Uncategorized

COMEÇAR (SEMPRE) DE NOVO! (Por Selvino Heck)

abc

Assembléia de Trabalhadores Metalúrgicos do ABC em 1980

Começo com Ivan Lins, na voz poderosa de Simone: “Começar de novo e contar comigo/ Vai valer a pena ter amanhecido/ Ter me rebelado, ter me debatido/ Ter me machucado, ter sobrevivido/ Ter virado a mesa, ter me conhecido/ Ter virado o barco, ter me socorrido.”

Estes tempos que vivemos e atravessamos não são tempos fáceis, seja no plano individual, seja no plano coletivo, no Brasil e no mundo. É preciso fazer escolhas, é preciso pensar o que vem pela frente, é preciso planejamento com ousadia, determinação e coragem.

Há urgências, algumas de curto prazo, imediatas. Outras de médio e longo prazo, estratégicas.

No curtíssimo prazo, nada mais importante que barrar o impeachment que é golpe. O governo interino, fruto da traição e do conservadorismo de direita, e misturado à corrupção, levará o país, se continuar, a perder soberania, colocará os pobres e os trabalhadores de novo na subalternidade à que estiveram condenados historicamente, eliminará conquistas e direitos. Nas mobilizações, nas ruas, nos debates públicos, na desobediência civil, nada mais relevante que derrubar o governo golpista. Segundo, no curto prazo, participar das eleições municipais de outubro, discutir um programa de governo que recupere e valorize práticas e propostas emancipatórias, com participação popular, com políticas públicas de saúde, educação, agricultura familiar e camponesa agroecológicas, mais direitos e cidadania.

No médio e longo prazo, é preciso retomar o trabalho de base nas comunidades, nas fábricas, nos bairros e vilas populares, recolocar como centrais processos de formação e conscientização, baseados na pedagogia freireana, construir/formular um projeto de futuro, com desenvolvimento sustentável, democracia,  soberania, baseado no BEM VIVER, ou `buen vivir` indígena, e no cuidado com a Casa Comum.

As urgências de curto prazo, imediatas, não excluem as de médio e longo prazo, estratégicas, e vice-versa. Umas remetem às outras. As eleições municipais fazem antever uma jornada de construção mais ampla e duradoura, em que programas de governo se consolidem como políticas públicas, o povo sendo protagonista.  As urgências estratégicas não podem ser apenas delírios ou planos inexequíveis. Suas esperanças devem ter o pé fincado no chão, serem compreendidas pelas massas populares, tornar-se concretas, possíveis e vividas no cotidiano. Em qualquer hipótese, é uma longa luta, onde são fundamentais a perseverança, a humildade e o fazer coletivo.

Diz um dos princípios da Rede de Educação Cidadã: Vivência de uma mística da militância e da mudança. Não se constrói o novo sem viver profundamente o que se sonha e o que se constrói. A militância  gratuita, voluntária e cidadã, na celebração e na entrega, é a garantia do novo e do futuro.

A esquerda ainda está a dever, e por fazer,  uma reflexão corajosa da sua relação com o poder. Fugir da institucionalização, necessária em algum momento (depois do namoro e do noivado, costuma vir o casamento), mas sempre perigosa. Renovar o sonho é um desafio eterno. Ficar longe dos vícios do poder que corrompem práticas e utopias. Subverter as estruturas carcomidas e hipócritas, sem vacilar. Saber, sempre, que os adversários e inimigos da transformação social estão permanentemente à espreita, prontos para sabotar e destruir tudo o que cheire a solidariedade, fraternidade, igualdade, soberania.          São os tempos que vivemos no Brasil. Difíceis, perigosos. Reiventar-se é necessário, fazer autocrítica é fundamental, acreditar de novo uns nos outros e nos projetos coletivos é decisivo.

Termino com Gonzaguinha, na voz poderosa de Betânia: “Começaria tudo outra vez,/ Se preciso fosse, meu amor./ A chama em meu peito/ Ainda queima, sabia,/ Não foi em vão…/ A fé no que virá/ E a alegria de poder/ Olhar pra trás/ E ver que voltaria com você/ De novo, viver/Nesse imenso salão./ Ao som desse bolero,/ Vida, vamos nós,/ E não estamos sós,/Veja, meu bem,/ A orquestra nos espera./ Por favor, mais uma vez recomeçar…”

E cantar, e cantar, e cantar, com Gonzaguinha,`Nunca pare de sonhar, Sementes do Amanhã’: “Ontem um menino que brincava me falou./ Hoje é semente do amanhã,/ Para não ter medo que este tempo vai passar./ Não se desespere e nem pare de sonhar./ Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs./ FÉ NA VIDA, FÉ NO HOMEM, NA GENTE,/ FÉ NO QUE VIRÁ./ NÓS PODEMOS TUDO, NÓS PODEMOS MAIS./ VAMOS LÁ FAZER O QUE SERÁ.”

Selvino Heck

Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987/1990)

Em oito de julho de dois mil e dezesseis

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s