CoronaVírus/Rio Grande do Sul/SAÚDE

No RS “protocolos para abrir escolas estão defasados” diz Reitora, e casos de COVID-19 vão aumentar

Eduardo Leite é infectado pelo Bolsonarismo, chuta o tal “Comitê Cientifico” que ele mesmo tinha criado e manda Professores e alunos as escolas enfrentarem o Vírus da Morte.

Do nada, trocou a cor das tais bandeiras, de Preta para Vermelha por decreto. No artigo Lockdown no RS: Eduardo Leite se enrola e tropeça nas bandeiras que criou a pedido da gente dele, que publiquei em julho de 2020, este humilde blogueiro já mostrava que as “bandeirinhas coloridas” do Eduardo Leite eram uma farsa e uma anestesia, para que as contaminações e mortes não viessem de supetão, mas “a prazo” mais longo. Não deu outra.

Tinha até um “Comitê Cientifico” a lhe respaldar a farsa, para que ele pudesse se diferenciar de Bolsonaro.

Mas não tem ciência que resista a empresários e a elite retrógrada guasca que sustenta canalhas com o único objetivo de “não deixar voltar o que tinha antes”, como disse o Presidente da FIERGS, “avalista” do guri de Pelotas que esta no Piratini e do genocida ocupante da “casa de vidro” do Planalto.

Segue Entrevista da Reitora Lúcia Pellanda para o Correio do Povo, na íntegra. A minha opinião externei acima. Leia a entrevista e tire suas próprias conclusões.

Surpreendidos com anúncio do governo, integrantes do Comitê Científico se oferecem para auxiliar nas mudanças

Surpreendidos ao longo da terça-feira pelas medidas anunciadas pelo governador Eduardo Leite (PSDB) colocando, por decreto, todo o RS em bandeira vermelha, suspendendo a cogestão e permitindo o retorno das aulas presenciais em  todos os níveis de ensino, integrantes do Comitê Científico passaram a se mobilizar para alertar tanto o Executivo como a população sobre o que, do ponto de vista do avanço da pandemia, as mudanças podem significar. Há um entendimento majoritário, por exemplo, de que o retorno às atividades presenciais na Educação não pode ser feito, no atual momento no RS, com protocolos construídos no ano passado, porque os mesmos estão defasados.

“Nossa posição inicial é de pelo menos tentar propor critérios para as escolas, porque os protocolos antigos não servem agora”, adianta a reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a médica e professora Lucia Pellanda.  Lucia integra o Comitê Científico, um colegiado que mescla especialistas externos vinculados a diferentes instituições e áreas do conhecimento e corpos técnicos do governo. E que foi instituído no ano passado para assessorar o Executivo, a partir dos critérios técnicos e científicos, nas medidas de combate ao coronavírus.

Correio do Povo: Por que os protocolos estabelecidos em 2020 para reabertura das escolas não atendem as necessidades do atual momento?

Lucia Pellanda: Porque, durante todo este período, aprendemos com a pandemia. E hoje estão consolidadas a importância e o alto grau de transmissão pela via respiratória. É um vírus respiratório. No ano passado, havia toda uma atenção voltada para quantificar a transmissão por superfícies. Os protocolos foram construídos priorizando aquele entendimento. Hoje, já sabemos que a transmissão respiratória é a mais importante.

CP: Os protocolos precisam ser alterados?

LP: A base dos protocolos para evitar ou minimizar a transmissão respiratória é um tripé. Ele inclui, primeiro, máscaras de qualidade e bem ajustadas ao rosto. Então, por exemplo, todos os professores e trabalhadores das instituições de ensino deveriam usar máscaras PFF2. O segundo item do tripé é ventilação adequada. É fundamental existir uma ventilação que garanta a dispersão das partículas do vírus. E, dependendo do local, filtro especial para os aparelhos de ar-condicionado. Esta discussão nos Estados Unidos foi bem significativa mesmo, porque o custo da adaptação dos sistemas de ar é bastante elevado. Ou deixa o sistema desligado com todas as janelas abertas. Locais sem janelas ou onde elas não possam ser abertas não devem ser utilizados. E, terceiro, o distanciamento. Por exemplo: 10 pessoas que não são de uma mesma casa em uma sala já podem constituir, a depender das condições, uma aglomeração. Como vamos resolver isto? Considerando estes três itens, é possível garantir a segurança do retorno?

CP: Em fevereiro, poucos dias antes da bandeira preta, o governo estadual flexibilizou algumas medidas nas escolas. Elas acabaram por permitir, por exemplo, maior número de alunos em sala. Isto precisa ser revisto?

