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Guerra Híbrida Contra o Brasil: Golpe “Legal”, a Prisão de Lula, Fascismo e Entreguismo (Por Ilton Freitas)


| Por: Ilton Freitas


Não foi sem dificuldades que dei por concluído a poucos dias o meu segundo livro intitulado; “Guerra Híbrida Contra o Brasil: Golpe “Legal”, a Prisão de Lula, Fascismo e Entreguismo.” Na verdade se trata de um projeto mais ousado em relação a minha primeira publicação de 2013, pois nesse novo esforço me propus a buscar nas relações internacionais, mais precisamente na geopolítica as respostas a priori que permitiram a eleição – fraudulenta, à bem da verdade – de um fascista para presidir nosso País. Como consequência dessa tragédia política assistimos o desmonte da Constituição “Cidadã” de 1988 e do estado democrático de direito, das políticas sociais que beneficiaram a população mais necessitada nos governos petistas e o mais antinacional e despudorado entreguismo que fere mortalmente nossa soberania, fazendo-nos regredir à mera condição servil de colônia. 
A rigor o argumento que desenvolvo é de que o desencadeamento do caos (político, institucional e social) no Brasil e seu “gerenciamento” teve como ponto de inflexão as malfadadas “jornadas de junho de 2013”, passando pelo golpe midiático/jurídico e parlamentar que resultou no impeachment de Dilma em 2016, pela prisão ilegal do ex-presidente Lula e na eleição do fascismo neoliberal tão bem expressos na figura do escroque Bolsonaro no ano passado. No entanto todos esses eventos não são independentes. Ao contrário. Entre eles há unidade, coerência e propósitos. Há “método na loucura”. E a chave para a compreensão desses fenômenos aparentemente desconexos é a “Guerra Híbrida”, que consiste na abordagem adaptativa da guerra (indireta) do imperialismo anglo-americano para o século XXI. 
Sendo assim disponibilizo no meu blog a Introdução do livro, que possui três capítulos. Os dois primeiros são dedicados ao debate teórico entre as principais correntes do pensamento geopolítico ocidental na perspectiva do imperialismo e como percebem América Latina e Brasil. E na discussão e aprofundamento do conceito de Guerra Híbrida, sobretudo considerando as pesquisas e insights de um dos mais brilhantes analistas de relações internacionais contemporâneos, o russo Andrew Korybdo. Por fim, e à luz do conceito de Guerra Híbrida analiso os acontecimentos em nosso País que resultaram na eleição de Bolsonaro e do projeto fascista neoliberal. 
Oportunamente farei o pré-lançamento do livro através desse blog e o lançamento propriamente num evento público que divulgarei com antecedência. Grato pela atenção e deem uma conferida na Introdução.
Saudações, 
Ilton Freitas 

Introdução
A eleição fraudulenta[1] de Jair Bolsonaro em 2018 para a presidência do Brasil não foi um fenômeno isolado e muito menos surpreendente. A rigor, se tratou do estágio avançado de um modelo pré-concebido de golpe de estado ou, se quisermos, de contrarrevolução. A eleição do candidato de extrema-direita foi uma continuidade de uma sucessão de eventos que só na aparência sugere independência e desconexão. Houve um fio condutor que uniu todas as pontas e confere ao “conjunto da obra” uma sinistra narrativa. O “método na loucura” que criou as condições para a eleição de Bolsonaro foi a “Guerra Híbrida . O império anglo-americano e seus associados, ameaçados pela emergência de um mundo multipolar no século XXI, desataram em diferentes latitudes, uma estratégia de intervenções indiretas tendo em vista a desestabilização de governos e regimes não alinhados com os interesses econômicos e financeiros hegemônicos. Os “guerreiros híbridos” sustentam que a desestabilização de governos nacionalistas e populares deve ser precedida pelo “caos” econômico, social e institucional. Sendo assim o gerenciamento da desordem deve promover o surgimento de “possibilidades ilimitadas” para derrotar governos hostis, suas principais lideranças e desorganizar nações ao ponto de as converterem em “estados párias”, como tragicamente sucedeu à Líbia pós-Muamar al Khadaffi[2].

