Brasil

Síndrome de Washington

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A maior tragédia brasileira, se é que podemos chamar assim, é a ingenuidade geopolítica de boa parte das nossas lideranças. É como se continuássemos acreditando seguir imunes ao “pecado” nesta parte do mundo, como definiu o holandês Caspar Barlaeus. No fundo, trata-se de ilusão de classe mesmo, simpatia disfarçada pelo neoliberalismo e pelos EUA.

O golpe de Estado, ainda em curso, por exemplo, tem clara interferência e orientação dos Estados Unidos e suas agências. Mas não, para as nossas lideranças, o inimigo sempre foi o Cunha, o PMDB, o PSDB, os operadores. Até agora, a versão do golpe ainda é limitada por essa visão paroquial do processo político.

A Operação Lava Jato caiu no colo do juiz Sérgio Moro após as escutas telefônicas ilegais e criminosas da NSA. Nos últimos anos, seletiva e mirando apenas no PT, promoveu a maior destruição da indústria nacional da história do Brasil. No entanto, durante todo o tempo, as autoridades, inclusive as maiores, defenderam um republicanismo suicida.

O Brasil ingressou no BRICS, aliando-se a Rússia, Índia, China e África do Sul, descobriu a maior reserva de petróleo dos últimos anos, e mesmo assim isso foi tratado como algo natural. Em nenhum momento, o povo foi informado desse jogo pesado e preparado para evidentes retaliações futuras. Tudo, claro, em nome da ilusão de viver em um mundo sem disputas.

Agora, quando as eleições americanas são o sinal para disparar o segundo round do golpe, torcem por Hillary Clinton. Moralistas, acreditam em todas as invenções da mídia norte-americana contra o candidato republicano Donald Trump. O que vale é ser “democrata”, mesmo que isso custe apoiar a explosão de uma terceira guerra mundial.

Ocorre que os Estados Unidos faliram depois de 2008, e não conseguem mais manter a hegemonia conquistada após a queda da União Soviética. Russia e China, por outro lado, já declararam o fim do mundo unipolar, impondo suas condições de existência no planeta. Ao que os Estados Unidos tentam resistir, ameaçando abertamente com uma guerra nuclear.

A nova guerra fria (ou seria “quente”?), portanto, chegou e com ela a necessidade de impedir que, mais uma vez, nos dividam em favor de interesses externos. É urgente promover a coesão nacional em torno de um Projeto de Nação que afirme os interesses do Brasil acima de tudo. Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Ernesto Geisel e Lula já demonstraram que podemos ser uma grande Nação.

Ou acordamos para essa realidade, ou não sairemos ilesos do atoleiro em que os golpistas enfiaram o país. A submissão aos rentistas e aos belicistas norte-americanos não tem nada de bom para o Brasil, em nenhum setor econômico ou social. A Nação brasileira é do tamanho do BRICS, tem potencial de desenvolvimento, vocação pela multipolaridade e não pode render-se a miseráveis silvérios dos reis.

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