Eleições

Neste momento, pesquisa indica favoritismo de Haddad, aponta Marcos Coimbra

“O fato de Bolsonaro ser o principal candidato do antipetismo apenas mostra aquilo em que o antipetismo se transformou, uma proposta apenas de ser contra alguma coisa”, diz sociólogo
marcos coimbra

Coimbra lembra que sempre existe um “componente de incerteza”, mas hoje é menos provável que haja alguma surpresa

São Paulo – Sem deixar de considerar a possibilidade de surpresas, o presidente do instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, afirma que neste momento o candidato favorito na eleição presidencial é Fernando Haddad (PT). “Eu não tenho bola de cristal, mas eu acredito em pesquisa. E as pesquisas estão indicando que o favorito no segundo turno é a candidatura de Haddad, que representa essa proposta de continuidade de projeto que eleva o desenvolvimento social”, afirma Coimbra, em entrevista aos repórteres Ana Rosa Carrara, da Rádio Brasil Atual, e Vitor Nuzzi, da Rede Brasil Atual.

“E eu acho que tem uma grande chance, não diria que uma continuidade stricto sensu, mas de que essas opções fundamentais sejam preservadas num governo do Haddad, que hoje é o cenário mais provável. Não é certeza, é uma questão de probabilidade”, acrescenta Coimbra. As declarações foram feitas após a participação do sociólogo no programa Entre Vistas, da TVT, gravado na semana passada e que irá ao ar nesta terça-feira (25).

A duas semanas da eleição, Coimbra lembra que sempre existe um “componente de incerteza”, mas hoje é menos provável que haja alguma surpresa. “O cenário que temos hoje não é um cenário que surgiu de repente e, por isso, pode sumir de repente. Esse cenário, de PT contra Bolsonaro, está configurado há mais de um ano. Não é fluido, não é instável. É uma polarização já bem enraizada no eleitorado brasileiro. Existe claramente um pedaço petista, um pedaço antipetista, e mais uma vez a disputa vai ser entre esses dois grandes campos da política brasileira.”

Apesar da forte rejeição como presença notável nesta eleição, ele observa que não é a primeira vez que isso acontece. “Basta lembrar da eleição de 2014, em que a Dilma já enfrentava um problema de rejeição complicado e que tinha a ver com o governo. No caso do Haddad, tem um rejeição pessoal muito pequena. Quem não gosta não é por razões que tenham a ver com ele, talvez tenha a ver com o partido, e não tem nada a ver com coisas que ele fez ou deixou de fazer na administração. Então, é um problema muito menos complicado”, diz.

A situação de Jair Bolsonaro (PSL) é mais grave, segundo o presidente do Vox Populi. “Ele tem uma rejeição que não é a ele, é ao que ele fala, às propostas que ele defende. Há uma parcela grande da população brasileira que não concorda com teses que ele aparentemente implementaria caso chegasse ao governo”, afirma o sociólogo.

Alienação eleitoral

Para Coimbra, a expectativa do início da eleição, de que haverá “elevadíssimas” taxas de votos em brancos e nulos “em função da percepção genérica de crise na representação, nos partidos”, não está se confirmando. “As pesquisas mais recentes estão apontando para uma taxa de alienação eleitoral (que inclui brancos, nulos e abstenções) que não deve ser muito maior que a média em eleições gerais. Em eleições nacionais, nós temos tido uma taxa pequena. Em 2014, não chegou a 15%. Pode ser que este ano seja um pouco maior, mas nada sugere que seja muitas vezes superior ao que foi em 2014.”

Ele acredita que “houve uma avaliação provavelmente errada” de algumas candidaturas de que uma possível crise no PT abriria espaço para nomes novos no campo conservador. “Não é isso que a gente estava vendo”, afirma, lembrando de candidatos que desistiram ou alguns que resolveram manter-se na disputa e estão terminando tão pequenos como começaram. “É até salutar que pessoas que tenham coisas a dizer resolvam disputar eleições. É muito melhor do que ficar fazendo golpe. É melhor disputar do que atrapalhar quem ganhou o governo, por exemplo. Mas acho que essa pulverização é de certa forma ilusória. Os campos são semelhantes aos que nós tivemos no passado. E o fato de o Bolsonaro ser o principal candidato do antipetismo apenas mostra aquilo em que o antipetismo se transformou, uma proposta apenas de ser contra alguma coisa e na de dizer a favor de quê, vem muito pouco.”

Sobre a chamada e sempre lembrada “terceira via” eleitoral, Coimbra não considera impossível que surja mais à frente. “Apenas o que se pode dizer é que com Lula preservando a admiração, a avaliação positiva, até o carinho que tem junto a um pedaço grande da opinião pública, o petismo ou lulismo vai continuar. E a decisão que ele tomou de manter-se candidato, mesmo nas condições extremamente adversas que está enfrentando e enfrentou ao longo deste ano inteiro, ajudou a manter unificado esse sentimento”, avalia.

O sociólogo considera que a estratégia traçada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrou-se eficaz. “Já no ambiente eleitoral, a construção basicamente coordenada por ele, que unificou quase que por inteiro o campo da esquerda, com o acordo com o PSB nacional, com a atração da Manuela D’Ávila para ser candidata a vice, esse conjunto de movimentos fortaleceu e unificou o campo da esquerda”, diz. “A resposta à unificação de um lado costuma ser a unificação de outro. Não quer dizer que seja sempre assim, que em 2022 tenhamos de ver outra vez a repetição disso.” Segundo ele, um dos que apostou em pulverização foi Ciro Gomes (PDT). “Ele achou que, com o Lula preso, o eleitorado petista ia ficar solto, e ele poderia atraí-lo. Não foi isso o que aconteceu.”

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