Mas como a “Guerra Híbrida” foi aplicada no Brasil ao ponto de resultar na eleição de um escroque como Bolsonaro, um militar aposentado precocemente como capitão e parlamentar de mandato pífio de 28 anos opacos, praticamente sem apresentar projetos legislativos? De acordo com o conceito, “Guerra Híbrida” diz respeito ao confronto indireto e no seu estágio inicial persegue objetivos “intangíveis”, isto é, “corações e mentes”. Fundamentalmente perseveram com psy ops [3] para a lavagem de cérebros e operações calibradas de “guerra de informação” se utilizando da mídia empresa e de redes sociais. Prosseguem até provocar um “enxame” de manifestações multitudinárias de descontentamento e de hostilidades às lideranças governamentais e populares representativas. Tais mobilizações fabricadas podem resultar em “Revoluções Coloridas”[4] que paralisam o governo-alvo ou que criam as condições para a sua deposição mediante mecanismos pseudo-legais, ou por métodos violentos.

Recordemos alguns eventos “independentes” e que, se reunidos tal qual um jogo de “quebra-cabeça, sugerem planificação, coerência, método e unidade. Como se sabe nada é por acaso e sempre “dois mais dois são iguais a quatro” no mundo lógico das operações planejadas por agências de inteligência. Todos lembram das denúncias de espionagem sobre a Petrobras reveladas em julho de 2013, por um dos mais famosos “whistleblowers“[5] contemporâneos, o norte-americano e ex-analista da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA), e exilado político em Moscou, Edward Snowden[6] . Pouco antes das denúncias de Snowden, no final do mês de maio daquele ano ocorreu uma visita oficial do ex-vice-presidente norte-americano, Joe Biden, a presidente Dilma Roussef. Coincidentemente após a visita de Biden ocorreram protestos de rua em várias capitais brasileiras, que posteriormente se tornaram conhecidos como as “jornadas de junho”.

Com não eram apenas por “vinte centavos de reais”[7], milhões de brasileiros foram levados às ruas estimulados pelas exortações da mídia-empresa nativa “contra a corrupção”. Na ocasião, as redes sociais se converteram em pontos de contato e de organização dos grupos e “lideranças” das manifestações. As motivações dos protestos, inicialmente difusas contra a política em geral e a “corrupção dos políticos” em particular, acabaram canalizadas contra o governo federal e em muitas grandes cidades ocorreram episódios de violência inaudita, em que bandos, de forma intencional, perpetraram caos e badernas. Por seu turno, as manifestações guardavam semelhança com processos de desestabilização de regimes contra governos desalinhados aos interesses das grandes potências do Ocidente, como as que ocorreram na ex-Iugoslávia no final dos anos 1990, nas ex-repúblicas soviéticas como Geórgia e Ucrânia respectivamente em 2003 e 2005; na Líbia, Tunísia e Egito em 2011, novamente Ucrânia 2014, e na tentativa de destruição do governo do presidente Bashar al Assad, da Síria, a partir de 2015.

Convém relembrar que a aprovação de Dilma antes das “jornadas de junho”, ultrapassava 70% (setenta pontos percentuais) nas menções ótimo, bom e regular[8] , apesar das opções questionáveis na condução da política econômica de seu governo como, por exemplo, as desonerações fiscais e o represamento dos preços das tarifas de energia. Entretanto era um governo apoiado pela maioria da população e comprometido com a manutenção das políticas públicas de enfrentamento às desigualdades sociais, que remontavam aos governos do ex-presidente Lula (2003/2006 e 2007/2010). Decerto que as violentas manifestações prosseguiram por aqueles dias com o destacado e reiterado apoio midiático. E ao fim do mês de julho de 2013, a aprovação do governo desabara para pouco mais de 30% (trinta pontos percentuais)[9].

