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O inimigo comum

Fernando Rosa

O mundo não é mais o mesmo depois das últimas eleições norte-americanas que elegeram Donald Trump presidente dos Estados Unidos. Independente do resultado, o tabuleiro da geopolítica mundial sofreu profunda alteração, como não ocorria desde, pelo menos, a Segunda Guerra Mundial. Entender o novo quadro e posicionar-se corretamente dentro dele é o segredo para a sobrevivência de Nações, partidos políticos e mesmo cidadãos.

Em abril, no artigo “O fim do mundo unipolar”, publicado em Senhor X, o cientista político Filipe Camarão afirmava que “as grandes placas tectônicas do mundo” começavam a moverem-se. Identificando a “desindustrialização” e a crise financeira de 2008 entre as principais causas, a análise apontava “o fim dos escombros dos acordos de Bretton Woods que regulavam as relações econômicas e financeiras entre as principais potencias”. “O capitalismo enfrenta a maior crise econômica depois de 1929”, sentenciava o artigo.

Confirmando a análise, a eleição norte-americana não apenas redefiniu o cenário das relações entre países e regiões, como também colocou em cheque o papel de seus principais atores, até então. Em especial, os EUA viram explodir dentro de seu território as contradições produzidas pela política de suas elites em outras regiões e países. A “revolta” eleitoral dos norte-americanos também alertou o mundo para a falência da “globalização”, aplaudida pelas elites políticas e econômicas nacionais.

A reação da mídia pró-Hillary e de George Soros e seus “mercenários digitais” foi imediata, acompanhada pela mídia brasileira. Fragorosamente derrotados, aumentaram ainda mais a octanagem de seu “jornalismo de guerra” e mobilizaram suas neo-milícias noturnas, especialmente onde ganharam as eleições. Tentam inviabilizar Trump e suas propostas de mudanças que contrariam a política neoliberal do consórcio estabelecido entre a grande mídia, o capital financeiro e a indústria bélica.

No Brasil, os reflexos são imediatos, especialmente para os golpistas que perderam a oportunidade de “institucionalizar” a relação com seus patrocinadores diretos. O ministro de Relações Exteriores, José Serra, não apenas duvidou da vitória de Trump, como também, junto ao vice-presidente John Kerry, em solenidade oficial, “abriu” o voto para Hillary Clinton. Nos negócios, as consequências ainda podem ser piores, com o fim dos tratados como Nafta e Transpacífico, nos quais os golpistas amarraram sua estratégia de subserviência aos interesses norte-americanos.

No campo da oposição, setores da esquerda insistem em ver a vitória de Trump como uma “derrota”, superestimando sua figura e subestimando o processo político real. Tratam Trump simploriamente como  “fascista”, quando nenhuma crítica destinaram a “mocinha” Hillary Clinton, criminosa de guerra, instrumento de Wall Street e da indústria bélica. Trata-se de um profundo equívoco não perceber a diferença entre quem defende os interesses de seu país e a distensão militar, em especial com a Rússia, e quem, como Hillary, Obama e Bush destruíram Nações, assassinaram milhares de pessoas e inundaram a Europa de refugiados.

Com a insistência em também desdenhar da vitória de Trump, reproduzem a dificuldade do pensamento mundial em assumir a defesa das Nações frente ao neoliberalismo e a globalização predatória. Ao mesmo tempo, renovam a histórica sujeição de setores da inteligência nacional à “teoria da dependência”, ou sendo menos acadêmico, a simpatia à globalização neoliberal. Assim é na Europa, atualmente, em que a social-democracia assume o discurso pan-europeu e abandona a bandeira das Nações na mão da direita.

Ao expressar nas urnas seu próprio sofrimento, o povo norte-americano expôs ao mundo a existência de uma estrutura de exploração econômica além dos territórios e dos interesses nacionais – uma quadrilha supranacional, com raízes nos EUA, como denunciou Trump (veja o vídeo abaixo). Ao mesmo tempo, pautou a urgência das Nações defenderem suas economias, suas identidades culturais e seus empregos. Mais do que o caminho para a construção de um mundo multilateral, a nova realidade sinaliza avançar para uma união das Nações, incluindo os EUA produtivo e anti-belicista, para derrotar o inimigo comum a todos os povos.

Para enfrentar a crise atual, local e internacional, é decisivo assumir, sem rodeios, a defesa da Nação, e construir uma ampla frente nacional, com um programa capaz de mobilizar todos os patriotas. A participação no BRICS, no Mercosul e na Comunidade Africana já indica o compromisso do Brasil com um internacionalismo solidário, antítese das nefastas teses globalizantes.  Além de discursos inflamados, este é o caminho mais rápido para desenvolver o país de forma soberana e impedir o florescimento do fascismo aqui, nos EUA ou em qualquer parte do mundo.

Um pensamento sobre “O inimigo comum

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