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Como Luciano Hang controla sua cidade em SC e a mão dele no impeachment do prefeito (Por Renan Antunes)

Por Renan Antunes no Diário do Centro do Mundo

Luciano Hang com a camiseta de seu time, o Brusque FC

Quem conta é a jornalista Lucimara Cardoso.

O telefone tocou no gabinete do prefeito de Brusque Paulo Eccel, do PT, em fins de 2014. Do outro lado da linha estava o maior empresário da cidade, Luciano Hang – hoje dono da rede Havan e de uma fortuna estimada em 2,2 bilhões de dólares, quase 10 bilhões de reais.

Até aí nada demais, mas o teor do telefonema mudou a história da cidade. Levou Eccel à cassação em 31 de março do ano seguinte – Luciano estava furioso com uma pequena obra municipal que supostamente afetaria seus negócios.

Foi quando ele deslanchou uma onda de fake news até impichar Eccel.

Aquele dia começou normal. Luciano convidou jornalistas e empresários da Associação Comercial e Industrial de Brusque para um sobrevoo perto de sua sede administrativa e da megaloja adjacente, na BR que liga Blumenau a Brusque.

Quando desembarcou a turma no seu quartel general teve um surto e começou a falar mal do prefeito. O alvo era uma ciclofaixa na frente dos seus negócios, que ele não queria – era para ter acesso livre a seu empreendimento.

Luciano deu um pulo entre o empresariado que estava num sofazão e ficou de pé, apoiado no espaldar. Ligou para o prefeito.

Antes é preciso explicar um tiquinho quem é Eccel. Oriundo das comunidades eclesiais de base da Igreja Católica, parece um padre no tratamento das pessoas, sempre ouve todo mundo e jamais se exalta.

Foi eleito em 2009 e reeleito em 2012, derrotando o candidato de Luciano.

A acusação que o cassou no TRE foi de gasto excessivo na propaganda eleitoral. Quem conduziu o processo na Câmara de Vereadores foi o advogado de Luciano.

O ex-prefeito de Brusque Paulo Eccel

Vamos ao telefonema?

O prefeito atendeu e botou no viva-voz para seus auxiliares. Do outro lado, Luciano exigia a retirada da ciclofaixa e das lombadas da frente de sua megaloja.

A fúria era desproporcional ao problema – os empresários que estavam do lado de Luciano se surpreenderam com a atitude, mas não deram um pio.

Os lojistas contaram que ele falava de pé no sofá, aos berros, exibindo sua autoridade – parecia que ele era o prefeito.

Eccel tentou argumentar. Não adiantou.

Disse que falaria com o secretário dos Transportes para ver o que seria possível fazer: “Eu não tô pedindo para conversar, estou mandando demitir o cara e desmanchar as obras imediatamente” – quem o viu descreve Luciano com a mão no bocal, agitado, saboreando a reação do adversário.

O prefeito o enfrentou, manteve a calma e achou que o caso estaria encerrado. Pouco tempo depois sofreu sua pedalada fiscal na Câmara de Vereadores e foi impeachado, em manobra estimulada por Luciano. Se ele conseguiu o impeachment, não admira que todo mundo na cidade tenha medo dele.

Desfecho? A decisão do TRE que cassou Eccel foi revogada no STF em 2017, já depois do fim de seu mandato. Passaram-se oito anos da sacanagem e ele já está elegível outra vez. Vai concorrer contra o candidato de Luciano. 

Luciano costuma dizer que é “um ótimo amigo e um péssimo inimigo, porque despeja sua ira sobre os inimigos numa guerra sem fim” – como fez com Eccel. Os assessores do ex-prefeito evitam o confronto direto porque “não dá para cutucar leão com vara curta, ele tem um imenso poder de fogo”.

De onde ele tira seu poder? Não é da política. É do dinheiro.

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