Mas diminuir a popularidade do governo Dilma era apenas um entre outros objetivos da “Guerra Híbrida”. Era necessário desgastar a imagem de um País que se tornara referência internacional no combate às desigualdades, governado por um partido de esquerda, com uma política externa independente e soberana e uma nação promissora do ponto-de-vista econômico. Sendo assim, assacar contra a “incompetência” do governo do Brasil em organizar a Copa do Mundo de Futebol de 2014, era um mote perfeito para golpear o “Soft Power”[10] de uma nação relevante. A estratégia dos que conspiraram contra o Brasil se demonstrou clarividente nas redes sociais, a partir de vídeos produzidos provavelmente por agências estrangeiras de inteligência. Alguns destes vídeos foram visualizados e compartilhados por milhões de incautos cidadãos brasileiros. O conteúdo repetia sempre a mesma ladainha contrária à organização da Copa do Mundo no Brasil com vídeos muito bem produzidos exibindo jovens brasileiros “residentes” nos EUA, falando em inglês e demonstrando o “absurdo” de uma Copa ser sediada por um país com tantos problemas sociais. Martelavam a mensagem: “Não Vai Ter Copa”, que se transformou na famosa hashtag[11] #naovaiTercopa, responsável por milhões de compartilhamentos.

Inspirados pelas “redes sociais de guerra”[12] os protestos robusteceram por ocasião da Copa das Confederações, evento esportivo organizado pela FIFA[13] , em 2013 um ano antes no país-sede da Copa do Mundo. E embora este torneio internacional tenha sido realizado com notória organização e sucesso em 2014, o fato é que o monumental “laboratório” de engenharia sócio-política em que consistiram as manifestações de “junho de 2013”, deu aos planificadores da desestabilização do governo Dilma a plena convicção da possibilidade de uma mudança de regime e de operar um golpe de estado.

A campanha presidencial de 2014 sinalizou o tom de como a oposição de direita, comandada pelo PSDB à época, se preparava para enfrentar um resultado eleitoral que não fosse outro se não a vitória de seu candidato, o senador tucano Aécio Neves. A vitória de Dilma, por pouca margem, não esmoreceu o ímpeto golpista da oposição, expressando a visão antidemocrática de setores empresariais dependentes e subordinados aos interesses do império anglo-americano.O pronunciamento do candidato derrotado, Aécio Neves, em 05/11/2014, na tribuna do Senado, foi a senha para o acirramento da luta política e para demarcar que o governo reeleito não governaria. Tudo indica que o staff da presidente Dilma não fez a leitura correta dos desafios gigantescos que adviriam de um processo de “regime change” em marcha, sendo as eleições presidenciais de 2014, apenas um episódio ou somente uma batalha de “uma guerra de movimento” no mais genuíno sentido gramsciano[14] com chave à direita. De 2015 em diante as condições para a deposição do governo aumentaram de forma vertiginosa.

As manifestações quintas-colunas de “cidadãos de bem” protestando contra a corrupção dos “governos do PT” com camisetas verdes amarelas da seleção de futebol da suspeita CBF[15] , protagonizaram um macabro réquiem à democracia brasileira no fatídico ano de 2016. As exteriorizações multitudinárias contavam com o apoio, mobilização e cobertura da mídia corporativa, criando o cenário para a consecução do golpe parlamentar comandado pelo latro deputado federal, Eduardo Cunha/PMDB, então presidente da Câmara dos Deputados, com sabotagens como pautas bombas e adiamento de votações. Por meio de um expediente constitucional legítimo, que é o impeachment, montaram uma grande farsa respaldada por quem deveria defender a Constituição, no caso o próprio Supremo Tribunal Federal, o STF.

Ocorreu, portanto, e sucessivamente a partir das “jornadas de junho” de 2013, do não reconhecimento por parte da oposição do resultado das eleições presidenciais de 2014, da obstrução legislativa contra o governo reeleito no Congresso Nacional, e da destruição da cadeia produtiva de petróleo e gás através da farsesca operação de combate à corrupção, a “lava jato”[16]. Do impeachment ilegal da presidente Dilma em 2016, da prisão criminosa do ex- presidente Lula com seu impedimento ilegal para concorrer às eleições presidenciais de 2018, culminando com a eleição fraudulenta de Bolsonaro, houve um roteiro não revelado mas devidamente planejado e executado por meio do “gerenciamento do caos” e de suas “imprevistas” evoluções.

