Lula

Loucura? Não! Dever cívico contra a ditadura da JustiSSa!

 

Por Luiz Fernando Leal Padulla*

Há horas de partir, senti um misto de euforia e medo. Queria ir, mas ao mesmo tempo seria difícil sair pela primeira vez de casa, sozinho, e deixar em casa meus cães e a recém adotada gatinha cega que requer cuidados especiais – mesmo sabendo que minha esposa cuidaria deles. Paralelamente, ainda tinha que faltar do serviço, uma vez que justo nesta semana as escolas haviam retomado com a semana de planejamento.

Fantasmas me atormentavam por uns instantes, enquanto o momento do embarque chegava. Combatendo-os, lembrei-me da abnegação e espírito guerreiro de Che e Marighella. Junto disso, as redes sociais me encorajavam e animavam cada vez mais com as demonstrações de cidadania de gente de todos os cantos do país que rumavam para Porto Alegre. Por fim, não recuei. A pátria precisava de mim também; mais um guerreiro, um filho que não foge à luta. Uma gota para tornar a onda vermelha da justiça maior.

E lá fui. Em meio às incertezas e receios, o dever e a coragem.

Não fui por mim. Fui por tod@s.

Mas por que se sujeitar a isso? Talvez seja a pergunta que tantos nos fazem – e nós mesmo chegamos a nos indagar. Depois de 18 horas dentro de um ônibus, arrumar o acampamento e sair em seguida para o Ato na Esquina Democrática junto aos mais de 80 mil em uma caminhada de 8 km. Voltando, dormir no chão, debaixo de uma lona estendida em uma árvore, lutando contra pernilongos, sem banho, sem luz.

Para mim, apenas uma noite. Para tant@s outr@s, mais uma noite assim. Quantos não são @s sem-terra e sem-teto que vivem essa rotina? E é justamente por eles que nos sujeitamos a isso.

A vigília apenas começara. O cansaço era tanto que nem os pernilongos foram capazes de impedir o sono. A medida que o sol raiava, o acampamento despertava e já se preparava para mais um dia de resistência.

Conheci muita gente. Vi muita gente. Desde crianças, filhos de companheiros do MST e tantos outros movimentos sociais, até idosos. Senhores e senhoras com mais de 80 anos, amparados por bengalas e trazendo a marca da luta em suas faces, mas sem jamais perder a ternura e a disposição em lutar com o sorriso doce no rosto.

Conheci guerreir@s que viajaram de ônibus do longínquo Piauí até Porto Alegre – mais de 4 dias dentro de um ônibus. Ao ouvir isso, pensei comigo mesmo: “o que são minhas 18 horas perto disso?”.

E muito me emocionou em saber que muitos que ali estavam, não esqueceram suas raízes humildes. Conheci gente que nasceu em assentamento e, graças às políticas públicas dos governos Lula e Dilma, puderam estudar e construir uma vida melhor. Essas mesmas pessoas estavam entre nós, com a mão na massa, ajudando a erguer barracas, a cozinhar para os mais de 30 mil acampados. Pessoas que poderiam estar no conforto de suas casas, sem enfrentar o sol escaldante da capital gaúcha. Mas não. Sabiam de seu compromisso como cidadãos e cidadãs.

Vi gente humilde, mas não vi nenhum pobre, afinal ali estavam pessoas dotadas de riqueza ímpar. Riquezas essas que podem ser definidas como empatia, gratidão e solidariedade.

O resultado, de certa forma, foi o esperado. Afinal, desde sempre foi essa a postura da Justiça (sic) brasileira: perseguição política e seletividade. Como bem diz Paulo Henrique Amorim, é a JustiSSa, tal como nos tempos sombrios da escalada nazista. Como bem alerta Hernán Gómez Bruera no “The New York Times”, as atitudes tomadas pelos desembargadores (sic) do TRF-4 geram um “conjunto de perigosas práticas legais que criam um estado de exceção típico dos regimes autoritários”, rompendo definitivamente com o Estado Democrático de Direito.

Três canalhas que sustentaram arbitrariedades do canalha-mor, com base em base muitas ilações e convicções…sem qualquer tipo de prova! O tribunal que virou um circo, onde o palhaço é o povo brasileiro.

Horas depois da provocativa sentença aumentada para 12 anos e 1 mês – em clara alusão ao “13” do PT, assim como o juiz (sic) Sérgio Moro fez ao sentenciar os 9 anos, em referência ao codinome que dava à Lula, de “Nine” – eis que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge (aliada dos golpistas PMDB/PSDB), na surdina, enquanto todos se atentavam ao julgamento (sic) do TRF-4, decide pelo arquivamento do inquérito contra o tucanalha José Serra, que respondia pelo recebimento de caixa dois na campanha presidencial de 2010.

bandnews

Enquanto o mundo denuncia a ruptura democrática em curso desde o golpe parlamentar de 2016, por aqui a mídia oligárquica segue seu curso alinhado com os golpistas, alienando o povo e ignorando os fatos, plantando a perigosa semente de que “é tudo culpa do Lula/PT”. Além disso, como mágica, não se vê mais a indignação dos “moralistas contra a corrupção”. O silêncio era (e é) ensurdecedor! Analfabetismo político ou mau-caratismo?

Um país que caminhava para o futuro, de repente se vê em caminhada retrógrada, onde juízes posicionam-se publicamente contra Lula e seu partido, antecipando inclusive sentenças e posando com seus aliados políticos. Um país que saíra do mapa da fome e era a 6ª economia do mundo, de repente caminha a passos largos à famigerada realidade da década de 90.

Mais uma fase do golpe midiático-parlamentar-judiciário se concretizava. Mas como sempre, não temos tempo para lamentar. A luta, apesar de desigual, é constante, diária, incessante. Mesmo cansados, já nos motivávamos a seguir na trincheira, com a necessidade de avançarmos, sem qualquer possibilidade de recuar. A mobilização é permanente.

Para aqueles que ainda acham que a questão em jogo é apenas Lula, com o tempo a verdade se revelará de forma impossível a continuarem cegos. E quando esse dia chegar, teremos ainda mais orgulho de lembrar que sempre estivemos do lado certo da história!

Por Lula, pela Democracia, pelo Brasil, pelo povo!

 

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências

2 pensamentos sobre “Loucura? Não! Dever cívico contra a ditadura da JustiSSa!

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