. No entanto nem todos os especialistas defendem isso integralmente. Tanto é que na mesma matéria, Sérgio Ejzemberg, diz que a bicicleta não pode ser encarada como meio de transporte e sim alternativa. Já outro especialista, Horácio Figueira, não segue a mesma linha de pensamento e reforça com outros dados a importância de se melhorar os transportes por ônibus, sem, claro, esquecer do primordial, que são os trilhos.

“Esse ensaio induz à conclusão de que é uma maravilha andar de bicicleta. Bicicleta não é meio de transporte; é uma alternativa. E o ônibus não consegue atender todas as viagens. O carro não pode ser tratado como bandido. O pensamento idílico não resolve a questão da mobilidade”, diz Sergio Ejzenberg, engenheiro e mestre de transportes pela USP.

Não é unanimidade. “Em uma grande avenida, no horário de pico, os ônibus levam de 5.000 a 10 mil pessoas – e carros, 1.300 pessoas. A relação é de um passageiro no carro para dez no ônibus”, pondera Horácio Augusto Figueira, consultor em engenharia de transportes.

 

Ejzenberg começa dizendo uma verdade: o carro de passeio realmente não pode ser encarado como vilão, no entanto, a verdade é que o automóvel particular também não pode continuar a ser encarado como uma solução. Assim, deve-se parar um pouco de sentir pena do carro e fazer com que o transporte público ganhe qualidade para que mais pessoas sintam segurança e confortáveis para os deslocamentos em transporte coletivo, deixando o carro em casa. É questão de prioridade. Bicicleta, de acordo com vários estudos nacionais e internacionais, é sim um meio de transporte importante. Não entra aqui nesta questão se a ciclovias instaladas na cidade de São Paulo pela gestão Fernando Haddad são feitas de maneira satisfatória e os erros em alguns espaços. A bicicleta é sim um meio de transporte, claro para deslocamentos menores, mas vale destacar que hoje parcela significativa das pessoas que se desloca de carro é justamente em pequenos percursos.

TRILHOS E ÔNIBUS SÃO AS SOLUÇÕES PRINCIPAIS:

Nos últimos 10 anos, a frota de carros em São Paulo cresceu 40% e a de motos 107 %.  Para algumas propagandas políticas, de tom meramente populista, os números podem até ser interpretados como ascensão social do povo brasileiro, que antes não tinha acesso ao carro e a moto e hoje mesmo que financiando em prestações a perder de vista e caindo na inadimplência, já consegue ter seu meio de deslocamento próprio.

E realmente nada contra as pessoas terem carros, motos, aviões, helicópteros … Mas no caso do transporte individual terrestre, a questão é como ele é utilizado na cidade e se há alternativas suficientes para que esses carros e motos fiquem na garagem para os deslocamentos cotidianos, sendo usados para viagens eventuais ou passeios com a família.

A verdade é que quando cresce o número de veículos do transporte individual também crescem problemas como trânsito congestionado, poluição e aumento do número de acidentes, em especial envolvendo as motos.

Não há como aumentar o território. Então, o mesmo espaço fica saturado.

Este aumento desenfreado do transporte individual prejudica o transporte coletivo quando os ônibus no espaço urbano não possuem prioridade para circular. Os ônibus ficam presos no mar de carros e motos, se tornam lentos e desinteressantes. Neste aspecto, são fundamentais as faixas de ônibus e principalmente os corredores, mas não é só isso! Privilegiar o transporte coletivo também é fazer pequenas e eficientes adequações nos bairros, por exemplo, como restrição de estacionamento próximo às curvas, que hoje impedem a manobra até de micro-ônibus, e sinalização adequada nestas áreas de periferia.

Em vias de grande movimento nas áreas mais afastadas, a faixa de ônibus às vezes é a única forma de priorização do coletivo possível.

Outro aspecto importante, se não o mais, é um investimento sério na expansão e melhoria dos sistemas de trilhos, que devem ser integrados aos ônibus. Assim para a mobilidade, não há uma solução única: só ônibus, só trem, só metrô ou só bicicletas, mas uma rede de Transportes.

Os trilhos têm capacidade para atrair passageiros para o transporte coletivo e  possuem demanda reprimida. De acordo com os dados apurados pelo jornal Folha de São Paulo, nos últimos dez anos o total dos passageiros das linhas municipais de ônibus em São Paulo cresceu 10%. Os ônibus são os responsáveis pela maior parte dos deslocamentos na cidade: 72% dos moradores de São Paulo dizem usar o ônibus com frequência. No entanto, o destaque nos últimos 10 anos é o aumento da demanda dos usuários do sistema de Trilhos. O número de passageiros do metrô cresceu 69% e nos trens a elevação foi 97%. Obras de expansão, que ainda possuem ritmo lento, e a adoção do Bilhete Único pelo Estado de São Paulo, em 2006, integrou o sistema de trem e metrô aos ônibus de São Paulo explicam em parte estes números, reforçando a necessidade de não rivalizar ônibus, trem e metrô, mas sim, de integrá-los ainda mais.

 

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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