É mister remarcar que toda a sucessão de eventos ocorridos no Brasil entre as jornadas de junho de 2013, o encarceramento do ex-presidente Lula e a eleição de Bolsonaro, cinco anos depois, devem ser compreendidos a partir de uma chave potente, que é o contexto geopolítico contemporâneo. Com o alvorecer de um mundo multipolar em que a hegemonia do império anglo-americano é abalada pelo crescimento econômico da China e pelo ressurgimento da Rússia como rival no campo militar, é fundamental explicitar os conceitos geopolíticos que nortearam e ainda influenciam as potências ocidentais. Sobretudo, os fundamentos geopolíticos que embasaram o império britânico no século XIX, e de seu sucessor no pós-guerra, o império anglo-americano.

No plano e nos limites desse livro se intenta demonstrar que o Brasil esteve e está no centro de um rearranjo geopolítico de abrangência global, o que explica a mudança de regime no país, através de um golpe de estado parlamentar, empresarial, midiático e judicial e de seu retorno a uma condição proto-colonial a partir do governo Temer e da assunção do governo Bolsonaro. Sendo assim, no primeiro capítulo consideramos importante tomar como ponto-de-partida a discussão de autores clássicos da geopolítica ocidental. Decerto que os termos dos conflitos entre a “potência marítima” e a “potência terrestre” problematizados no século XIX, por Alfred Mahan (1840-1914), e ampliados por Half Mackinder (1861-1947) no século seguinte, passaram por reelaborações ao longo do tempo até a produção da ampla síntese de Zgbienew Brzezinsky (1928-2017), o ex-assessor do presidente norte-americano, Jimmy Carter, do Partido Democrata. Brzezinsky, nos anos 1980, expressou admiração pela guerrilha Talebã, no Afeganistão, que viria a depor o governo laico pró-russo e instaurar uma república islâmica. Ademais, Brzezinsky é o autor do célebre “O Grande Tabuleiro Mundial: Primazia Americana e Seus Imperativos Geoestrategicos”, publicado em 1997. O livro desenvolve o argumento acerca da importância em desestabilizar a periferia de países do então estado soviético russo, para fins de defesa dos interesses imperiais. Cumpre afirmar que, para os grandes teóricos geopolíticos do Ocidente, a América Latina e o Brasil em particular, foram considerados regiões periféricas do grande jogo, posto que o proscênio das grandes disputas foi e é a região eurasiana e seu entorno próximo[17] . Contudo, em virtude da notória decadência do império anglo-americano, ilustrada mediante a perda de influência no Oriente Médio a partir do desenlace dos acontecimentos na guerra da Síria, se deve considerar a hipótese de que o braço executivo do império, o governo norte-americano, não hesitará em recuperar a influência na América Latina. Nessa perspectiva os governos progressistas da região deverão ser enfrentados, derrotados por todos os meios e substituídos pelos representantes das velhas oligarquias entreguistas e antinacionais. Entre outros países, como o Chile e a Argentina, o Brasil parece confirmar dramaticamente essa perspectiva.

Se no primeiro capítulo refizemos – grosso modo – a moldura de conceitos e de visões abrangentes da geopolítica imperial, no segundo capítulo reservamos ao aprofundamento do conceito de “Guerra Híbrida”, que consiste na tática e na estratégia do conflito indireto para fins da manutenção do dominus imperial. O conceito de “Guerra Híbrida” é desenvolvido por um dos melhores analistas russos de política internacional, Andrew Koybdo. A obra de Korybdo – felizmente já traduzida para o português[18] – consiste em trazer para o debate público os métodos empregados pelo império anglo-americano para preservar seus interesses num mundo que transita da unipolaridade para a multipolaridade. Korybdo demonstra como o conceito de “Guerra Híbrida” deriva em parte dos aportes do ex-professor de Harvard e ex-colaborador da CIA, Gene Sharp, autor do livro “Da Ditadura à Democracia”, publicado em 1994. Sharp contribuiu teoricamente para o desenvolvimento das “Revoluções Coloridas” propondo técnicas de desestabilização de governos por “meios pacíficos”. Mas a “Guerra Híbrida” também pode se valer da “Guerra Não- Convencional”. No limite, quando a “Revolução Colorida” fracassa os estrategistas do império e aliados locais podem lançar mão de atentados com falsa bandeira, grupos paramilitares, guerrilhas, atos violentos e outros meios belicosos que escalem a desordem generalizada ao ponto de promoverem a deposição brutal de um regime, de um governo e de suas principais lideranças.