LP: É preciso haver dois metros de distância entre as crianças. Quando são crianças pequenas, que não usam máscara, provavelmente maior distância. Porque embora o risco para as crianças seja menor, ele não é zero. E o risco de elas transmitirem para familiares e para pessoas que estão na escola é considerável. É claro que entendo que escolas precisam, que devem abrir quando há segurança para isto. Só que não tenho certeza da existência desta segurança agora.

CP: Governantes, entidades e parte da população argumentam que, apesar da bandeira preta que estava em vigor, praticamente todos os setores estavam abertos, com exceção da Educação. E que, por isto, era contraditório manter escolas fechadas.

LP: É importante que as pessoas estejam cientes de que aumento na mobilidade, independente do setor, vai aumentar o número de casos, porque aumenta a transmissão. É óbvio que preferimos que a escola abra antes do bar. Mas se decidiram abrir o bar, é preciso tomar uma outra decisão: a de estabelecer o que vai fechar para que a escola possa abrir. A lógica correta, na prática, a que funciona, não é a de um setor abrir porque outro já está aberto, e assim abrir todos. É a de fazer escolhas sobre o que fechar para equilibrar a abertura das escolas. A máxima “já que está tudo aberto, vamos abrir as escolas também”, precisa vir acompanhada da consciência de que esta ação vai gerar aumento no número de casos. A pergunta é: estamos preparados para isto?

CP: Os protocolos anteriores também não levam em consideração a alta transmissibilidade da variante P1 do vírus, certo?

LP: Exatamente. Antes não conhecíamos tão bem a transmissão. Agora conhecemos muito melhor. E os protocolos não migraram de acordo com este conhecimento. Medir a temperatura de alunos na entrada da escola, por exemplo, é hoje uma das ações com menos impacto em todo o sistema de protocolos a serem adotados (parte das pessoas contaminadas sequer apresenta febre). Não estou dizendo que não é para ser feito. Estou falando de diferentes graus de efetividade a partir do que conhecemos sobre o vírus. É muito claro que precisamos ter um plano para como apoiar as crianças que precisam, que estão em situação de vulnerabilidade, para definir como vamos fazer para acolher estas crianças. Mas abrir a escola sem as condições adequadas de segurança não parece ser a solução neste momento. E, quero deixar muito claro isto: a Educação é a coisa mais importante que existe. Ela só não é mais importante do que a vida.

CP: Em que condições as escolas devem reabrir?

LP: Poderíamos estar abrindo neste momento se já tivessem sido adotadas uma série de medidas, mas elas não foram feitas. Não é que seja impossível, é que precisa primeiro ter as medidas de segurança funcionando. São mudanças nos protocolos conforme o que já citei, um planejamento de como será feita a volta, todo um plano de retorno.

CP: Os critérios científicos se perderam?

LP: É uma questão difícil. A sociedade democrática é formada por diferentes posições e é fundamental escutar a todas. Os argumentos, como o do prejuízo para as crianças, são muito importantes. Ninguém está fazendo pouco desta argumentação. É só uma questão de que este não é o momento para reabrir com os protocolos antigos. O prejuízo aos estudantes já está dado, é inegável, só que colocar todos em risco talvez cause mais prejuízo, porque é bastante provável que será necessário voltar atrás. É preciso considerar, por exemplo, para as crianças, o risco de perder um dos pais ou outro familiar. Isto, infelizmente, existe. É uma discussão que precisamos fazer com muita responsabilidade. Podemos começar agora. Mas, abrir intempestivamente, não.

CP: O Comitê Científico foi chamado para auxiliar na elaboração das mudanças?

LP: Não. Mas, mesmo assim, estamos nos oferecendo para contribuir. A mensagem da segurança é muito importante. Mudou a situação, mudou a compreensão a respeito da transmissão, e precisamos atualizar os protocolos. A questão da ventilação, por exemplo, é importante demais, e acredito que será bastante difícil de padronizar. Há uma heterogeneidade muito grande entre escolas. Por fim, teremos a chegada do inverno. E, ainda, a questão coletiva, a da transmissão global. Destaco isto porque a maioria dos estudos sobre o risco de transmissão de atividades não tem resultados em situações como a nossa: a situação crítica. Foram realizados em situações de transmissão bem mais baixa, não em cenário de transmissão descontrolada como este no qual ainda nos encontramos. Há pouquíssimos relatos, por exemplo, de escolas que abriram em situação semelhante à nossa. Mesmo que existam estudos que apontem risco baixo, eles não tratam de uma realidade que chegue sequer perto da nossa, é muito difícil de transpor as condições. Há algum tempo já assinalamos esta diferença.

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