Porto Alegre

Porto-alegrense gasta 23% do salário mínimo com transporte e empresas de Ônibus querem mais 10% de aumento na tarifa

Morador da Capital arca com 74% da sua despesa com transporte para trabalhar

Morador da Capital arca com 74% da sua despesa com transporte para trabalhar

Marchezan tentou jogar nas costas dos trabalhadores e assalariados da Classe Média o custeio do Transporte Coletivo em Porto Alegre, o que elevaria ainda mais este percentual sobre o Salário Mínimo. Leia mais no artigo Tarifa Zero: motoristas de app e trabalhadores pagam a conta, empresários lucram mais e também o artigo Marquezan mentiroso clicando nos links.

E leia a seguir matéria do Jornal do Comércio com dados sobre o mesmo tema:

Ainda que abranja diversos pontos de discussão, a questão envolvendo o transporte público passa diretamente pelo bolso da população. Diversos estudos recentes apontam o aumento do peso do custo do transporte para as contas do usuário. De acordo com análise do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em outubro de 2019, por meio da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), o brasileiro que mora na zona urbana gasta 17,9% dos seus rendimentos com transporte. No Rio Grande do Sul, o percentual é de 15,3%.A pesquisa do IBGE, porém, não diferencia o transporte público do pessoal, análise realizada pelo Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP). De acordo com o trabalho da entidade, disponível no site da Plataforma Mobilidados (https://mobilidados.org.br/), o comprometimento da renda de um salário mínimo com o transporte público em Porto Alegre foi de 20% em 2017. Utilizando o mesmo cálculo realizado pelo ITDP (tarifa do transporte multiplicada por 50 viagens mensais dividido pelo salário mínimo do mês), a reportagem calculou que o percentual de 2019 subiu: no ano passado, o porto-alegrense alocou 23,5% da renda de um salário mínimo para se locomover pela cidade utilizando o transporte público.No mesmo sentido, uma análise do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese) divulgada em janeiro deste ano, mostra que o trabalhador porto-alegrense arca com 74% da sua despesa com transporte para trabalhar. A renda mensal perdeu poder de compra quando se fala em transporte. O salário mínimo não teve índices de aumento semelhantes ao da tarifa. Em 2014, um mínimo comprava 245,4 passagens de ônibus na Capital, no ano passado conseguia adquirir apenas 212,3.

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O peso do custo do transporte nas finanças da população aumentou significativamente nos últimos 25 anos. O mesmo estudo do Dieese aponta que, de 1994 a 2019, o valor da tarifa de ônibus de Porto Alegre registrou um aumento de 1.170,27%. O percentual é mais que o dobro da inflação do período (dezembro de 1994 a dezembro de 2019) que foi de 438,4%, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). “Cabe ainda destacar que no mesmo período, os salários dos motoristas nem de perto acompanharam o ritmo de aumento das tarifas. O reajuste acumulado do piso dos motoristas foi de 515,13%”, aponta o Dieese.

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Outra comparação das variações que pode ser feita é com a cesta básica, que conta com os itens essenciais para a subsistência de uma família. De 1994 a 2019, a cesta básica de Porto Alegre aumentou 542,5% – de R$ 78,80 para R$ 506,30. O percentual é menos da metade do aumento das passagens de ônibus na Capital calculado pelo Dieese.

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Para Beatriz Rodrigues, coordenadora de Transporte Público do ITDP, o custo da tarifa é um dos fatores determinantes para a decisão do usuário em usar ou não o sistema de ônibus. “Vou dar um exemplo: o gasto médio de uma trabalhadora doméstica com a tarifa de transporte público em Porto Alegre pode chegar a 19%. Esse é um valor muito alto do quanto se está contribuindo do seu próprio salário”, observa.Para a engenheira civil, porém, mais do que discutir o valor da tarifa em si, é necessário debater o arranjo tarifário como um todo, que envolve a existência de vias exclusivas para o transporte público, entre outras medidas. “Quando falo em arranjo tarifário, falo em integração do sistema de transporte, falo em modelo de financiamento da operação do sistema. Tem-se, em prática, ainda, o financiamento exclusivamente com a arrecadação tarifária quando, na verdade, os principais beneficiados do transporte público vão muito além desse público específico”, destaca.

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