Por fim, no capítulo derradeiro e nas considerações gerais, abordamos a situação do Brasil à luz do conceito da “Guerra Híbrida”. Partimos da premissa que o reposicionamento e crise mundial do projeto de dominação do império anglo-americano, antes de enfraquecer suas alianças e interesses na América Latina, ameaçam os povos da região. Posto que as elites rentistas e de setores empresariais subordinados são incapazes de formular um projeto de desenvolvimento autônomo para a região, o que lhes resta é a submissão e a adoção de uma pauta econômica e política de sujeição e de entreguismo. Sobretudo promovendo a entrega das imensas riquezas naturais e do patrimônio público às grandes corporações transnacionais e ao capital especulativo financeiro. A combinação da decadência do império anglo-americano, com o caráter subordinado de amplos setores das elites empresariais latino-americanas, está na origem da onda regressiva que sacode o continente e que por meio da “Guerra Híbrida” tenta aniquilar todo e qualquer projeto de desenvolvimento autônomo local. Pretende condenar nossos países à condição de meros vassalos dos interesses imperiais, e sujeitar suas populações à precariedade típica das sociedades nas quais os direitos sociais e as liberdades cívicas foram banidas. Todos os projetos políticos e lideranças independentes que expressem um projeto político e econômico autônomos devem ser devastados por meio da “Guerra Híbrida”. O golpe parlamentar de 2016, o encarceramento de Lula e a fraudulenta eleição de Bolsonaro em 2018 não são meras catástrofes políticas locais, são objetivos de “guerra”, de reorientação geopolítica através de um novo e sofisticado tipo de intervenção imperial nos destinos de uma nação.

