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O PETISMO É MAIOR (Por Selvino Heck)

onda-vermelha-pt                “Estão aí os quatro desafios colocados, 27 anos depois: atualizar a utopia do socialismo democrático; afirmar o partido ao mesmo tempo movimento e instituição como projeto de transformação; refazê-lo no campo ético, onde meios e fins devem estar a serviço da liberdade e da democracia (os fins não justificam os meios; construir um partido plural com unidade de ação em torno de um programa democrático-popular na perspectiva do socialismo democrático através do debate interno e com a sociedade. Este é o caminho, não tem outro, 27 anos depois do 10 de fevereiro de 1980.”

O artigo, cujo parágrafo final está acima, foi escrito em fevereiro de 2007, por ocasião do aniversário dos 27 anos do Partido dos Trabalhadores. Agora, 2017, o PT está por completar 37 anos e está em Congresso, a realizar-se durante o primeiro semestre. A urgência do proposto há dez anos é ainda maior que então. Por isso, surgiu o ‘Movimento o petismo é maior’ (Maiores informações e contatos estão em página no facebook com este nome).

Diz um texto do Movimento: “O petismo é maior que o próprio PT. É uma cultura política de esquerda, que valoriza o compromisso militante e está profundamente comprometida com as principais causas da classe trabalhadora brasileira, a democracia e os sonhos de emancipação, inclusão e participação. Para nós, o PT é fundamental. É a mais importante ferramenta de organização e de luta construída pela classe trabalhadora. Temos acordo de que o PT vive uma crise muito grave, a maior de sua história. Nós queremos reconstruir o PT, mas pela base, com a participação de todas e todos que acreditam no partido: filiados, simpatizantes, intelectuais, trabalhadores. Pela base, isso é o que nos une. Para nós, militantes de diferentes origens e experiências, a tarefas d@s petistas, neste momento histórico, é a de assumir a responsabilidade de reconstruir um PT profundamente democrático, socialista, de massas e de lutas. Pensamos que o PT precisa fazer um profundo balanço dos 37 anos de história, sobretudo das experiências na institucionalidade e nos movimentos sociais, de atualização do programa e da estratégia.”

Em Caderno de outubro de 1989, escrevemos: “Os diversos movimentos populares são também sujeitos coletivos fundamentais antes, durante e depois da consolidação da hegemonia socialista. O PT, enquanto um partido socialista democrático, deve cada vez mais se capacitar para ser um dos sujeitos fundamentais (não o único) capaz de globalizar e educar as diversas forças políticas e populares na consolidação de uma realização humana democrática, superior a qualquer alternativa reformadora do capitalismo.” E o alerta: “O PT precisa também instaurar a questão da ética na política, através de princípios mediados por uma práxis política e social contrária a posturas oportunistas e instrumentalistas que justifiquem o uso de quaisquer meios para a realização de fins pré-concebidos” (Selvino Heck, Hildemar Rech, Gilson Lima, Partido, um enfoque contemporâneo).

Em abril de 1990, eu escrevia: “Sem dúvida, não é fácil construir um partido político. Ainda mais no Brasil, onde há escassa tradição de participação política, onde as elites sempre tiveram medo da democracia e sempre tiveram como regras básicas de sua prática o mandonismo, a corrupção, a demagogia, o assistencialismo e o populismo. Há um longo caminho a percorrer até que a classe trabalhadora recupere sua própria dignidade, reconheça-se como classe trabalhadora e construa um partido político com prática democrática, com participação de massas, com programa socialista incorporado por milhões de trabalhadores. A crítica mútua, a autocrítica permanente são essenciais para que o PT mantenha sua trajetória ascendente e a confiança já merecida da classe trabalhadora e da população como um todo” (Selvino Heck, Elementos para uma ética petista).

Instituições podem amadurecer com o tempo, como podem perder-se na burocracia. Mas sempre têm condição de fazer autocrítica e retornar ao bom caminho. O ‘Movimento o petismo é maior’ quer somar-se ao esforço de, no sexto Congresso e para além dele, construir um partido enraizado e em diálogo com os movimentos sociais e as lutas populares, que empodere a militância e as instâncias de base através de uma dinâmica interna horizontal, politizada, participativa e radicalmente democrática, transparente em relação às finanças partidárias, sem aparelhismos e sem decisões restritas às cúpulas. Um partido capaz de assegurar instrumentos para um permanente diálogo com os setores progressistas da sociedade e com o conjunto das forças políticas de esquerda, bem como um diálogo com as lutas das juventudes, e ampliando as relações com os movimentos sociais e com as lutas populares.

Uma tarefa e tanto para 2017, o sexto Congresso e o próximo período, em tempos difíceis e de governos golpistas e conservadores. Estão convidad@s tod@s aquel@s que acreditam no instrumento partidário, no caso o PT, como espaço fundamental para a transformação, quanto @s que acreditam que um outro mundo, e um outro Brasil, é possível, urgente e necessário.

Selvino Heck

Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990)

Ex-presidente do PT/RS

Em treze de janeiro de dois mil e dezessete

2 pensamentos sobre “O PETISMO É MAIOR (Por Selvino Heck)

  1. è nossa expectativa , mas tambem é nossa maior decepção. No texto apenas o último paragrafo fala de hoje, os anteriores falam de tempos anteriores, onde estão as novas propostas? Estou vendo muitos ex-petistas de carteirinha, de ação, mente e coração buscando caminhos em outras tentativas com REDE e RAIZ.

    Podemos acreditar em quem nos usou e nos excluiu?
    Não seria melhor virar esta pagina e deixá-la para aquelas tendencias ansiosas de poder?

    • Mas aí é que esta. Não há ainda propostas novas, por que temos um legado. E a partir deste legado que precisamos construir o novo. Me parece que o texto do Selvino trabalha com esta possibilidade. Quem vai pra Rede, Raiz ou outra coisa qualquer, esta só pensando em eleições. É preciso ir além só de eleições. É assim que a sociedade muda.Não se vira a página e se esquece o que esta escrito nela. É preciso preservar o legado.

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