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[1] Como afirmou o diretor-presidente do Instituto de Pesquisa Vox Populi, Marcos Coimbra, na edição digital do jornal Brasil247, de 08/03/2019, a eleição de Bolsonaro foi fraudulenta posto que o candidato favorito, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi impedido de concorrer à margem do que assegura a legislação. Pois seu processo não foi julgado pelas cortes superiores sem haver o trânsito em julgado. Ademais os coordenadores de campanha de Bolsonaro apelaram ao financiamento ilegal de campanha (denunciado formalmente junto ao TSE) para bancar o emprego à rodo das famigeradas “fake news”, via WhatsApp e outras redes sociais para atingir moralmente a candidatura petista de Fernando Haddad. N.A.
[2] A Líbia pós-Gadhaffi não se trata mais de uma nação, posto que deixou de ser um dos países mais prósperos da África. O território do país foi fatiado entre a Al-Qaeda e grupos tribais rivais após os bombardeios da OTAN, em 2011. A infraestrutura da Líbia foi destruída junto com sua liderança e forças de segurança. N.A.
[3] Operações psicológicas (PsyOps) de agências de inteligência norte-americanas são largamente empregadas tendo em vista manipular populações por meio de falsas informações, da geração do terror e outros mecanismos que podem aumentar a hostilidade de setores populares ao governo-alvo ou que provoquem desequilíbrio psíquico e pânico social produzindo como resultado desejado a inação. Moniz Bandeira , de saudosa memória, faz referência em seus livros como “A Desordem Mundial e o Espectro da Dominação Total”, de 2016, acerca dos mecanismos das “Psy Ops” e seu emprego. N.A.
[4] As “Revoluções Coloridas” consistem em manifestações populares manipuladas a partir de demandas sociais legítimas contra a carestia, o autoritarismo e a corrupção. As exigências legítimas funcionam como fachada para traficar os interesses do império anglo-americano e seus aliados locais, visando a desestabilização do regime e governo considerados hostis aos interesses imperiais. Algumas “Revoluções Coloridas” foram “bem-sucedidas” e adquiriram notoriedade, como a “Revolução Rosa” na Geórgia, em 2003; a “Revolução Laranja”, na Ucrânia, em 2005; e a “Revolução das Tulipas”, no Quirguistão, em 2005. As “Revoluções Coloridas” constituem a “etapa pacífica” da mudança de regime. O autor norte-americano Gene Sharp teorizou sobre “as mudanças pacíficas de regime" e forneceu inclusive um manual sobre como desestabilizar um governo “pacificamente”. Seu livro, “Da Ditadura à Democracia”, de 1994, foi traduzido e amplamente “divulgado” no mundo árabe. As “Primaveras Árabes” se utilizaram de alguns dos métodos sugeridos por Sharp, notabilizando-se, como caso mais conhecido, o do Egito de 2011. Há um documentário sobre “Revoluções Coloridas” e sobre a “Primavera Árabe” na Internet, o título é “O Negócio da Revolução”, de 2013, da divulgadora “Journeyman Pictures. ” Os roteiristas do documentário foram didáticos ao desvendarem como foram treinados ativistas árabes e a influência da obra de Sharp nas “Revoluções Coloridas” e na “Primavera Árabe”. N.A.
[5] Whistleblower significa informante, e no contexto usualmente empregado, diz respeito a funcionários graduados de governos ou de grandes companhias que, por drama de consciência, tornam públicas informações confidenciais. N.A.
[6] Um dos mais famosos whistleblowers contemporâneos é Edward Snowden. Ele revelou à imprensa britânica como alguns dos sistemas de espionagem do governo norte-americano são utilizados contra seus próprios cidadãos, além de governantes e cidadãos de outros países. Ele teve que se exilar em Moscou em 2013. Seu drama foi narrado pelo cineasta Oliver Stone no filme que no Brasil foi exibido com o título “Snowden, Herói ou Traidor?”, de 2016. N.A.
[7] Segundo alguns manifestantes em São Paulo, os protestos não se referiam apenas contra a autorização da prefeitura para o aumento de R$ 0,20 nas passagens de ônibus. N.A.
[8] Vide pesquisa publicada pela uol em março de 2013, em que Dilma era aprovada por 79% dos eleitores. Maiores detalhes em https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2013/03/19/dilma-cni-ibope.htm
[9] Vide pesquisa publicada pelo G1 em 25/07/2013 http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/07/aprovacao-do-governo-dilma-cai-de-55-para-31-aponta-ibope.html
[10] Soft Power são termos da língua inglesa que significam poder brando. Nas relações internacionais o Soft Power está associado à capacidade de um Estado ou País em influenciar a comunidade internacional por meios culturais, diplomáticos e ideológicos. N.A.
[11] As “hashtags” são marcadores utilizados nas redes sociais e úteis como etiquetas para a promoção de uma campanha, de um assunto e de um tema relevante para fins de atingir o máximo de compartilhamento. N.A.
[12] “Redes Sociais de Guerra” constituem um conceito caro aos formuladores das ações desestabilizadoras de governos e lideranças hostis através das redes sociais. No Capítulo 2, aprofundamos o tema. N.A.
[13] Federação Internacional de Futebol fundada em 1904, com sede em Zurique, Suíça. N.A.
[14] O grande pensador marxista italiano, Antônio Gramsci (1891-1937), preso pelo regime fascista de Mussolini, na Itália, em 1926, foi um profícuo renovador da teoria política marxiana. A maior parte de sua produção teórica ocorrera por ocasião das agruras do cárcere, e seu legado influenciou toda uma geração de militantes e de organizações de esquerda. As analogias que fez entre conceitos da guerra e da política auxiliaram na compreensão da complexidade da luta política na Europa ao longo do século XX. N.A.
[15] A Confederação Brasileira de Futebol está no centro de pesados esquemas de corrupção relacionados à venda dos direitos de transmissão da Copa do Mundo para a Rede Globo de Televisão. Um de seus ex- presidentes, José Maria Marin, cumpre pena de prisão nos Estados Unidos e seu sucessor, Marco Polo Del Nero, não pôde viajar para fora do Brasil com receio de ser preso. N.A.
[16] Operação policial/ judicial espetacularizada pela mídia sobretudo a partir de 2015. N.A.
[17] Outro importante teórico, Nicholas Spykman (1893-1943), holândes que se radicou nos Estados Unidos considerava que estratégico era o controle dos países circundantes da Eurásia, e que lhe davam o acesso. Ele se referia, sobretudo, aos países do leste europeu. Para Spykman o controle da “Rimland”, ou, do anel interior, era essencial no contexto geopolítico delineado nos marcos da Segunda Grande Guerra. N.A.
[18]  Guerras Híbridas: Das Revoluções Coloridas aos Golpes”, Expressão Popular, SP, 2018. N.A.

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